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Tales of Arise | BACKLOG

Não fechem a página! Isto não é um erro. Estão a ler o Glitch Effect que é, para todos os efeitos, o canto perfeito para escrever sobre o meu backlog – o nosso backlog! O Per Nebulae continua a existir de saúde, mas será dedicado aos meus trabalhos de escrita criativa. Portanto, só posso agradecer o espaço e a liberdade para continuar a escrever asneiras. Continuem por aqui porque vamos abrir com o Tales of Arise!

Sabem o quanto adoro fantasia medieval nos meus RPG? Aliás, sabem o quanto adoro fantasia medieval nos meus RPG de variante J?
Espadas, magias, armaduras, monstros, palácios, cenários bucólicos e mil e uma tropes calcadas e recalcadas do género. A minha idade nem interessa, se puder escolher, irei sempre por aí. Mesmo que o poder da amizade seja o preço da montra final.
Infelizmente, são poucos os jogos (bons) que satisfaçam o meu desejo de requinte, mas quando existem, quero fazer-lhes jus com as minhas modestas palavras para que outros possam sentir o que senti.
E aqui vai: Tales of Arise é um jogo fantástico!

O enredo deste Tales é um de opressores e oprimidos, datando de há três séculos com a invasão de Dahna por parte dos renans, de Rena. A população foi escravizada e o território isolado em cinco reinos, onde cada lorde compete para ser o soberano supremo num concurso denominado por Crown Contest. Para tal, cada um terá de extrair quantidades massivas de energia astral do seu povo – seja através da escravidão, tortura, manipulação etc. O típico: os fins justificam os meios. A nossa missão é acabar com esse sistema e libertar Dahna, mas se parece linear, rapidamente o fio se transforma num novelo quando menos dermos por isso.
Admito: a premissa não é original e já salvámos o mundo imensas vezes, mas avançar de região em região para enfrentar o mauzão é quase como assistir a um episódio de anime. Cada reino/tirano lida com uma forma diferente de opressão. Da mencionada escravidão ao racismo, o jogo também lida com perseguições, caça à bruxa e extermínio; diferenças entre classes (inclusive, entre a mesma população); o que acontece quando o oprimido oprime e movimentos de resistência.
Convém frisar que Tales of Arise não é um tratado de História. Apesar de abordar temas pesados, e assustadoramente cada vez mais relevantes, não são aprofundados. Não quero dizer que não foram lidados com respeito, mas é um jogo anime de fantasia. Interpretem como quiserem.

Depois, as personagens e o quão fácil é adorarmos cada uma e mergulharmos na sua jornada.
Tenho de destacar as vozes inglesas e as emoções que davam a cada uma delas – o Ray Chase é implacável na hora de me fazer sentir sentimentos, já desde o FFXV, portanto escolham bem porque vão passar muito tempo a ouvi-las a palrar, seja em cutscenes ou nos pequenos skits que enriquecem o jogo. E muitos nem desenvolvem a estória, mas dão aquele sabor ao mundo e esculpem as personalidades de cada para termos os nossos favoritos. Os meus? Alphen, Shionne e Rinwell!

O que salta à vista são os visuais coloridos e o pulo gráfico desde as prequelas, com personagens mais realistas e mapas diversos. A estória avança e cada reino novo traz o seu tema e carrega uma paleta de cores rica. Por gostar do azul, adorei explorar a gelada Cyslodia com os seus azuis e brancos pálidos da neve, mesmo sabendo o que a temática acarretava. Dos vermelhos e laranjas inóspitos de Calaglia, por outros tantos locais, até à verde e bucólica Elde Menancia – tudo puxava à exploração e, sendo bicho do mato até em jogos, dei por mim a explorar tudo para me demorar naquele mundo de conto de fadas.
Admito que passei por um momento de frisson quando, ao explorar, a banda sonora me sovou com um tema que parecia ter saído de Senhor dos Anéis para passar férias em Arise. Metia orquestra, metia coros e eu parei o que estava a fazer. Aliás, fui pesquisar a música para ver se não estava a dizer asneiras.

E o combate também é divertido ou não valeria a pena investir dezenas de horas só para olhar para imagens bonitas.
Não sendo por turnos, as batalhas seguem o modelo de Tales ao decorrerem em tempo real num ecrã em separado, onde controlamos a nossa personagem preferida — são seis elementos, com quatro em combate, mas podemos trocar no momento e/ou puxar de um ataque especial, mesmo das que estão no banco.
As batalhas têm um tanto de demorado, como de rápido, e requerem alguma atenção e um dedo rápido para responder ao inimigo. Se o adversário corre pela arena, então chamamos a Kisara para o deter; tem armadura? Law; vai atacar com magia? Rinwell etc.
Também podemos personalizar o nosso estilo ao escolher quem controlar – uma abordagem mais directa para atacar (Alphen, Law, Kisara) ou uma de suporte ou à distância (Shionne, Rinwell, Dohalim)? Para tal, atribuímos tantas habilidades quanto possível aos botões no nosso comando, depois é ir desencadeando combos até soltar aquele ataque especial para acabar com a festa. As restantes personagens controladas pela I.A. não estarão limitadas aos botões e dão uso a todas as habilidades disponíveis. Bom e mau porque vão esgotar o CP assim do nada. Convém desligar habilidades que não interessem e selecionar as que conferem vantagem sobre o adversário ou definir uma estratégia de combate mais moderada ou tudo ao molho e fé em Deus!
Não estão presos, portanto, divirtam-se a explorar um estilo que mais vos agrade!

Agora, o menos bom: a minha versão (Series X) congelava mais vezes do que queria admitir aqui.
A minha melhor amiga, que acabou na PS5, não teve este problema. Já eu, tinha de gravar manualmente, não fosse o diabo tecê-las e ter um loading ou skit encravado. Estranhamente, e ainda bem, deixou de acontecer no segundo acto do jogo.
Outro detalhe, que só reparei quando me apontaram, foi a cacofonia em combate. Já conhecemos as tropes de berrarem o nome do ataque antes de o usarem. É fixe num anime entre duas personagens, mas uma mão delas a berrar em simultâneo, a interromper-se, e sei lá mais o quê era… chato. E quando mo apontaram, não conseguia ouvir outra coisa e gostava de poder desligar isso nas opções.
Entendo que, para os veteranos, este Tales possa nem ser o melhor a nível de combate, de estória, personagens, desempenho, mas tirando uma coisa ou outra, diverti-me para caraças depois de uma experiência frustrante com o Scarlet Nexus – tem muitas horas de jogo, conteúdo opcional e easter egs para os fãs e, o melhor, foi partilhar a minha jornada com quem adorou e sentiu o mesmo que senti nos créditos finais. Cabe a essa pessoa, à minha melhor amiga, terminar este texto:

Fiquei de coração cheio, e amei.
A maturidade das personagens, o crescimento da Rinwell e do Law de crianças para adolescentes mais responsáveis e maduros.
O amor entre a Shionne e o Alphen.
A relação do Dohalim e da Kisara, o embrace do passado deles para olhar em frente.
Não é que eu jogue assim tanto, mas este jogo deu-me conforto que não sentia há algum tempo.

E é isto. Quando um jogo nos deixa bem e quentinhos por dentro, é porque é bom. Até ao próximo!

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