ESPECIAIS

Os Melhores de 2020 – GLITCH EFFECT

Em ano de pandemia, os videojogos esmeraram-se e trouxeram alguns dos melhores lançamentos da geração.

E aqui estamos nós: o último dia de 2020. Para trás, ficaram doze meses de tragédias, desastres naturais e de uma pandemia que nos obrigou a mudar para sempre os nossos hábitos diários. Não foi fácil, mas como diz o vosso amigo engraçado no Twitter e Facebook, “ao menos sobrevivemos”. O que não parou, no entanto, foi a indústria dos videojogos e 2020 revelou ser um excelente final para a oitava geração de consolas com alguns dos melhores títulos dos últimos anos a chegarem à PlayStation 4 e Xbox One, juntamente com grandes estreias no PC e Nintendo Switch. Vimos também o lançamento das tão aguardadas consolas e de um verdadeiro recomeço para a indústria, tal como um aumento na produção nacional a todos os níveis – basta olharem para as nossas análises.

Aproveito para relembrar que ainda não tenho nenhuma das novas consolas.

Mas deixemo-nos de tretas e vamos ao que interessa. A equipa do costume juntou-se para delinear os melhores dos melhores, as cerejas no topo do bolo a que chamamos vida, e apresentamos três listas para se deliciarem. Desta forma, despeço-me em nome da equipa do GLITCH EFFECT e agradeço-vos o apoio ao longo de 2020, que se revelou como o melhor de sempre para nós. Que venha 2021!

Vanessa

O meu top de jogos do ano é, como de costume, muito pessoal e reflete muito pouco o estado da indústria. Não joguei muitos jogos novos em 2020 – talvez a maior falha seja mesmo o The Last of Us Part II, que planeio jogar em 2021. Mas havia uma escolha para fazer, em conjunto com os restantes Glitchers e, por isso, cá estamos.

Nota do editor: a Vanessa não foi obrigada a redigir este texto e o tom dela é de total cavaqueira. Se deixarem de ouvir falar na Vanessa por uns tempos, é pura coincidência.

5. Fallout 4

Quase que luto comigo enquanto escrevo este parágrafo e coloco Fallout 4 no meu top de jogos do ano. Apesar de não gostar do jogo, a verdade é que, em 2020, ainda passei largas horas no mundo do mais recente membro da série.

Talvez o ponto mais alto desta experiência tenha sido mesmo descobrir a comunidade incrível que existe no mundo de Fallout 4. Fãs hardcore, OG’s, que se mantém fiéis à série (mesmo quando tudo parece ter desmoronado). Total solidariedade com os jogadores com níveis mais baixos, zero toxicidade e muita entreajuda, na maior parte dos casos, sem sequer serem trocadas palavras. Tenho saudades de um Fallout à antiga.

4. Tell Me Why

Seria impossível não colocar Tell Me Why neste top, especialmente porque se trata de um jogo cuja narrativa teve a coragem de quebrar a norma e de nos trazer personagens, eventos e temáticas cujo diálogo é necessário.

Tell Me Why é um jogo sobre o que é viver, com todas as imperfeições que isso acarreta. Um título consciente, que aborda questões relevantes, de forma madura e responsável. Uma narrativa sobre como é possível atingir a bonança emocional depois da tempestade, continuar a viver e a descobrir-nos a nós mesmos. Jogo que amplia o papel dos videojogos como ferramentas interativas de consciencialização, educação e representatividade.

3. Into a Dream

Em 2020, a tendência de normalizar a conversa sobre saúde mental continuou forte e isso sentiu-se nos videojogos, incluindo no panorama nacional.

Into a Dream é um projeto de amor, criado por um português que decidiu arriscar tudo para contar esta história sobre depressão. Este jogo indie é uma experiência ímpar, muito emocional e que, para mim e por tocar na temática da morte, serviu quase como uma catarse. Um título, na minha opinião, obrigatório, com uma banda sonora incrível e uma narrativa complexa que todos deveriam descobrir.

2. FiveM

O derradeiro palco. O local onde se pode contar a história que se quiser. É assim FiveM, o modo que utiliza o mapa de GTA Online, em servidores dedicados, para criar uma Los Santos deserta que é povoada por roleplayers criativos que inventam narrativas para personagens ímpares.

Vivam o vosso sonho de ver “o tipo que estava parado no meio da rua com ketchup na camisola”.

Em 2020, dei asas à imaginação e contei a história de uma stripper que também é professora de Yoga e meditação e a história de uma velhota que fugiu do lar onde vivia quando descobriram que geria uma rede ilegal de Bingo.

Em 2021, o céu é o limite.

1. The Elder Scrolls V: Skyrim

O meu jogo do ano, como nos anos anteriores, continua a ser Skyrim. Em 2020, depois de o ter jogado mais horas do que me orgulho, redescobri o título da Bethesda, mas desta vez com mods, e foi incrível. Jogar Skyrim é sempre como voltar a casa, mas, desta vez, a casa estava renovada e pude perceber, finalmente, o poder da comunidade modder deste RPG.

Foi também este ano que usei Skyrim para criar a “Distant Horizon Series” que pretendeu trazer serenidade em plena pandemia: uma série de GIFs zen cujo objetivo era ajudar-nos a viajar, sem sair do lugar, para outra realidade… menos confinada.

David

2020 foi um ano e peras, mas alguns dos jogos que mais queria, foram adiados para o futuro, deixando-me levar por surpresas. Por isso, antes de começar, quatro dos meus cinco escolhidos foram surpresa e o que mais antecipava é, no mínimo, polémico.

5. Cyberpunk 2077

Eu sei, já devem estar de forquilhas nas mãos a condenar a CDPR. Bem, eu também condeno. Mentir/ocultar é feio e o jogo podia muito bem, contra os nossos desejos, ser adiado. Mas está cá fora e, acreditem ou não, completo e jogável do início ao fim. Tive a sorte de o jogar em plataformas onde o jogo se comporta de forma exemplar e tive também a sorte de não encontrar bugs e glitches que me quebrassem o jogo, dando-me uma experiência bastante normal e expectável do que seria de esperar num jogo deste calibre.

Pois bem, com muitos defeitos ao nível de design e quality of life features, Cyberpunk 2077 enche-me de satisfação em oferecer parte da experiência que queria. A direção artística retro-futurista altamente inspirada no futuro dos anos 80 é brilhante. Quando quer, o jogo é belo, quando quer também é aterrorizante, uma mescla de ideias conceitos e referências pop-culture empilhadas e estruturadas para nos oferecer uma jornada free form, onde são as nossas escolhas em fazer os desafios propostos que aumentam ou diminuem a longevidade da nossa aventura e que podem limitar ou expandir as escolhas para o seu final.

Não chega a cumprir a ambição que a CDPR tanto apregoou e acaba por ser um RPG ok, mas de altíssima qualidade, com uma jogabilidade na primeira pessoa viciante, misturando elementos de DOOM, Mass Effect, Deus EX e Bioshosk, com muito do ADN de The Witcher III, onde se destacam as side-missions incríveis, as personagens apaixonantes e os segredos fantásticos, e uma história sólida, cativante que é também inesperadamente emocional.

Tal como The Last of Us Part II, não larguei Cyberpunk 2077 durante as últimas horas da minha jornada, que já somava 90, e explorei todos os finais possíveis. O resultado é que tudo o que achava de menos bom no jogo, simplesmente desapareceu e é por isso que o coloco entre os meus melhores do ano.

4. Tony Hawk’s Pro Skater 1+2

Não me vou alongar muito com este porque é quase óbvia a razão pelo qual o coloquei aqui. Tinha para aí 12 anos quando queria jogos de arcada que me divertissem e THPS1 e 2 eram o meu passatempo favorito. Em particular o segundo. Era o jogo de arcada perfeito, lançado na altura certa, com o tom e ambiência certa. Um remake/remaster de um jogo destes, um pouco como o de Final Fantasy VII, acarreta muitas responsabilidades. Além de terem que manter a essência dos originais, têm que sair BOM. E surpreendentemente foi isso que aconteceu.

Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 é outro exemplo de remake perfeito. Uma mixtape nostálgica de níveis, skaters e, claro, músicas da altura com alguns bangers contemporâneos, que dão uma cara lavada ao clássico, mantendo-o autêntico, fresco e original. Revisitar Hangar, School 2 ou Marseille (da demo do 2) e começar a fazer combos, tal e qual como me lembrava, foi uma experiência fenomenal, que não me fez largar o comando até conseguir preencher as stats do meu Skater ao máximo.

3. Ori and the Will of the Wisps

Mais uma sequela de uma primeira entrada que me disse pouco. Na verdade, fui incapaz de terminar o primeiro jogo e tão pouco tenho vontade de o fazer. Não consigo explicar bem porquê nem tenho grandes argumentos de defesa para além de que me aborreceu. Já a sequela, tal como The Last of Us Part II, rebentou-me a pipoca, tanto a nível visual, áudio, estrutura e, claro, jogabilidade. Tenho pena que Ori and the Will of the Wisps tenha tido um lançamento envolto em alguns problemas técnicos que o impediram de atingir a perfeição que hoje é, mas, ainda assim, que jornada emocional.

Eu sou um tipo simples, se choro é bom, é sinal que mexeu comigo e Ori and the Will of the Wisps fez isso mais do que uma vez. Não só pelos eventos-chave do jogo, mas pelo tom e pela beleza ao longo dos seus cenários que parecem telas em movimento que evocam arrepios e alimentam a nossa imaginação de maneira tão imersiva que é impossível não ficar encantado. E claro, este também é um daqueles casos em que a banda sonora destrói as nossas emoções, com temas de Gareth Coker, do qual mal posso esperar por ouvir mais em Halo Infinite. Loucura.

2. Final Fantasy VII Remake

Antes deste remake, o meu primeiro e único contacto com a colossal antologia de JRPGs, da Square-Enix, foi com… The Spirts Within. Brinco, foi com Final Fantasy XV. Um jogo que ,até para mim, foi inesperado de diferentes maneiras. Mas Final Fantasy sempre andou de alguma forma presente na minha vida. Contudo, não tanto como gostava, por ter tido uma infância e juventude bem mais afastada dos videojogos do que a maioria dos meus colegas e amigos. Por isso, Final Fantasy VII era aquela miúda que eu via ao longe, achava gira e interessante, mas que como sentia que era demasiada areia na camioneta, nunca tive coragem de dizer-lhe pelo menos um “Olá.”

Agora em adulto, apaixonei-me por Final Fantasy VII e a culpa é o seu Remake, do qual estou ainda muito apaixonado e à espera da sua continuação. É O Final Fantasy que eu imaginava e queria quando o mirava ao longe. A jogabilidade por turnos foi atirada pela janela fora, é visualmente incrível, muito mais linear e focado do que esperava, tem um tom muito mais ocidental do que imaginava e, holy shit, eu adoro todas estas pessoas bonitas no jogo e quero tê-las mais vezes ao meu lado. 30-40 horas após concluir o Remake, pedi o puf ao Canelo e nele ganhei coragem e atirei-me ao original (HD, na verdade) e foi incrível como todos os meus receios em entrar no jogo simplesmente desapareceram. Foi como ir ler o livro depois do filme e descobrir mais sobre o mundo, personagens, conflitos e reviravoltas e estou incrivelmente grato pelo Remake.

Se há razões para a existência de Remakes, o de Final Fantasy VII, mesmo estando “incompleto”, é A razão.

1. The Last of Us Part II

Vamos terminar no mais óbvio, The Last of Us Part II. Gosto muito do primeiro jogo, muito pelo lado emocional da sua história e pela relação entre as personagens. No entanto, não gritava elogios ao ar como 99% dos jogadores, pois ainda hoje acho o jogo pouco substancial, janky na jogabilidade e, honestamente, mesmo na sua versão da PS3, não o achava visualmente interessante. Ah! E é mais uma história de zombies pós-apocalíptica.

Tinha hype para The Last of Us Part II? Algum, mas mais por osmose da antecipação pela comunidade. De alguma forma, correu bem, pois escapei aos spoilers, estive pouco atento aos leaks e o que encontrei foi um jogo absolutamente incrível. A missão das personagens, o desenvolvimento da história, as bolas curvas que nos mandam, a tensão dos encontros e a banda sonora de Gustavo Santaolalla, mas em particular os temas de Mac Quayle, deixaram-me on the edge durante toda a jornada de Ellie e companhia. Juntamente com uma jogabilidade perfeita, que mistura ação rápida, timing, ação furtiva, com algumas das melhores animações e visuais da atualidade (já com a nova geração de consolas) foi, para mim, difícil encontrar defeitos em todas as suas camadas.

The Last of Us Part II fez ainda o que poucos jogos me fizeram, com as suas últimas horas a não me deixarem largar o comando, fazendo quase direta noite dentro e não me deixando dormir durante os próximos dias. É magnífico, impactante e um soco no estômago impossível de ignorar. Agora, não é que precise, mas um patchzinho para a PlayStation 5 vinha mesmo a calhar.

Canelo

Bem, 2020 foi um ano. A nível pessoal, foi uma viagem positiva pelo mundo dos videojogos e da escrita para cinema, onde surgiram novas oportunidades que me rechearam o ano com boas novidades e surpresas. Nos videojogos, os presentes foram quase tão bons e sinto que a oitava geração teve o desfecho que merecia. Escaparam-me alguns jogos – estou a olhar para ti, Ghost of Tsushima – e queria ter incluído muitos mais, mas aqui ficam as minhas cinco escolhas.

5. DOOM Eternal

A minha lista não é a mais original, admito. Não tenho jogos menos conhecidos, gemas desconhecidas ou projetos desafiantes a todos os níveis. Em 2020, dei destaque às emoções, à diversão e ao meu envolvimento com cada jogo que tive o prazer de jogar e analisar, e seria impossível não falar em DOOM Eternal. Mais e melhor, assim é a sequela mais ambiciosa da id Software, um poderia gráfico e mecânico que avançou o género tantos anos no futuro que duvido que a produtora alguma vez consiga suplantar este regresso de DOOM Slayer.

É um monstro diferente do seu antecessor, agora mais focado no combate em arenas e na movimentação implacável, adicionando novas armas e ferramentas que criam um enorme frenesim visual. Saltar entre a motosserra e as granadas para depois usar o lança-chamas à medida que tentamos recuperar pontos de armadura, munições e energia: é magia. A aposta numa estética mais exagerada, onde temos o regresso de vidas, assustou-me no início, mas é uma mudança tão irreverente e segura que já não consigo voltar atrás. Este é o novo DOOM, este é o futuro – e agora só temos de convencer a id a trabalhar novamente com Mick Gordon.

4. Final Fantasy VII Remake

Os meus anos como fã incondicional de Final Fantasy já lá vão. O amor pela série ainda é real, mas há muito que a confiança e a crença desmedida se perderam, levando-me a apontar o dedo às más decisões e práticas de uma Square-Enix que parece ainda estar a descobrir a sua identidade pós-sétima geração de consolas. No entanto, o regresso a Midgar foi emocional, surpreendente e caloroso, uma surpresa agradável e totalmente inesperada que me levou numa viagem que me deixou boquiaberto e de sorriso na cara.

Existem vários momentos que tornam Final Fantasy VII Remake especial, desde o seu retrato e escala de Midgar – dos reatores aos bairros de lata –, ao sistema de combate desafiante e estratégico, mas recordo-me perfeitamente do momento em que mudei de opinião e larguei a capa baforenta de fã do original. Quando encontramos Aerith pela primeira vez e escapamos da igreja, vemo-nos nos telhados destruídos à medida que o tema da jovem preenche o ambiente e marca o tom e ritmo do diálogo entre as duas personagens icónicas. A sequência jorra tão bom gosto, tanto carinho que me emocionei. Senti-me em casa, feliz e completo.

Não sei o que nos espera na segunda parte, mas Tetsuya Nomura e a sua equipa conseguiram deixar-me curioso pela sua vontade em arriscar e em criar uma nova identidade para este recomeço. Talvez me venha a arrepender e a largar todos os insultos possíveis à Square-Enix, mas o início está assegurado.

3. Resident Evil 3

Podia focar-me em títulos independentes irreverente e desafiantes ou em produções de larga escala que surpreenderam pelos seus visuais ou mecânicas inovadoras, mas estaria a mentir a mim mesmo. Não só porque sou um enorme e incurável fã da série, mas também porque Resident Evil 3 é um dos melhores jogos de terror e ação desta geração – mesmo que insistam que não é. A demanda de Jill através de uma Raccon City infetada e à beira do fim é de cortar à faca, de uma tensão incontornável e deliciosa que se despe de toda a gordura e de momentos desnecessários para manter o seu ritmo implacável.

É impossível fechar os olhos às críticas e não admitir que tenho pena de algumas ausências, como a remoção de zonas inteiras, mas estaria, mais uma vez, a mentir a mim mesmo se dissesse que senti a sua falta enquanto jogava. A campanha está tão limada, tão bem construída e com o coração no lugar certo que me vi a repetir esta aventura frenética mais vez do que Resident Evil 2 – e isto é o maior elogio que lhe posso dar. Trinta horas depois, para um jogo criticado por ter cinco, e com todas as armas desbloqueadas e as campanhas a S, posso dizer que Resident Evil 3 é um dos melhores de 2020.

2. Dreams

É com alguma pena que vejo Dreams esquecido nestas tradicionais listas de melhores do ano. Talvez seja justo, visto que recebeu um lançamento antecipado em 2019, mas nada se equipara à experiência que a MediaMolecule trouxe aos últimos meses de vida da PS4, criando os alicerces perfeitos para o que poderá ser uma ferramenta vitalícia na nova geração.

Mas o que torna Dreams tão especial e num dos melhores de 2020? Bem, tudo. A sua filosofia de design traz uma enorme liberdade de criação à comunidade através de um sistema impecável de mecânicas variadas e acessíveis. Se sonharmos, conseguimos fazer – assim é o mote de Dreams. Em 2020, recebemos níveis e demonstrações tecnológicas surpreendentes que rivalizam – talvez esteja a exagerar, mas assim é o meu amor pelo jogo – alguns dos motores de jogos gratuitos. É, em todos os sentidos, uma evolução em relação a LittleBigPlanet e espero ansiosamente pelas vantagens de memória e processamento da PS5.

1. The Last of Us Part II

Seis meses depois do seu lançamento e de uma vitória esmagadora nos The Game Awards, The Last of Us Part II continua a ser uma pária na indústria dos videojogos, ora respeitado pela sua narrativa e soberba atenção aos detalhes, ora odiado por expetativas falhadas e uma cultura de crunch capaz de dividir fãs e críticos. Existem argumentos válidos para ambas as perspetivas, é um título perfeito para amar e odiar, tal como os seus temas dramáticos, mas para mim, quatro textos depois e uma das análises mais extensas que escrevi este ano, só consigo sentir carinho, compreensão e redenção.

E não esquecer o seu modo de fotografia que tanto nos divertiu à medida que repetíamos a campanha.

A viagem de Ellie e Abby até ao centro da abjeção humana é um enorme soco no estômago, uma espiral imparável e desconfortável onde nunca sabemos o que nos espera do outro lado – se redenção ou crueldade. Podemos apontar o dedo aos pormenores ou rejeitar por completo os seus temas, mas é impossível não ver e apreciar a determinação da Naughty Dog – dos programadores aos diretores, artistas e guionistas – em contar a estória que queria.

The Last of Us Part II mantém-se tão presente, tão esmagador e desconfortável como no primeiro dia. Os seus momentos-chave ainda me assombram pela sua força dramática e pela vontade em contar e desconstruir a estória de duas personagens perdidas num ciclo de vingança. Mesmo com os seus percalços, clichés e momentos menos conseguidos – como a utilização de certas personagens secundárias – terminamos sempre na mesma janela, com o mesmo sol e o mesmo cortinado a dançar ao sabor da brisa leve de um final de tarde com a certeza que vivemos algo inesquecível. As coisas não serão as mesmas e ainda bem.

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