GEEKOUT

O regresso do Backlog

Não podemos terminar o ano sem revisitarmos o nosso backlog!

Começamos a fechar 2020. O cheiro a ano novo já se faz sentir pelas ruas, os lançamentos pararam e a esperança de que os próximos 12 meses serão, de alguma forma, melhores que os anteriores acalmam a ansiedade do recomeço. No mundo dos videojogos, fora a ocasional polémica, as coisas estagnaram, quase como congeladas no tempo, e entramos numa fase de retrospetiva.

Para além das tradicionais listas dos melhores do ano, que iremos abordar em breve, chega a fase em que paramos para respirar e olhamos para os videojogos que perdemos ao longo do ano ou que sempre quisemos jogar e o tempo não permitiu. Posso, com um suspiro de alívio, dizer que estou oficialmente nessa fase e é delicioso. Por isso, estes são os jogos que farão parte do meu entretenimento até janeiro.

Call of the Sea

Não é fácil adaptar a obra de H.P. Lovecraft, seja de forma direta, com a adaptação de alguns dos seus contos mais populares, ou com reinterpretações livres, que nunca escapam aos clichés do escritor norte-americano. A espanhola Out of the Blue Games decidiu enfrentar o terror cósmico de frente e se o ambiente e ritmo de Call of the Sea não são propriamente aqueles que associamos ao género de terror e investigação, já os seus puzzles transportam-nos para o melhor do point and click. Está longe de ser perfeito, com algumas sequências menos conseguidas e pouco intuitivas – alguns quebra-cabeças não são tão acessíveis quanto pensamos –, tal como uma estória que não é original ou surpreendente, que sofre, inclusivamente, de uma protagonista que não sabe o valor do silêncio, mas há uma enorme e apaixonante força na forma como conhecemos a ilha e percebemos todas as mecânicas e pistas que interligam este mundo desconhecido.

Apesar do seu crescendo visual, onde vai revelando lentamente as suas aproximações ao terror cósmico, o título espanhol destaca-se pela beleza natural da ilha – um cenário que poderia explorar durante horas.

Call of the Sea não é para todos e se os seus cenários coloridos fazem antever uma aventura puramente narrativa, como Everybody’s Gone to the Rapture e Gone Home, já os seus puzzles revelam a sua verdadeira natureza e inspirações nos clássicos do género point and click, como Broken Sword e Myst. Na verdade, este exclusivo PC e Xbox vive confortavelmente no meio destas duas facetas e é lá que encontra toda a sua magia. Uma boa opção para quem procura uma aventura mais calma e até cerebral.

DUSK e Prodeus

Se, no entanto, estão fartos dos enigmas da vida e querem, por ventura, destruir tudo o que se cruza no vosso caminho, numa tentativa de libertar todas as frustrações acumuladas durante 2020, então DUSK e Prodeus são as vossas opções. Ainda não terminei ambos os jogos, mas tenho de os recomendar vivamente. DUSK, da New Blood, é o destaque, um jogo caótico, rápido e com um controlo fluído que só é exponenciado pelos seus níveis curtos, mas muito bem desenhados. Não há gordura em DUSK, nada que se destaque por estar deslocado ou a aumentar artificialmente a sua longevidade – isto é um FPS elevado ao extremo, à sua forma mais pura.

As inspirações em DOOM, Quake, Blood e outros títulos do género revelam-se assim que começamos a jogar, com inimigos que se complementam – e nos obrigam a controlar a suas hordas enquanto alternamos entre ataques à distância e tiros de proximidade –, um leque perfeito de armas e uma rapidez de movimentação que ainda nos dá mais energia e euforia a cada disparo. É poesia em movimento e não tenho nenhuma dúvida que DUSK será relembrado como um dos melhores do género.

Não há tempo para respirar: desloquem-se à velocidade da luz e utilizem as vossas caçadeiras de canos serrados para eliminar todos os fanáticos deste jogo de terror e ação.

Prodeus, não é o melhor de dois mundos e não consegue, a minha honesta opinião, ultrapassar o título de destaque do catálogo da New Blood, do qual ainda me falta experimentar Amid Evil, mas é uma reinterpretação muito interessante do design e ação de DOOM. A familiaridade é incontornável e o layout dos níveis não enganam – estamos a jogar algo entre o clássico de 1993 e DOOM (2016). Ainda estou no início e é cedo para analisar, mas Prodeus consegue agarrar a minha atenção quando é impiedoso com o posicionamento dos inimigos e nos obriga a estarmos constantemente em movimento. No entanto, tenho de admitir que odeio a obrigação de recarregar as armas num jogo deste género. Talvez esteja a ser picuinhas, mas há uma quebra nos combates que não me torna automaticamente num fã.

Antes de terminar, tenho também de sublinhar dois pontos: o primeiro é que Prodeus foi lançado em Early Access, o que significa que ainda está em desenvolvimento; o segundo é que ambos os jogos têm uma banda sonora composta por Andrew Hulshult, que recentemente trabalhou em Ancient Gods Part One, de DOOM Eternal, e isto são ótimas notícias.

Cyberpunk 2077

Deixem-nos de polémicas e de enganos, roubos e dramas. Após experimentar a versão Xbox One, que quase roubou o gosto e vontade que tinha em jogar o novo RPG da CD Projekt Red, estou finalmente no PC. Se ainda não sabiam que adquiri um novo PC, então aqui está: agora sou PC Gamer. E não podia ter escolhido a melhor altura para o fazer.

Ainda me estou a habituar à ideia de ter saltado de uma versão que corre a 15fps para outra que chega aos 60fps.

Se Cyberpunk 2077 é intragável nas consolas da geração passada, o mesmo não posso dizer da sua vivacidade nos computadores, um literal salto do dia para a noite, com o mundo corporativo a vibrar a vida e densidade que tanto nos prometeram. Ainda é cedo para falar sobre a qualidade geral deste novo exclusivo do PC e Xbox, até porque tive de recomeçar a campanha, mas quero encontrar o diamante em bruto que tanto dizem estar lá. Neste final de dezembro, vou para o futuro.

The Legacy of Kain: Soul Reaver 1 & 2

O salto para o futuro é, no entanto, temporário: vamos regressar ao passado. Depois de tentar a minha sorte nas consolas e nunca terminar a série de uma ponta à outra, saltando frustrado entre capítulos – numa tentativa de perceber o que se passava na estória de Kain e Raziel –, decidi recomeçar e ver todo o seu esplendor. Peço desculpa aos puristas por não começar por Blood Omen, mas mergulho primeiro em Soul Reaver por uma questão de nostalgia. A série The Legacy of Kain é um destaque no que toca à narrativa e ao desenvolvimento das personagens, e mal posso esperar para me deixar levar por este futuro decrépito de monstros, vampiros, viagens no tempo, destino e causalidade. Amy Hennig fez um excelente trabalho na escrita dos guiões e na direção destes clássicos, e não há melhor forma de concluir 2020: não com os nossos familiares, amigos ou namorados/as, mas sim com The Legacy of Kain.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: