GEEKOUT

Isto não é outra Review a Death Stranding

Death Stranding foi relançado no PC e é excelente, mas não é fácil voltar a investir mais 60 horas de entregas com algumas cinemáticas pelo meio.

Há muito, muito tempo, quando Death Stranding foi lançado para a PlayStation 4, em 2019, senti que passei por uma experiência transcendental. É certo que o hype acumulado de anos de antecipação, teorias maradas e discussões profundas regadas a tinto, branco, verde e dourado, ajudaram a apimentar o sabor delicioso que fui degustando ao longo de 60 horas de possível aborrecimento numa viagem por uma América do Norte fragmentada pela maré da morte. Contudo, eu gostei legitimamente de tudo o que Death Stranding me deu, com as suas quirks, clichés, momentos desconfortantes e tudo. Por isso, não é por acaso que Death Stranding se colocou no topo da minha lista de jogos favoritos, onde dependendo do dia, é facilmente esse que saco da cartola para dar a medalha. Porra, mesmo depois da sua história, ainda lhe espetei mais uma centena e picos de horas só para o platinar.

Assim, é fácil perceber que tinha muita curiosidade em regressar ao novo mundo criado por Hideo Kojima quando este fosse lançado para PC, algo que aconteceu no inicio deste mês e que, tal como pela primeira vez, se tornou numa revelação, mas não pela forma como podem estar à espera. Há muita coisa boa e uma particularmente triste, mas comecemos pelas melhores.

Death Stranding no PC
Death Stranding no PC continua estranho.

Sinto que a versão PC de Death Stranding é a sua versão definitiva. Um choque, eu sei. Melhor resolução, melhor qualidade de imagem, melhores tecnologias para quem usa placas da NVIDIA RTX ou ecrãs 21:9, etc, mas o que transforma de facto o jogo, para mim, é o facto de poder ver a ação a decorrer de forma mais fluída, livre dos limites dos 30FPS da PlayStation 4, num PC relativamente modesto, com processador de entrada de gama e uma placa gráfica on budget da geração passada, que, por acaso, fazem parte dos requisitos recomendados. Estes resultados não são de estranhar, especialmente se pensarmos que a PlayStation 4 é composta por hardware de 2014, mas ainda assim não deixa de ser espetacular.

As cinemáticas são mais fluídas e claras, a jogabilidade é mais precisa, as animações ganham outro dinamismo e até a palete de cores é mais viva por razões que não percebo muito bem. Há algo de especial e de bonito, que me convida a mais 60 horas da sua história.

Os ingredientes estão todos aqui e Death Stranding no PC tem todo o appeal e sexyness para atrair novos jogadores e fãs da versão original. Contudo, não sei se consigo voltar a repetir o jogo. Outro choque.

Death Stranding no PC
Death Stranding no PC joga-se que é uma perfeição.

Não é só Death Stranding. Na verdade, é recorrente encontrar uma barreira invisível nos jogos que mais gosto, que mais adoro e que, no meu subconsciente, mais quero repetir. Mas a falta de novidades e incentivos práticos continuam a distanciar-me dos mundos que tanto vivi no passado. Nesta geração, dei por mim a adquirir várias versões de um mesmo jogo, normalmente depois de os analisar, ou quando os apanhos em promoção noutra plataforma. A vontade e o incentivo para começar de fresco existe, mas a urgência de descobrir o próximo capitulo e o investimento pessoal necessário para repetir jogos, quando somos inundados por tsunamis de novos lançamentos e análises por fazer, continuam a empurrar os novos saves para um canto.

É cada vez mais recorrente não conseguir voltar a jogos já passados. Não sei se é da idade ou do “exagero” da oferta que temos (choro de barriga cheia), mas há algo que não cola como colava e o relançamento de Death Stranding é, em parte, para mim, uma tremenda tristeza. Fico feliz que exista e que tenha como o jogar, mas temo que tão depressa não volte a experienciar as últimas cinco horas loucas de Kojima “libertado”, na sua edição definitiva.

Death Stranding no PC
Death Stranding no PC é mais do que um walking sim, é um selfie sim.

Talvez o consiga fazer num remake/remaster em 2040, quando me esquecer das partes interessantes, mas não agora, no ano em que tivemos um olhar realista à verdadeira maré da morte.

Mas se nunca jogaram Death Stranding e têm um PC minimamente modesto, do que estão à espera de experienciar Kojima no seu estado mais puro? Estás a ler isto Vanessa?

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