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Ghost of Tsushima: Director’s Cut | GLITCH REVIEW

O regresso a Tsushima é pontuado por algumas novidades que enaltecem a experiência deste exclusivo da Sony. O problema mantém-se na mediocridade da jogabilidade.

Não é a minha opinião que procuram sobre Ghost of Tsushima e a sua nova expansão Iki Island. Talvez pensem que sim, mas estão enganados. É contraproducente iniciar a minha análise com tanta honestidade, mas quero deixar claro que não sou o maior fã do novo jogo da Sucker Punch. Não apreciei a viagem de Jin Sakai, não joguei com o filtro de Akira Kurosawa e a repetição das missões e conteúdos adicionais denegriram o que considero ser um sistema de combate interessante e com alguma profundidade. Esta foi a minha experiência com a campanha principal, este marasmo de boas ideias e de uma repetição dolorosa e imparável. Iki Island muda de cenário, mas os sistemas mantêm-se iguais. É mais do mesmo. Bom para vocês, mau para mim.

A nova expansão não é a única novidade deste relançamento de Ghost of Tsushima, um ano depois da sua estreia na PS4, e devo admitir que as melhorias de desempenho e o suporte para DualSense, já na versão PS5, são os grandes destaques para mim. Os tempos de espera terminaram e saltar de um ponto do mapa para outro, seja na ilha de Tsushima ou de Iki, acontece em microssegundos, cortando grande parte da gordura que tinha, na minha opinião, prejudicado a minha experiência com o jogo original. Não é um novo jogo e não existe um primor visual, mas a beleza natural de Ghost of Tsushima reluz com a passagem para a PS5 e num desempenho que mantém a ação nuns sólidos 60fps. Não pude experimentar em 4K, mas acredito que a minha opinião não mudasse em relação ao jogo: um festim visual envolto numa jogabilidade aborrecida.

O DualSense continua a demonstrar o seu valor através dos exclusivos da Sony e torna-se uma vez mais em parte integrante da experiência ao salientar as ações de Jin. Com os sensores hápticos, sentimos a resistência do arco, o puxar da corda e a vibração da seta que se solta no momento de tensão. O painel tátil é muito mais fácil de utilizar e responsivo, mas é a experiência sensorial que dá uma nova vida a Ghost of Tsushima, permitindo-nos sentir, mais uma vez, a colisão de espadas, mas também os passos de Jin, a chuva — com Iki a ser uma ilha mais húmida e propicia a tempestades —, o raspar pelas paredes, entre outros. É mais um exemplo do potencial do DualSense, até mesmo em jogos da geração passada, conseguindo dar à experiência de jogo uma maior tactilidade.

Mas Iki Island é a novidades que muitos de vocês procuram e é aqui que vamos poder revisitar a ilha através dos olhos de Jin, vários anos após a morte do seu pai. Ao contrário de Tsushima, Iki fugiu ao controlo dos samurais e é liderada por bandidos e criminosos, cujo ódio pelo Clã Sakai leva Jin esconder a sua identidade enquanto tenta parar novamente a invasão mongol, desta vez sob o comando de Ankhsar Khatun, ou a Águia, uma nova comandante e xamã que dá à expansão o seu coração: a possibilidade de conhecermos melhor a estória de Jin e do seu pai, Kazumasa. Através das suas poções e magias negras, a comandante leva Jin numa viagem pessoal, confrontando-o com as suas decisões e mágoas passadas, deixando o Fantasma de Tsushima uma vez mais dividido entre o seu dever e as suas demandas pessoais. Com a expansão, revisitamos este cenário que tanto marcou o protagonista e foi aqui que finalmente percebi melhor Jin enquanto personagem, ainda que o ritmo das missões, a exposição da narrativa e a cadência dos diálogos continuem a prejudicar um ritmo que devia ser mais lento e íntimo de um protagonista marcado pelo seu passado. Mas Ghost of Tsushima recusa-se a mudar. Talvez não tenha de o fazer, mas é frustrante ver o potencial a ser direcionado para as mesmas falhas do título original.

A beleza natural das ilhas de Tsushima e Iki continuam a deslumbrar e a dar origem a fotografias incríveis, como esta do nosso David.

Se colocarmos a narrativa de parte, Iki Island parece ter sido retirado diretamente da campanha principal, adicionando apenas algumas novidades — como novas ferramentas e a possibilidade de atacarmos inimigos com o nosso cavalo — e mudando ligeiramente outros pormenores para regurgitar a mesma experiência que tivemos em 2020. É isso que se pede de uma exposição, mais do mesmo, mas com algumas novidades. E se é esse o caso, o que me leva a ser tão duro com Ghost of Tsushima e a sua expansão? Como disse anteriormente, o potencial do jogo. O sistema de combate continua a ser empolgante e os novos inimigos, como os xamãs — que motivam os seus companheiros a serem mais agressivos em combate — e os guerreiros que utilizam mais do que uma arma — o que nos obrigam a mudar de postura regularmente –adicionam alguma variedade ao combate. O sistema furtivo continua a funcionar e os cenários complementam sempre esta vertente mais tática e longe da ação, mas a estrutura é a mesma. Não houve uma melhoria acentuada em nada. E se, como eu, não apreciaram a campanha original, esta expansão é apenas uma dor de cabeça disfarçada, onde em vez de encontrarem tocas de raposas têm a possibilidade de encantar gatos e macacos com os vossos dotes musicais.

Ghost of Tsushima: Director’s Cut é uma excelente porta de entrada para quem não jogou a versão original e é um pacote bastante completo que conta com algumas novidades, a expansão Iki Island e novas missões para o modo Legends que deixarão os fãs certamente satisfeitos. É o melhor de dois mundos. No entanto, se não gostaram de Ghost of Tsushima, não será a reedição a mudar a vossa opinião. Os tempos de carregamento foram eliminados, o desempenho é ainda mais sólido e o DualSense, na versão PS5, faz toda a diferença, mas, no final do dia, continua a ser o mesmo jogo cansativo com as mesmas missões secundárias e o mesmo ritmo narrativo que nos cansou na versão original. Nem mais, nem menos. É difícil criticar a quantidade de conteúdos que inclui e negligenciar o carinho da Sucker Punch e da Sony pela nova franquia. Há muito amor aqui e é isso que devem reter como fãs de Ghost of Tsushima, não tanto a minha opinião: eu avisei-vos. Mas se quiserem uma crítica mais mordaz, relembro que o jogo tem um sistema de upgrade horrível entre versões que deve ser, o quanto antes, eliminado pela Sony para futuros lançamentos. E é assim.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código foi cedido pela PlayStation Portugal.

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