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5 coisas que queremos ver na série Castlevania

Cuidado malta, anda um zombie à solta que se chama Konami e é viciado em pachinko! Fujam enquanto podem, salvem as crianças e por favor poupem o Metal Gear!

Depois de ter ressuscitado a série Bomberman com um novo título para a Nintendo Switch e para as arcadas, este último intitulado Bombergirl, a Konami parece ter finalmente aberto as portas do seu bunker e libertado as franquias que mantinha em cativeiro. Apesar de não ser um novo jogo, Castlevania está de regresso e desta vez sob o formato de série de televisão.

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Imaginem que a série vai ser idêntica a esta imagem.

E o que podemos esperar desta adaptação produzida pela Netflix e Adi Shankar, de Dredd, The Grey? Por agora só sabemos que se trata de uma série animada com um enorme foco na violência gráfica, algo que Shankar sublinhou durante as suas entrevistas, e inspirada nos eventos de Castlevania III: Dracula’s Curse. Mas e a história? E as personagens? E será que existe violência sexual como na máquina de pachinko? Ainda não sabemos, mas aqui ficam cinco coisas que queremos ver nesta nova e (esperemos) promissora série de Castlevania.

1 – Era medieval

Isto pode parecer um ponto redundante, até porque a maioria da série se passa entre os séculos XI e XVIII, mas é algo que devemos ter em conta. Estamos a falar de uma produção norte-americana com um budget considerável (estimo, eu), com uma aposta na violência e baseada num videojogo – isto é um risco para os estúdios. Apesar de Game of Thrones ser uma das inspirações de Shankar (nem que seja pelo seu sucesso), nada nos garante que não temos a típica história do jovem adolescente que descobre que é descendente dos Belmont e o único capaz de lutar contra Drácula. Um jovem atormentado por visões e sonhos assustadores, que sofre de uma crise de identidade e de propósito e que se vê obrigado a aceitar o seu destino como caçador de vampiros. Já viram isto inúmeras vezes, não viram? Agora esperemos que Castlevania não seja mais uma das vítimas desta fórmula. Queremos um olhar mais adulto sobre a história da série e não precisamos de adolescentes chateados com a vida para termos essa visão.

2 – Fiel aos videojogos

A história dos jogos é boa? No geral, não. Se quisermos ser mais simpáticos, podemos concluir que é simples, directa e que complementa perfeitamente a jogabilidade da série. Mas não é complexa, dramática ou envolvente o suficiente para se assumir como um ponto de destaque. Então porque estou a insistir na sua importância? Porque existem momentos que valem mesmo a pena e uma mitologia interessante que tem espaço para melhorar e complementar a narrativa simplista dos jogos. Existe um enorme foco na maldição do clã Belmont, cujos membros estão destinados a lutar contra as forças do mal, e poderá ser interessante aprofundar as personagens e compreender a sua motivação (fora…a parte da obrigação e tal).

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Verdadeira poesia.

3 – Um Drácula mais ameaçador

Se já jogaram qualquer um dos jogos, devem ter percebido que o vilão é (quase sempre) Drácula. E no final de qualquer um desses jogos, Drácula é derrotado e enterrado juntamente com o seu castelo, simplesmente para ser ressuscitado décadas depois. Portanto, o vilão está sempre a perder. Isto não faz com que seja menos ameaçador, a sua presença é tão forte que é impossível matá-lo permanentemente. É uma maldição que acompanha os Belmont e o próprio Mundo. Mas todos o matam. É aqui que a série pode aprofundar a sua personagem ao dar-nos um vilão assustador e uma história concentrada numa única batalha entre um Belmont e o famoso vampiro. Precisamos de um Drácula maior do que qualquer outro, poderoso, mas charmoso. Um vilão que adoremos e que detestemos ao mesmo tempo e que seja o contrário do heróico (ou até assustado) Belmont. Se a equipa de produção conseguir fazer isto, é fácil esquecer a sua fama nos videojogos e abraçar esta sua interpretação.

4 – Sem Alucard

Drácula é uma constante, o seu filho no entanto, pode ser completamente eliminado desta adaptação. Symphony of the Night pode ser um dos títulos mais importantes da série, mas não podemos começar a história por aí. Precisamos ir ou ao primeiro combate contra o Drácula ou à primeira vez em que regressa. Imaginem um Belmont, neste caso Simon, que ouviu as histórias do seu pai, que se preparou a vida inteira para enfrentar o mal puro e se vê agora numa situação que sempre temeu. Isto é interessante, é tenso e temos toda a mitologia da série presente. Não existe espaço para Alucard, desculpem. A sua presença só iria diminuir a importância da demanda do Simon, ia ser um deus ex machina constante que serviria como um mentor e um escape para o caçador de vampiros. Se a série tiver continuidade (e qualidade), Alucard poderá ser uma personagem importante quando tivermos os alicerces devidamente implementados.

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Alucard a pensar que se calhar devia ter comprado aquela camisa na Zara.

5 – Adeus Lords of Shadow

Este último ponto parece já ter sido desmistificado pelo produtor, visto que a série se está a inspirar na aventura de Trevor Belmont. E ainda bem! Lords of Shadow foi um bom recomeço para a série, um risco que parecia ser necessário e que adicionou novos elementos a uma história que estava mais que encerrada. Infelizmente, os DLC e a sequela destruíram por completo todas as virtudes da história ao caírem em clichés e reviravoltas previsíveis e pouco criativas. O que eu quero dizer é que a narrativa ficou absolutamente aborrecida, ainda mais que as sequências furtiva do segundo jogo. Nós não precisamos desta visão mais realista na adaptação produzida pela Netflix, devemos (inclusive) manter a distância. Se querem adaptar Castlevania III ou retirar alguns dos seus elementos narrativos, façam-nos sem sentirem a necessidade de deambular por twists forçados e por uma necessidade absurda de explicar alguns momentos históricos. Isto é simples: Belmont contra Dracula, ponto final. Criem boas personagens, dêem-nos um castelo assustador e alguma tensão, e ficamos todos satisfeitos. E, por favor, não deixem a Konami ir às sessões de brainstorming!

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“Vai ser fantástico jogar como o Dracula” – Pois vai, especialmente quando nos apercebermos que não tem os poderes todos e morre com balas.

João Canelo Ver todos

Guionista de dia, crítico e homem das larachas de tarde e um bom rapaz à noite, sou o perito em RPG japoneses e jogos de terror do grupo. Sentem-se, estejam à vontade!

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