Telltale: Não és tu, sou eu

Estou farto. Telltale Games, precisamos de falar. Cheguei ao meu limite, desculpa, mas já não consigo estar nesta relação. Os teus jogos cansam-me, já não sinto quaLquer prazer em carregar nos botões no momento certo ou em fazer decisões sob pressão. O sonho morreu, Telltale, e nós precisamos mesmo de falar.

Quero oficializar a minha decisão e quero fazê-lo da melhor forma possível. Decidi seguir um guia para estruturar a minha decisão e demonstrar o porquê de querer acabar a relação. Mereces o melhor, pelo menos é o que sinto. E não te preocupes, não vou dividir isto por episódios e estender artificialmente este artigo

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Na imagem: A Clementine à procura de originalidade. Também na imagem: Zombies.

1 – EVITAR UMA DECISÃO PRECIPITADA

Apesar de ter passado dois meses horrorosos com Tales from the Borderlands e Game of Thrones, decidi ter calma e afastar-me durante três semanas antes de chegar à minha decisão final. Aproveitei para completar Until Dawn e Life is Strange, dois jogos que me surpreenderam pela positiva, e constatei rapidamente que nada tinha mudado. O cansaço e pura saturação continuavam associados à produtora e aos seus jogos. Não tenho quaisquer dúvidas que estou de preparado para nunca mais jogar um projeto produzido pela Telltale Games.

2 – DEIXAR CLARO O PORQUÊ DO ROMPIMENTO

Depois do fascínio, veio o cansaço e a rotina. É isso que sinto em relação à Telltale Games. Ninguém me vai tirar a primeira vez que joguei The Walking Dead – Season 1 ou The Wolf Among Us, mas é impossível continuar em frente quando a jogabilidade não evolui e as histórias continuam a ser mais insípidas do que envolventes.

Quero ser mais simpático, mas é difícil. O género cansa-me, a jogabilidade continua a ser aborrecida e simples, pobre mecanicamente e sempre escondida por detrás de decisões que não têm qualquer peso narrativo (para além de identificar quem odeia quem e quem vai sobreviver, como numa novela).

Talvez tenha ficado menos paciente, mas a Telltale Games aborrece-me. Não sinto qualquer entusiasmo enquanto jogo a segunda temporada de The Walking Dead ou a parvoeira que saiu da adaptação de Minecraft. E não vejo o interesse em saber o que se passa em Guardians of the Galaxy ou nas aventuras do Cavaleiro das Trevas.

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“Tens de jogar Tales from the Borderlands, é surpreendentemente bom”, disse o David.

3 – PONTOS POSITIVOS & PONTOS NEGATIVOS

POSITIVOS

  • Algumas boas personagens.
  • Domínio do mundo e do seu impacto dramático.
  • As histórias têm sempre um momento interessante e de grande impacto que dá alguma profundidade à narrativa.
  • As escolhas não são tão desnecessárias como em Beyond Two Souls.
  • The Walking Dead – Season 1.
  • The Wolf Among Us.

NEGATIVOS

  • Sem grande impacto narrativo, as histórias não oferecem tantas escolhas como aparentam.
  • São basicamente filmes onde ocasionalmente deslocamos as personagens.
  • A maior e mais importante ação dos jogos consiste em pressionar o analógico esquerdo para a frente e nunca largar até começar uma nova sequência de história.
  • Os jogos dependem quase unicamente da história para nos agarrar. Se a história falha, o jogo perde-nos.
  • A divisão por episódios é arcaica. Funcionou durante os primeiros títulos, mas está na hora de repensar. Acabar cada episódio com um cliffhanger é o mesmo do que estar a escrever O Código Da Vinci, de Dan Brown, e fingir que é muito mais profundo.
  • QTE não deviam ser uma das mecânicas mais importantes dos jogos. Se começaram por criar alguma tensão, agora só comprovam o quanto a fórmula precisa de evoluir. As narrativas pedem mais.
  • As escolhas são, em alguns casos, falsas e não alteram os finais dos jogos. É muito interessante influenciar o destino das personagens e é ainda mais complexo (e falo por experiência própria) criar uma história que consiga prever todas as decisões dos jogadores, mas no final, só sentiremos o peso das nossas decisões se perdermos uma das personagens mais interessantes. Sem esse gancho emocional, os finais são muitas vezes vazios e sem interesse.
  • As histórias utilizam técnicas narrativas saídas de uma telenovela, apostando maioritariamente em reviravoltas previsíveis, mas fortes (mesmo que não façam sentido), para agarrar os jogadores.
  • As animações estão datadas e o aspeto cartoonesco está acabado e enterrado. Estamos constantemente a receber os mesmos jogos, só que com novas personagens e histórias relativamente diferentes.
  • Sentimento de vazio antes de começar um novo jogo.
  • Aumento de stress quando chego à primeira sequência de QTE.
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Escolhas.

4 – DECIDIR SE EXISTE A POSSIBILIDADE DE MUDANÇA

Quero acreditar que sim, que a Telltale Games vai ter a coragem necessária para alterar a fórmula e criar uma experiência verdadeiramente inovadora e capaz de reinventar o género. No entanto, esta mudança não vai acontecer agora ou durante os próximos dois anos, não quando já tem tantas adaptações planeadas. Fica o desejo e vontade em ver algo diferente e empolgante com a estreia de The Wolf Among Us – Season 2, mas mantenho-me apreensivo.

5 – COMUNICAR A NOSSA FRUSTRAÇÃO

Ainda mais? Pode ser que a Telltale Games aprenda a ler em português e decida visitar o GLITCH EFFECT.

6 – ESTABELECER UM PRAZO RAZOÁVEL PARA A MUDANÇA

O lançamento de The Wolf Among Us – Season 2.

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A segunda temporada funcionará como um stand-alone, mas a confiança mantém-se.

7 – DESABAFAR COM UMA PESSOA DE CONFIANÇA

Olá, internet…?

8 – FAÇA A SUA DECISÃO FINAL

Eu gostava de voltar atrás e mudar a minha opinião. Apesar de tudo o que disse, eu quis gostar da Telltale Games e dos seus jogos. Não tenho qualquer prazer em chegar a esta decisão, mas sinto que é o melhor para os dois. Não és tu, Telltale, sou eu. Estou cansado e sinto-me enganado, não há nada que possas fazer agora. As memórias ficam, mas por agora, sinto-me mais feliz se ficar longe dos teus jogos.

A minha opinião vai contra a da maioria dos jogadores, mas sinto mesmo que cheguei ao meu limite. Compreendo que este tipo de aventuras gráficas continuem a ter um lugar na indústria, mas para mim, só valerá a pena regressar quando existir uma verdadeira evolução. Até lá, prefiro ficar longe.

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