REVIEWS

Say No! More | GLITCH REVIEW

Um texto sobre a importância de dizer não ou porque não escrevemos uma análise esmiuçada a um jogo de uma hora.

Este texto não será uma análise convencional, mas uma reflexão sobre a importância de dizermos não. É importante sermos assertivos e fazer com que a nossa voz seja ouvida e, para tal, lemos livros de autoajuda, passamos horas em sessões de terapia ou procuramos ajuda no escapismo. Say No! More é um desses jogos que, embora não tenha todas as respostas milagrosas, frisa a importância de estabelecermos limites e dizer não.

É que o jogo nem faz o meu género e foi isso que disse ao Canelo, mas como pessoa que tem imensas dificuldades em dizer não, aceitei-o, falhando completamente neste teste. Mas, tal como o jogo ensina: dizer mais vezes não, não implica dizê-lo sempre, mas escolher as nossas batalhas.

Não!

Say No! More é um jogo tão simples, curtíssimo (1 hora) e flui como um desenho animado matinal. Aliás, se virem o próprio trailer do jogo é quase como se o tivessem jogado, mas há mais ali do que aparenta. Não quero utilizar a expressão crítica social, mas o jogo pica a rotina de escritório, uma que conheço bastante bem – e que me fez apreciar o teletrabalho ainda mais! Desde a introdução dos estagiários perdidos, a sede de agradar, os pedidos ridículos, as tarefas dantescas e os comentários de que devíamos ficar mais tempo para mostrar brio ou de que somos todos uma família. Está tudo ali, até a maravilhosa altura do almoço. E é aqui que os problemas começam: quando nos roubam a lancheira. E sim, também já me levaram comida…

Mas vamos retroceder um bocadito. Assim que começamos o jogo, criamos a nossa personagem e optamos por vários pacotes de vozes (e em vários idiomas), com Portugal a marcar presença duas vezes! A voz que escolhi pertence a um camarada conhecido que também escreve sobre jogos neste nosso país, o caríssimo Pedro Almeida. Agora, gostava de reconhecer a outra voz, mas não esperem muitos diálogos porque aqui só vão dizer não ou balbuciar onomatopeias, mas tenho a certeza de que as gravações foram um fartote.

Da abertura até à hora de almoço, ficamos a conhecer a hierarquia da empresa e o quão irritantes conseguem ser, tendo a lata de roubarem a nossa comida!, mas quando encontramos um walkman com uma cassete motivacional, a vida ganha um novo som e partimos em busca do almoço. Os movimentos são automáticos, com a personagem a andar sempre em frente, dizendo não ou rindo na cara de colegas e superiores; a cada capítulo, ganhamos nãos novos, outras disposições e, até, a capacidade de carregar um poderoso NÃO. Mas!, e muito importante, é preciso ouvir e escutar porque nem todas as pessoas nos vêm chatear com pedidos, algumas só querem desabafar e é fácil ignorá-las no meio de tanto caos ou também podemos dizer porque já temos os nossos problemas.

Ou aprendam uma língua diferente!

Say No! More vence porque é curto e não cansa; vence com os seus visuais coloridos e estrambólicos e vence porque é simplesmente ridículo e porque precisamos de doses de ridículo numa rotina séria, mas consegue ter preciosos momentos de sinceridade, mesmo que sejam um cliché.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (Nintendo Switch) foi cedido pela Plan of Attack.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: