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Halo: 20 anos depois

Uma celebração dos primeiros vinte anos de Halo e da marca Xbox.

Não me recordo do momento em que descobri Halo. Não sei se foi na escola, se no Templo dos Jogos ou numa das inúmeras revistas que comprei na época. Até certo ponto, parece que conheço o nome “Halo” desde que me lembro, como se se tivesse infiltrado na minha vida como um parasita, apoderando-se e moldando as minhas memórias. Mas é este o seu poder. Halo é uma franquia tão poderosa e importante na indústria que já não conseguimos imaginar o mundo dos videojogos sem John-117.

No entanto, lembro-me bem da primeira vez que senti vontade em jogar Halo. Não é nenhum segredo que fui, durante demasiados anos, um fã acérrimo da Sony e da PlayStation. Esta mentalidade de adolescente levou-me a fechar os olhos às suas rivais, especialmente quando se tratavam de videojogos que pudessem ultrapassar a popularidade das minhas consolas de eleição. Porém, a minha armadura de fã tinha uma enorme falha: a curiosidade. Apesar de querer fechar-me na pequenez da minha mentalidade de marcas, a curiosidade pedia-me para explorar e conhecer mais. E se desejava ter uma Gamecube, começava a não conseguir esconder a vontade que tinha em jogar Halo.

A curiosidade contra-atacou quando um dos meus melhores amigos conseguiu comprar a versão PC. A sua descrição do jogo, de algo que nunca tinha visto antes — de cenários expansivos, cores fortes, combates frenéticos —, ficou comigo. Para o meu amigo, que cresceu com as consolas, aquela experiência estava destinada a ser inesquecível. Posso até confirmar que basta falar em Halo para ele se recordar daquele dia em 2002/2003, onde se fechou no quarto e só saiu quando terminou a campanha. Não consegui ficar indiferente, mas adquirir uma Xbox estava fora de questão. O meu PC ainda estava a anos de ser materializado e só me restava recalcar esta vontade em experimentar aquele que seria um símbolo de poder para a marca Xbox.

A minha oportunidade chegou em 2008, pós-faculdade. Com o primeiro emprego garantido, despertei a veia de colecionador que sempre esteve adormecida dentro de mim e a Xbox original foi uma das primeiras consolas que quis comprar. Não podia estrear a consola sem alguns dos seus exclusivos e em pouco tempo consegui adquirir o primeiro Halo. Finalmente! Ali estava ele, nas minhas mãos! Apesar de já não ser dado às guerras de consolas, admito que o Canelo de 21 anos ainda desconfiou da qualidade de Halo, agora sete anos mais velho, como se quisesse contestar que não era “assim tão bom como diziam”. Quando estes pensamentos intrusivos surgiam, pensava sempre na experiência do meu amigo, também ele fã da PlayStation, mas totalmente rendido a Halo.

Coloquei o jogo na consola e acompanhei a demanda de Master Chief ao longo de várias horas. Não queria acreditar no quão estava a adorar o jogo. O ritmo dos combates, a variedade de armas, a história emergente e a expansividade dos cenários apanharam-me de surpresa. Estava a assistir ao poderio da Xbox, sete anos depois, naquele que é o seu título mais importante: e não fiquei dececionado. Não apreciei tanto a linearidade dos últimos níveis, mas recordo-me de ficar rendido à experiência Halo, ao ponto de querer repetir a campanha. A minha vontade era adquirir Halo 2 o mais rapidamente possível e continuar a aventura, mas daria o salto para a sétima geração em breve e esta pequena viagem pelo passado iria chegar a um interregno inesperado.

O meu reencontro com Halo só aconteceria anos depois. Com uma Xbox 360, a meses de cair no infame RROD, consegui recuperar o tempo perdido, mas da pior forma possível. Não consegui comprar Halo 2 ou Halo 3 antes da consola explodir nas minhas mãos, mas consegui, no entanto, terminar Halo Reach. O último título da Bungie, antes da chegada da 343 Industries, entrou na minha vida por um motivo muito simples: encontrei-o a um preço que não podia recusar. Como se tratava de uma prequela, pensei, inocentemente, que não faria nenhum mal recomeçar por ali. Até certo ponto, estava correto. Foi refrescante reencontrar a série e Reach apresentou-me uma experiência muito sólida, agora sob o poder da sétima geração, mas rapidamente apercebi-me que faltava algo. Não senti a emoção que encontrei no primeiro jogo. O final é muito marcante, mas conseguia ver algum cansaço na sua forma, como se ambos os jogos construíssem um círculo onde existiu pouca inovação.

Esta conclusão foi contestada anos antes, já na Xbox One. Com o Xbox Game Pass, pude finalmente experienciar a série na totalidade e colmatar o salto que dei anos antes. Comecei por Halo 2, como deveria ter feito na Xbox, mas senti-me desapontado. A primeira sequela não é, de todo, para mim. Não gostei da linearidade, da troca entre personagens e muito menos da dificuldade pouco equilibrada da campanha. É uma visão muito subjetiva, sublinho, mas que não consigo afastar. Estava a começar a acreditar que Halo não era para mim, faltava algo. Agora temos a reviravolta. A magia da série regressou com Halo 3. Ali estava a fórmula a funcionar. Um jogo quase perfeito. O cansaço de Reach estava agora explicado: o que fazer a seguir a um final como Halo 3? A campanha é muito mais equilibrada, os mapas refletem tanto o design do primeiro, como do segundo jogo e a história apresenta-se num crescendo muito satisfatório que culmina numa missão final onde é impossível não nos levantarmos da cadeira em puro êxtase. Halo 3 foi um fenómeno. O mundo parou durante o seu lançamento e recordo-me muito bem de sentir inveja daqueles que já tinham uma Xbox 360. Foi o jogo que cimentou o nome Xbox no mundo e não existem dúvidas de que é o meu título favorito da saga.

A minha viagem continuou em Halo 4, agora acompanhado pelo David, e não fiquei totalmente fascinado. Adoro o aspeto visual e achei a narrativa intrigante, especialmente quando a série podia ter terminado em Halo 3, mas parece que faltava algo a este início de trilogia. Voltei atrás e experimentei ODST, que gostei muito. Ali estava a alma da série a chamar novamente por mim. Um capítulo mais íntimo, mas muito bem construído em ritmo e ambiente. Uma expansão obrigatória. Os problemas regressaram com Halo 5: Guardians. Infelizmente tenho de seguir a opinião geral e determinar que este é o pior título da série: ainda mais do que Halo 2. A jogabilidade foi modernizada, existem algumas novas opções de combate, mas parece que a 343 Industries decidiu adicionar mecânicas sem as deixar crescer na campanha. É um jogo muito pensado para o modo online e, em retrospetiva, sofre dos mesmos problemas de Call of Duty: Vanguard, onde as ideias estão lá, mas sem a sensatez para as unir.

O futuro chega no início de dezembro, com Halo Infinite a prometer ser um marco na história da série. Para trás ficaram as campanhas lineares, com a 343 Industries a abraçar uma estrutura mais aberta e assente nos conteúdos secundários. É uma mudança arrojada, mas que segue a mesma evolução de Gears of War, também endoutrinado aos mundos abertos, onde existe uma vontade em sentir tendências atuais. Mas ao contrário de Gears of War, Halo sempre esteve próximo deste modelo através dos seus cenários expansivos e exploráveis. Em conversa com o David, após a revelação de Halo Infinite em 2020, este disse-me que estávamos a ver um regresso à alma da série em todos os sentidos e consigo sentir isso. Vinte anos depois, Halo continua a ser um fenómeno, mas esta será a primeira vez que acompanho e jogo um novo capítulo da saga durante o seu lançamento. Vou poder experimentar, como vocês, Halo Infinite em todo o seu esplendor e só peço uma coisa: que a série ainda me consiga surpreender. Como a vida muda em 20 anos. Ainda dizem que não existe humor. Parabéns, Xbox e Halo!

P.S. – O modo multijogador já se encontra disponível para PC e consolas Xbox. Por isso, vemo-nos online!

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