ESPECIAIS GEEKOUT

O teu Jogo do Ano ninguém to tira

Agora que conhecemos os nomeados para os The Game Awards e entramos em vésperas de tantas outras celebrações semelhantes é bom lembrar não faltam jogos dignos de levar o supremo troféu.

Jogos! Se estás a ler isto, suponho que gostes de jogos e te interesses pela indústria. Suponho também que tenhas algum tipo de opinião, positiva ou negativa, sobre os eventos que se avizinham e os nomeados do The Game Awards. Estamos oficialmente na época dos prémios, dos melhores dos melhores, das guerras de marcas e das lutas pela camisola. É fácil cair na armadilha “o meu videojogo favorito é melhor do que o teu”, mas trago um pequeno mantra para pensares: não te chateies com os possíveis vencedores. Não vale a pena. Celebra apenas a indústria e o teu jogo favorito.

Vamos ser realistas por um momento. Estes eventos – Óscares, Globos d’Ouro, The Game Awards, etc – são uma fantochada e uma montra promocional para uma parte específica da indústria dos videojogos. São passerelles para anúncios, mas também para parcerias estratégicas onde a mensagem nem sempre é clara para o consumidor. Existem, claro, aspetos mais positivos, como a celebração em torno do passado e do futuro da indústria, e a vontade em falar e comentar sobre videojogos.

Um ano é muito tempo. São dozes meses repletos de lançamentos de todos os tamanhos e feitios, moldados para todos os gostos. Por mais perdidos que se sintam neste mar de estreia, acreditem que existirá sempre um videojogo perfeito para vocês. Isto é quase matemático. Aliás, recebemos tantos jogos anualmente que é impossível ter tempo, finanças ou disponibilidade para experimentar todos os novos lançamentos. Quem sabe o que fica perdido entre plataformas? Será que todos vão conhecer aquele projeto independente que traz várias mecânicas inovadoras? Então como conseguiremos chegar a um consenso sobre qual será o melhor videojogo do ano?

Existem preferências, claro. Somos feitos de experiências e gostos. A vida é assim. A ideia de consenso e objetividade começa a ser ainda mais estranha quando existe tanta oferta e métodos de análise a um videojogo. Até certo ponto, esta descoberta é mágica, única e muito singular. É assim que proponho que olhemos para cerimónias como os The Game Awards, de forma apaixonante e empática, sem a necessidade de suplantar escolhas ou de lugar por elas.  O vosso jogo favorito, o mais apaixonante – onde gastaram mais horas ou tiveram as melhores experiências –, já ninguém vos tira. É vosso. Aliás, a experiência é totalmente pessoal. O que interessa se ganha ou não um prémio? Que validação procuram?

Este ano joguei 33 jogos. Foram muitos jogos, especialmente se tivermos em conta que os analisei também. Como reduzir estes 33 jogos a um? Posso simplesmente remar contra a maré da opinião pública ou então posso determinar que Psychonauts 2 foi inesquecível, já Marvel’s Guardians of the Galaxy foi uma enorme surpresa e The Medium foi apenas aborrecido. Sem falar, claro, na desilusão que tive com Kena: Bridge of Spirits, apesar de ser tão aclamado.

Fiquei triste ao não ver Forza Horizon 5 nas nomeações a Melhor Jogo do Ano? E ficarei chateado se Kena: Bridge of Spirits limpar as categorias em que está nomeado? Não, nem devo. Não temos de ficar irritados com isso. Cada evento terá as suas regras e critérios e nós próprios escrevemos as nossas próprias regras nesta conversa.

Infelizmente, prevejo que este cenário de desconexão emocional não será transversal a todos. Prevejo que a batalha campal de “caixistas” e “sonystas” resulte em incêndios visíveis da Lua, pessoas chateadas nas redes sociais, com discursos tóxicos, memes podres e podcasts de Michael Patchers da vida que leram que aquele jogo com um bug era a pior coisa de sempre e não merecia nada.

É contra este ambiente de mal-estar que alerto, ou melhor, que desabafo. E que a ti, leitor, amigo, colega, que acredito que tem dois dedinhos de testa, confio a difícil tarefa de celebrar. De partilhar o melhor que jogaram sem questionar a experiência do outro, de não ficar com aquele vazio porque jogo X ou Y moveu massas, de não questionar a validade do evento que não resolve nenhum dos teus problemas pessoais. Até porque no fim do dia, encontrar alguém com uma experiência pessoal e tão única como a tua, pode ser o início de uma bela amizade.

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