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Mass Effect – Um regresso a casa

Está de regresso, é real, é melhor do que pedia e… e agora?

Quem me segue, quem me conhece, sabe que sou um nerd de Mass Effect. Não me considero o maior fã (não li os novels, não me interessam os animes, nem os crossovers com outros jogos), apenas um tipo que gosta mesmo muito da trilogia da Bioware. As razões fazem parte de uma lista infinita de adjetivos positivos e até negativos, que nem sequer têm uma transcrição linguística ou fonética, mas que existem aqui, no meio do meu peito e pensamentos.

Há coisa de meia década que escrevo regularmente análises de videojogos, ou para bem dizer, dou opiniões e mando bitaites sobre as minhas experiências, com a primeira aqui, no Glitch, a Quantum Break, e as mais recentes no Echo Boomer. Com Mass Effect Legendary Edition, eu teria a oportunidade de escrever muito e dizer muita coisa, mas, à semelhança do Canelo, está-me a custar transcrever para palavras esta “nova experiência”. Este é o jogo que me está a dar a tal página em branco – pelo menos numa abordagem mais objetiva e filtrada de observações tendenciosas. Por isso, desde o seu anúncio que decidi não analisar Mass Effect Legendary Edition e disse mesmo ao meu “chefe” que “preciso de férias, preciso de ‘ME Time.’”

Apesar do meu desejo em falar da série, seria (como já disse) muito tendencioso criticar ou dar uma nota no fim de uma opinião. Isto porque tenho consciência da minha visão positiva do jogo e sei que é difícil, para mim, olhar para certos problemas, sejam técnicos, de design ou narrativos e dizer “isto é mau” ou “isto não resulta muito bem”. No meu íntimo, sinto que há tanto para adorar e amar nesta ambiciosa experiência que isso sobrepõe-se a tudo. E um desses exemplos é o infame final da saga, altamente divisivo e visto como um elemento destrutivo para os jogos anteriores. Não quer dizer que não tenha críticas a fazer, mas estas seriam nitpicks e nerdices – no fundo, implicações de um fã.

É bom estar de volta.

Ao mesmo tempo – e como podem ler ao quinto parágrafo deste desabafo –, não consigo não dar uma palavrinha sobre o jogo. Ainda que não saiba muito bem o que dizer ou partilhar. O que há para dizer sobre Mass Effect em 2021 que não tenha sido já dito? O que há para desconstruir ou analisar? Que histórias pessoais tenho eu mais para contar?

A minha relação com Mass Effect não é propriamente a mais interessante ou romântica, como as que os meus colegas e amigos têm com os seus videojogos favoritos, com aventuras que começam nos seus tempos de infância ou no primeiro contacto com o meio. A minha história com Mass Effect começou com um literal “meh”, com uma desistência a meio da primeira vez que lhe dei uma oportunidade, já quase em idade adulta e com anos e anos de videojogos enquanto hobby. Mass Effect entrou na minha vida como um refúgio de uma fase um pouco mais chata a nível de sucesso académico e social. Rapidamente, tornou-se numa forma de escape, numa power fantasy com alguns dos meus elementos de ficção científica remisturados no Greatest Hits que mais facilmente coloco na minha playlist. No fundo, chegou e tornou-se apenas em algo que existe e que gosto de experienciar.

Falar em Mass Effect, hoje, para mim, não é, por exemplo, como falar num remake de um Final Fantasy VII ou num remaster como Nier Replicant, cujos lançamentos recentes foram o meu primeiro contacto com estes jogos/séries, que se tornaram numa espécie de revelação, onde encontro uma nova voz, uma nova perspetiva que se alinha ou contraria à visão e leitura de fãs já estabelecidos. Onde sinto que consigo desconstruir mecânicas e decisões de design que alteram fundamentalmente a experiência do título original. Onde há emoção e entusiasmo em dizer: “uau nunca pensei que fosse gostar disto.” Com a Legendary Edition eu já sabia que ia gostar. Os astros e os mass relays estavam todos alinhados. A viagem de Shepard e companhia a bordo da Normandy estava à minha espera como estivera na última década.

É certo que Mass Effect 1 quase parece um jogo novo, com áreas redesenhadas e quase irreconhecíveis que deixam pouco para a nossa imaginação, como os corredores cinzentos e claustrofóbicos de Feros, que agora se apresentam com uma nova paleta de cores e espaços redesenhados, ao revelar um cenário bélico de maior escala; ou Virmine, agora mais colorido em tons de verde, azul e amarelo, tons tropicais e exóticos que fazem justiça às descrições do Codex. A jogabilidade também foi alterada, é mais moderna, mais “snapy” e consequentemente torna o jogo mais “fácil”, desvirtuando os pilares de ação tática que agora só vale mesmo a pena colocar em prática nas dificuldades mais elevadas.

Uma nova atmosfera, os mesmos sentimentos.

Contudo, a essência do jogo original mantém-se, assim como os seus menus e inventário chatos, animações arcaicas e um gameplay loop a longo prazo, devido à exploração de planetas com o Mako, que fundamentalmente são o grosso da experiência do primeiro jogo e que revelam a sua verdadeira idade. O mesmo se pode dizer dos restantes jogos da série, que por serem mais recentes levaram apenas uma camada HD.

Mass Effect Legendary Edition é a mesma trilogia que sempre foi. Há melhorias aqui e ali, há até um modo fotografia que me faz perder mais tempo do que queria. Mas a sua narrativa ramificada cujas decisões e ações têm efeito ao longo dos três jogos, também se mantêm intactas. Esta história, também já todos conhecemos, todos sabemos que é das mais emocionantes e épicas dentro do seu género.

Mas isto não sou eu a queixar-me. Aliás, era isto que eu queria que Mass Effect Legendary Edition fosse. Era exatamente o que pedia. Mais uma razão para mergulhar apaixonadamente neste mundo, sem as barreiras técnicas dos jogos originais. Mass Effect Unleashed! Em todo o seu esplendor. E mais do que isso, também a oportunidade de colocar Mass Effect nas mãos dos meus amigos que não conheciam a saga e que, muito honestamente, a quem até tinha dificuldade em recomendar (em parte por causa de Mass Effect 1).

Mass Effect está de volta. Eu estou, como podem imaginar, muito contente. E se tudo correr bem, vou deixar de chatear e impingir a série a toda a gente que passa pela minha frente. Pelo menos até ao próximo capítulo. Por isso até lá, aproveitem este milagre: não é todos os dias que a Electronic Arts nos dá um remaster. Quem já conhece a saga perceberá porque é que gosto tanto dela, quem não conhece, tem aqui a oportunidade para o fazer. Agora é a vossa vez de entrar neste universo e de partilharem as vossas aventuras. Sejam bem-vindos a bordo e preparem-se para o próximo capítulo.

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