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Backlog, baza

Quando a oferta é muita... pode ser demasiada areia para a nossa camioneta.

Se nasceram e cresceram ali entre os anos 80 e 90, assistiram à chegada dos PCs, da internet e dos serviços digitais que hoje damos por garantidos e das quais as gerações mais recentes simplesmente conhecem como a única realidade. Se pertencem a tal grupo, a certa altura das vossas vidas imaginaram como seria ter uma loja de brinquedos ou de doces só para vocês, para brincarem e divertirem-se à vontade, com tudo ao vosso dispor. Hoje temos quase isso, crescemos é certo, mas o entretenimento ilimitado e sem fim está ao nosso alcance e ao preço de um único LEGO/Action-Man/Barbie, que lá recebíamos uma vez por ano, no Natal ou no Aniversário.

Xbox Game Pass, PS Now, uPlay+, Apple Arcade, até a Nintendo Switch Online, oferecem em entretenimento interativo, o equivalente a Spotifys e Netflixes da vida, com catálogos ridículos e cheios de valor, acessíveis até de forma instantânea, graças aos avanços do streaming. É um estranho mundo novo que muitos ainda olham para ele de forma cética, mas que tem afetado o hábito dos jogadores. O sonho da loja cheia de brinquedos nos anos 90 é real e na nossa inocência não sabíamos que se calhar até era demais.

À estúpida oferta, que tem sido a salvação de muitos durante a pandemia (com serviços como o Xbox Game Pass a aumentarem substancialmente o número de subscritores durante o período de pandemia, sem contar com a chegada da nova geração de consolas), junta-se a oportunidade de muitos de nós apostarmos em coisas que os nossos encarregados de educação não nos ofereciam ou não podiam oferecer durante o nosso crescimento: em novas consolas, acessórios, merchandising, edições de colecionador e, claro, jogos e mais jogos. Estão a ver onde quero chegar? Sim, o problema do backlog.

O maior “1st World Problem” dos tempos modernos. Demasiados jogos.

Muito brincamos com O Backlog, o acumular de experiências crescentes com conteúdos que dificilmente vamos ter tempo de explorar porque a vida assim não nos permite. O acumular de séries de filmes e de jogos que compramos. O acumular de ofertas que os serviços nos dão e o acumular de experiências vazias e rápidas porque temos medo que não possamos terminá-las durante aquele fim de semana, os dias de folga ou o período de disponibilidade antes do próximo grande lançamento.

O backlog é um ótimo desbloqueador de conversa, mas o backlog é também um problema que pode influenciar a forma como experienciamos videojogos e como gerimos o tempo de forma negativa. Pelo menos é o que sinto, por experiência (aliada ao que jogo para analisar) e pelo que amigos e colegas me contam. Então, como travar o backlog? É difícil? É. Tem solução? Tem, mas requer a quebra de hábitos, a “sangue frio” e a coragem de ser um adulto responsável. É preciso cair na real. Vamos a dicas:

Estratégia 1 – Não subscrever nada.

Numa situação normal, eu recomendaria um serviço como o Xbox Game Pass ou um PS Now aos meus amigos. Para quê pagar X por um jogo quando podemos ter vários? Apesar de nunca jogarmos tudo o que estes serviços nos dão, há sem dúvida alguma muito jogo apetecível que colocamos no nosso backlog mental, que vão ficar ali a remoer e que vão afetar a nossa decisão assim que pegamos no comando. O zapping eterno até nos apercebermos que não temos vontade ou energia para jogar aquilo que no “outro dia” tínhamos tanta pica. Quantas vezes não se passa um ou dois meses em que só pegam num jogo que podiam muito bem ter comprado bem mais barato numa promoção? Quantas vezes não voltam ao vosso Skyrim ou Mass Effect em vez de jogarem algo novo? Pois bem, se calhar não precisam das subscrições.

Estratégia 2 – Não comprem jogos.

É simples, não é? É um ponto contraditório à primeira estratégia, onde aqui proponho, sim senhor, a subscrição, mas apenas nessa condição. Eventualmente eles ficam disponíveis e comprar um jogo apenas vos dá um sentimento de pertença oco e vazio, especialmente se não arranjarem tempo para lhe pegar. Se é vossa intenção jogar muito um jogo que estão dispostos a comprar hoje, quando chegar à vossa subscrição preferida, certamente que o vão morder logo. Se não, nunca o quiseram em primeiro lugar. Não precisam do jogo. Não encham o vosso backlog.

Estratégia 3 – Pensem menos em jogos.

Hipócrita? Talvez. Mas quanto mais os jogos saírem da vossa mente, menor é o desejo de acumularem experiências virtuais. Definam bem os vossos gostos, distraiam-se com outras coisas, sejam seletivos e façam uma curadoria do que querem mesmo jogar. Deem numa de Marie Kondo e simplifiquem. Limpem as vossas prateleiras, deixem apenas o essencial e desfrutem ao máximo do pouco que têm. Até porque há vantagens! Tal como antigamente, com pouco acesso, cada jogo e cada experiência serão únicos, valerão todos os cêntimos que pagarão por eles e mais alguns e serão, de certeza, os mais marcantes.

Estratégia 4 – Não joguem.

Têm a certeza que gostam de jogar? É uma pergunta legitima, porque às vezes tenho a impressão que muita gente na comunidade não gosta de jogar e depois usa o argumento do “eu já joguei muito para poder dizer que isto não presta”, mesmo que preste e que não seja do seu agrado. Este tipo de “jogador” é coincidentemente aquele que também diz que não tem tempo para X ou Y, o que leva a crer que o seu backlog é mesmo longo. Por isso, é simples: não joguem.

Há muitas formas diferentes de continuar na comunidade, lendo, discutindo novidades, criando arte inspirada em videojogos. Há até quem jogue por nós e transmita para vermos em direto na internet. Não precisamos, por vezes, de jogar para ter a experiência completa, como daquela vez em que fiz o download de todas as cinemáticas de Metal Gear Solid 4 (pré-YouTube). Guess what? Menos um jogo no meu backlog.

Estratégia 5 – Ignorem-me.

Quem sou eu para definir regras? Especialmente quando faço parte do problema e até o alimento? A verdade é que a melhor maneira de lidar com backlog só a nós diz-nos respeito. Há quem tenha prazer e gosto em acumular, há quem tenha legitimamente tempo e vontade para petiscar tudo. O tempo é vosso, os jogos também, há de tudo para todos os gostos e vocês conhecem-se melhor do que ninguém para saber onde começar e acabar a lista.

Mas, se tiverem problemas em lidar com os objetivos estabelecidos, espero que, no mínimo, estas “estratégias” tenham ajudado.

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