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Ratchet & Clank: Rift Apart | GLITCH REVIEW

Não existem dimensões alternativas onde a nova aventura de Ratchet e Clank seja menos que incrível.

Quatro anos depois de uma hibernação causada por um remake pouco original, que sofreu devido às suas ligações à estreia da série no cinema, a dupla Ratchet e Clank está de regresso num jogo que transcende dimensões e onde a Insomniac conseguiu criar mais um triunfo para a marca PlayStation.

Ratchet & Clank: Rift Apart surge alguns meses depois do inicialmente prometido, falhando o lançamento da consola da Sony no mercado, mas sem perder o ímpeto da dupla e da antecipação dos fãs da série. De facto, Rift Apart surge exatamente a meio de 2021 e depois do lançamento estrondoso de Returnal, elevando a fasquia da marca para mais um exclusivo repleto do ADN da Insomniac. No entanto, não é a estreia da produtora na nova geração, visto que conseguiu lançar não um, não dois, mas sim três jogos no espaço de seis meses – isto, claro, se contarmos a remasterização de Marvel’s Spider-Man, que criou a fundação do belíssimo motor de jogo que dá vida a esta nova aventura interplanetária.

Escusado será dizer que estamos perante um jogo belíssimo e extremamente bem optimizado para a nova consola da Sony, que tira partido das suas capacidades aumentadas, com alta definição, níveis densos, coloridos e dinâmicos, tempos de carregamento quase inexistentes, iluminações realistas, objetos e personagens imensamente detalhadas e um design sonoro de ir às lágrimas. Ingredientes que tornam Ratchet & Clank: Rift Apart um produto mais próximo de um filme de CGI (tão semelhante como até superior à sua adaptação cinematográfica), do que propriamente um videojogo.

Estes são também detalhes que permitem que Ratchet & Clank: Rift Apart explore de pulmão bem cheio a sua identidade, com a Insomniac Games a apostar na incrível direção de arte que poliu jogo após jogo, mas revelando aqui o seu verdadeiro potencial ao adotar um lado tão próximo de um desenho animado, como de um certo hiper-realismo sem paralelo.

Junto com a direção de arte temos também um enorme foco na direção cinemática, num jogo onde podemos sentir a evolução e a sensibilidade apurada dos estúdios recém-adquiridos pela Sony. É um jogo constante entre trechos de jogabilidade épicos, emocionantes e tão ou mais elaborados do que os exclusivos PlayStation nos têm trazido, com valores de produção à altura e que, em retrospetiva, diferem de tudo o que os jogos anteriores da série fizeram, especialmente na escala de eventos isolados que revelam que sim, estamos mesmo noutra geração de videojogos. No entanto, mesmo perante este novo estilo e poderio gráfico, Rift Apart não perdeu um pingo da sua criatividade e alma. Mantém-se como um Ratchet & Clank puro e duro, seja na utilização do seu humor (entre sensibilidades mais adultas e piadas físicas), na estrutura dos níveis e até no equilíbrio entre secções de plataformas e a presença sempre divertida de um armamento complexo.

A sua vertente de plataformas não necessitou de grandes alterações para se manter fresca, uma fórmula que a Insomniac teimar em acertar há quase 20 anos. Apesar das novidades serem limitadas, focando-se quase exclusivamente na viagem entre dimensões, a jogabilidade está tão limada e equilibrada que parece que estamos a entrar num jogo totalmente novo e sem o legado da série. Talvez seja mais eficaz para nós, que somos fãs da saga, mas está tudo no seu lugar e os tempos de resposta são perfeitos para as suas mecânicas, como os ganchos para balançar, literais plataformas para saltar, paredes para correr, etc. Por fim, temos a expansividade dos portais interdimensionais que adicionam uma camada estratégica e de locomoção em exploração e combate.

Por falar no combate, este é provavelmente o maior foco de Ratchet & Clank, uma série que é reconhecida pela criatividade do arsenal do nosso Lombax favorito. Temos armas conhecidas, outras novas e uma ou outra surpresa, mas apesar da diferença das armas, a criatividade em oferecer algo novo a cada nova ronda não se faz sentir muito. Temos lasers, projeteis, metralhadoras, pequenos assistentes, mas, ao todo, não são mais que variações de armas já conhecemos, oferecendo eventualmente uma vantagem sob a enorme variedade de inimigos que encontramos ao longo da nossa aventura.

Ratchet & Clank: Rift Apart é uma delícia caótica, com hordas de inimigos no ecrã, extremamente dinâmicos e variados, que nos obrigam a estar em constante movimento e em interação com os mesmos e com o mundo. Quando as batalhas começam não há momento para pausas. Graças aos avanços ao nível de animações, desempenho técnico e a todas as habilidades aqui disponíveis – como o desvio, as botas de deslize ou os portais –, o novo jogo da Insomniac Games é extremamente fluido, rápido e divertido de se jogar, elevando assim a campanha a um verdadeiro título de ação. Comparado ao título anterior é pura noite e dia, com o novo a ser devidamente refrescante e mais viciante.

O DualSense volta a desempenhar um papel importante no que toca à imersão e interação com o jogo. Temos feedback háptico, que nos deixa sentir todos os passos, tiros e explosões; temos os gatilhos que permitem desbloquear até usos secundários de algumas armas; e a fantástica saída sonora que dá aquele toquezinho extra aos impactos e sons futuristas do jogo.

A nível de história, a Insomniac Games dá aqui também algumas cartas que refletem bem a sua experiência na série Marvel’s Spider-Man, equilibrando o tom entre o divertido e o dramático. Não há drama em Ratchet & Clank: Rift Apart, mas há muita emoção graças aos dilemas pessoais das personagens que nos acompanham e os amigos que fazem pelo caminho. A produtora, com tudo o que podia fazer com o jogo, adotou o lema “tratar o material com seriedade em vez de o tornar sério” e oferece-nos aqui uma história muito direta ao assunto, sem rodeios, cheio de personagens adoráveis, caras conhecidas e temas fáceis de entender pelo seu público alvo: os mais novos. No fundo, é uma aventura inesquecível.

Em Ratchet & Clank: Rift Apart somos introduzidos a uma nova personagem, uma Lombax, chamada Rivet, de uma dimensão onde o seu Dr. Nefarious é um imperador. O contacto entre os dois heróis titulares e as versões alternativas de personagens que já conhecemos abre oportunidades interessantes, seguranças e inseguranças que se desenvolvem ao longo do jogo de forma bastante cativante, especialmente quando Clank se vê separado de Ratchet e a colaborar com Rivet.

A própria progressão do jogo é aliciante e um pouco diferente dos jogos anteriores, dado que vamos controlar duas personagens. À semelhança do passado podemos escolher a ordem dos nossos objetivos, mas aqui com a agravante de quem queremos controlar a seguir, mas felizmente o jogo faz um ótimo trabalho em dividir e equilibrar o tempo de antena entre ambos. Apesar de ser possível fazermos tudo numa só partida, sentimos que Rift Apart é um dos títulos da série que mais pede por uma segunda volta, visto que podemos escolher ligeiramente uma ordem diferente dos acontecimentos: ainda que seja, no seu cerne, uma experiência sempre linear.

Não sabemos como conseguiu, mas a Insomniac Games continua a injetar vida numa série que pouco ou nada evoluiu desde a sua estreia. Isto não é uma crítica, mas sim uma carta de amor para os fãs da saga, que mesmo face aos avanços tecnológicos das consolas, continuam a viver as aventuras das personagens ao longo de quatro gerações de consolas. Ratchet & Clank: Rift Apart mantém esta alma divertida e ligeira da série intocável, consegue adicionar novos elementos e surpreender a nível visual, mas é, no final do dia, aquilo que importa ser: um novo e excelente Ratchet & Clank.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código foi cedido pela PlayStation Portugal.

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