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Critters for Sale – GOAT

Julho, 923. Deserto do Jordão. O meu nome é Jaafar. Estou à procura de uma caverna supostamente real, mas não existem sinais que comprovem a sua existência. Espero pelo meu amigo Stefan, que foi à procura de pistas. O sol está quente e tento esconder-me na tenda que montámos. Não há mais nada para além das camas improvisadas que preparámos no dia anterior.

Oiço passos ao longe, é Stefan, que regressa com a minha cabra. Stefan encontrou o caminho para a cave, guiado por uma voz, e diz que temos de partir. Pede-me para abandonar a cabra, mas os olhos escuros do animal aquecem-me o coração. Não consigo deixá-la para trás. Stefan insiste, mas a minha decisão está feita.

Caminhamos pela areia quente em busca da cave. Não consigo acreditar na sua insistência, mas Stefan garante-me que é real e que iremos encontrar tesouros indescritíveis. Continuamos em frente e a cabra mantém-se em silêncio. Segundo Stefan, a lenda dizia que não podíamos levar animais para a cave, mas, até aqui, no meio do deserto, nada aconteceu. Se calhar a cave não existe.

Stefan fala-me sobre a cave, os seus segredos e eu mantenho-me cético. As suas respostas são distantes e pouco claras. Se quisesse, podia avançar sem sentir falta dos seus comentários. Podia simplesmente avançar e não pensar em mais nada. Inesperadamente, o pior acontece. A cabra mata Stefan. Fala comigo, na minha língua, como nunca a ouvi antes. Chegou a minha hora.

Sou assassinado pela cabra, tal como profetizado por Stefan. O tempo rebobina. De volta à tenda, Stefan repete as mesmas frases que ouvi minutos antes. Já sei as suas respostas e a sua sugestão: abandonar a minha cabra. Olho para o seu focinho, vejo no reflexo dos seus olhos escuros o meu futuro gravado para sempre nas nossas mentes, conquistado como um troféu, ou “achievement”.

A nossa viagem recomeça, coloco os pés exatamente onde os coloquei naquele futuro, quase passado, hipotético. Desta vez, não perco tempo. Tenho a possibilidade de acelerar os diálogos e voltar a tentar a minha sorte sem ouvir/ler o que Stefan tem para me dizer. Em pouco tempo, chegamos ao local da nossa morte e, desta vez, passamos. Stefan não se recorda de nada, mas eu lembro-me. Ainda sinto a traição do meu animal de estimação no corpo, mas nada comparado ao que Stefan fará minutos depois. A cave é real e o meu suposto amigo de longa de data mata-me antes que veja o que está no interior.

Noutro futuro, vejo Stefan a transformar-se num dos Noid Men e a viver a sua vida como membro da banda Death Grips. Mas esse futuro não me pertence em nenhuma das hipóteses que posso contemplar. Só consigo ver este pequeno trecho da vida de Stefan. Para trás, só há a tenda e o caminhar para a minha morte. Nada mais existe. É a minha existência, este loop temporal. É o meu fim.

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