Sonic Forces | Glitch Tag-Review

Depois do lançamento de sucesso de Sonic Mania, chegou a hora de olhar para Sonic Forces, um dos projetos mais enigmáticos da SEGA. Para tentar decifrar o que se passou durante a produção e perceber se este é ou não um novo regresso em grande do ouriço azul, o Canelo e o David uniram forças para fazer a primeira GLITCH Tag-Review.

sonic_forces_Selo_Análise

Canelo – David, não sei se estavas à espera de Sonic Forces, aliás, não sei se alguém estava com alguma expectativa, mas aqui está ele e meu deus, que jogo! Ambos tivemos o prazer de o jogar durante os últimos dias. Chegámos ao fim, vimos a história na totalidade e ainda fomos atrás dos níveis para conseguir a maior classificação.

David – É verdade, tivemos o privilégio de jogar esta malha. E posso começar por dizer que, apesar das expectativas baixas, até me diverti com este jogo. Mas, antes de continuar, diz-me Canelo, o que é para ti Sonic Forces?

Canelo – Bom, para começar, não é Sonic Mania. É um híbrido estranho entre a jogabilidade que vimos em Sonic Generations e a falta de cuidado de uma equipa que não sabia muito bem o que estava a fazer. É dos jogos mais dolorosamente medianos que joguei nos últimos meses, mas não há uma única pinga de ódio. Não estou chateado por ser mediano, parece que já estou tão habituado a esta falta de cuidado que joguei sem me queixar.

David – Sem dúvida. Não é por acaso que estamos aqui a discuti-lo. Este é um jogo tão mediano que é quase especial. Tem um conceito bastante engraçado e falha redondamente, mas não chega a um nível de “tão mau que é bom” a que a série quase nos habituou desde Sonic the Hedgehog (2006).

Também é, na minha opinião, uma prova de que a Sonic Team não tem um departamento de teste e/ou avaliação e deixa passar tudo o que faz. É estranho.

Canelo – O jogo todo é estranho e acho que estamos de acordo nisso. Há um ambiente quase surreal na história, agora com um enorme foco numa revolução (supostamente) séria contra o Eggman. Nada aqui é bom, é incrível. Quer dizer, é tão aceitável que dói e se torna num produto interessante. Como é que um jogo destes sai depois de Sonic Mania? Isto devia ser estudado!

O que achaste da duração do jogo e do design dos níveis? Ficaste com alguma impressão positiva? Digo isto porque tu claramente gostaste mais do jogo. Eu ainda nem consegui compreender muito bem o que me passou pela frente.

sonic_forces_imagem1
O jogo está dividido por três estilos de controlos diferentes, mas nunca existe uma verdadeira força por detrás de nenhum deles. Isto porque cada um se foca quase unicamente numa mecânica específica: acelerar sem parar.

David – Não posso dizer que tenha gostado mais ou menos do jogo. Mas, enquanto fã da série, fiquei surpreendido. Como tu dizias no outro dia, este é um jogo bizarro, e em todos os departamentos encontro coisas tão boas como más. Achei a seleção de níveis bastante interessante, dentro de um jogo destes, o mesmo não posso dizer da sua sequência.

Em jogos anteriores, tínhamos dois ou três níveis antes de uma batalha de boss. Aqui, na tentativa de apresentar três estilos de jogo diferentes, as áreas são apresentadas de uma forma quase que baralhadas e fora de ordem. Nunca nos prepara bem para o que vamos encontrar.

Os níveis em si, achei-os super curtos e quase “forgettable”, mas ironicamente tiveram aquele efeito do “vamos jogar só mais um”, o que me motivou de alguma forma a passar o jogo num ápice. Coisa que não aconteceu com o superior Sonic Mania.

Canelo – Concordo que a ordem dos níveis parece ser muito aleatória numa clara tentativa de nos dar tudo de uma só vez. Parece que os produtores tiveram medo que nos aborrecêssemos rapidamente com o jogo. Temos os níveis normais, uns especiais e ainda missões de salvamento onde na maioria do tempo, eu não sabia o que estava a fazer. E ainda assim, chegava ao fim com uma classificação máxima. É incrível.

Uma coisa é certa: este jogo é demasiado curto. Os níveis tentam apresentar caminhos alternativos e aliciar-nos a repetir cada uma das fases para atingir o melhor tempo possível ou a encontrar todas as moedas vermelhas, mas a experiência parece estar sempre em piloto automático. Os níveis foram concebidos para acelerarmos sem fim e sem termos noção das plataformas que temos pela frente. É fácil evitar tudo e chegar ao fim completamente ilesos. Parece que me tinha de esforçar para morrer num dos níveis. Isto se um bug não me matasse, claro

Ou então, Sonic Forces é o Dan Brown dos videojogos. Foi criado para ser tão ridículo e exagerado, mas com níveis tão curtos que temos SEMPRE de ver o que vem a seguir.

sonic_forces_imagem2
Apesar dos bugs que encontrámos, os gráficos podiam ser piores e existem momentos em que a cor se alia bem à velocidade dos níveis. A aposta nos 60fps é acertada e dá-nos uma maior sensação de urgência, seja qual for a personagem que estejamos a utilizar.

David – Sim, Sonic Forces é um jogo muito fácil, e parece que a maioria do tempo estamos a lutar contra os próprios problemas técnicos do jogo do que a tentar combater os inimigos ou os bosses. E o jogo parece recompensar-nos única e exclusivamente na rapidez com que passamos o nível. Eu não sei se é um caso inédito, mas, onde estão as vidas?

Estes problemas técnicos também se refletem imenso na física do jogo. Parece que foram contratar engenheiros técnicos e disseram “precisamos de um motor de física universal” e quer nos níveis 3D ou 2D, as personagens movem-se da mesma maneira.

Canelo – O jogo tem mesmo problemas técnicos e existe aqui qualquer coisa que me faz logo pensar em produções problemáticas e em cortes no orçamento. Acho que Sonic Forces começou por ser algo diferente e a meio a equipa teve de alterar os seus planos, talvez pela reação que Sonic: Lost Worlds teve em 2014.

E tu estavas a dizer algo que ficou comigo: as personagens parecem que estão sempre a escorregar, como se o chão estivesse cheio de vaselina. Não achaste que a jogabilidade, quando não estamos sempre a acelerar, piorou desde Generations?

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Os bosses tradicionais da série estão de regresso, mas não vêm sozinhos. Infinite é o novo mauzão do grupo que, infelizmente, nunca chega a ser interessante.

David – Piorou drasticamente porque as personagens, pelo menos no modo 2D, não apresentam peso. Não há inercia, balanço, nada. Traduziram o on-rails do 3D para o 2D e está feito.

Foi de facto uma oportunidade perdida para fazer uma verdadeira sequela de Generations, até porque a história faz uma breve referência com o Sonic Clássico, que aqui quase não tem presença ou razão de existir.

Eu acho que percebo o que Sonic Forces tentou ser. Numa altura em que a fanbase é ridicularizada, especialmente depois do aniversário dos 25 anos do Sonic, tentaram fazer um jogo que representasse (literalmente) a união das várias gerações de jogadores.

Ainda só estou a tentar perceber é como é que a componente DeviantArt do jogo é aquela que resulta melhor e lhe dá alma.

Canelo – Realmente é a alma do jogo e isso é tão estranho e surpreendente. A criação da nossa personagem é rápidao e surge de uma forma satisfatória devido à quantidade de itens que podemos colecionar e utilizar. Aliás, acho que os níveis funcionam melhor sem o Sonic e esta é a pior crítica que posso fazer ao jogo.

Se é uma celebração de todos os tipos de fãs e dos 25 anos de progresso da série, então falhou, mas é um desastre intrigante sobre o qual vamos continuar a falar. Há algo especial neste jogo tão mediano e tão desinteressante. Parece que atingiu um novo patamar de estupidez e se tornou genial.

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Existem muitos itens para colecionar e poderão escolher não só a raça da vossa personagem como todos os aspectos da sua personalização. Apesar de ser uma adição estranha ao universo da série, acaba por funcionar no âmbito do jogo.

David – Será que estamos perante um possível jogo de culto da mediocridade? É que apesar das suas falhas mecânicas, Sonic Forces é bastante bonito, muito fluido (na versão PS4, pelo menos) e até as músicas são… interessantes. Muito upbeat e encaixam bem na ação dos níveis. Isto claro, se ignorarmos o tema principal, que aparece sempre nos momentos certos para nos falar sobre o poder da amizade ao som dos Hoobastank.

Tudo é bizarro.

Canelo – Não sei como será o futuro da série, mas algo me diz que teremos muito mais Sonic Mania do que Sonic Forces. A reação tem sido muito mediana, por isso acredito que este seja um novo momento de mudança para o ouriço. Se calhar, Sonic Forces ainda será visto com outros olhos no futuro, mas por agora, era o pior jogo que podia ter saído depois do sucesso de Sonic Mania. E digo isto sem qualquer ódio pelo jogo!

Mas era preciso mais, muito mais. Se calhar, até valia a pena adiar o jogo e limar um bocado as arestas, mas isto saiu com uma atitude de “olhem, não sabemos, vai assim e acabou”.

David – Partilho do mesmo sentimento. Num ano em que Sonic Mania chegou e rebentou a cabeça de muitos jogadores, estando entre os Jogos do Ano, este jogo podia ter tido mais um ano de desenvolvimento, mantendo todo o conteúdo e features que agora tem. Bastava reordenarem o jogo e afinarem a jogabilidade. Especialmente se o público-alvo é a malta mais nova.

Eu cá ainda espero num reboot do ouriço, com um registo mais aproximado à introdução de Sonic CD. One can dream, right?

Canelo – Acho que é isso que temos de fazer, continuar a sonhar e rezar para que a equipa de Sonic Mania nunca seja despedida!

David – Ámen!

Nota 5
A escala utilizada é de 1 a 10

O jogo (PS4) para análise foi cedido pela Ecoplay.

 

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