ESPECIAIS

Os melhores jogos dos The Game Awards

A edição deste ano voltou a não surpreender, mas saímos de lá com algumas boas novidades.

Como um Xanax poderosíssimo, a nova edição dos The Game Awards comprovou que não basta fanfarra, meios de produção e muita força de vontade para justificar uma entrega de prémios na indústria dos videojogos. Talvez esteja a ser injusto, mesquinho e a exigir demasiado de um evento que acaba por nos unir coletivamente em dezembro, onde temos, inclusivamente, novidades e estreias de videojogos que acabam por marcar os próximos anos. Mas tal como o Xanax, a dor de cabeça, os efeitos secundários e uma dormência surgem sempre quando os seus efeitos – neste caso, a euforia – passam e assim são os The Game Awards.

Todos os anos, termino a cerimónia e digo estas palavras proféticas, mas igualmente impraticáveis a amigos: para o próximo ano, não verei em direto. Mas aqui estamos nós. Mais um ano, mais um engano. Neste momento, mais vale olhar para o copo meio cheio e esquecer o tédio horroroso que me encheu o corpo e a mente durante as três horas que podia ter perdido a aprender a jogar à malha ou, quem sabe, a descobrir a magia do mundo da culinária. Estes são, por outras palavras, os melhores jogos apresentados nos The Game Awards:

Season

Não é fácil controlar a antecipação quando o único contacto que temos com um projeto é um teaser trailer. Por agora, o título da Scavengers Studio poderá ser tudo; o melhor jogo de sempre, talvez até o pior que alguma vez jogarei, mas com a sua apresentação rápida e misteriosa, fui conquistado. Season agarrou a minha atenção não só pelas suas cores e pelas personagens repletas de personalidade, ainda que a animação tenha-me feito torcer o nariz, mas pelo seu conceito. A ideia de viajarmos por um mundo que parece estar à beira do fim, ou simplesmente a ser esquecido, enquanto captamos o som dos elementos e culturas à nossa volta é impossível de passar ao lado. É inspirador.

No entanto, temos de ser honestos: ainda não vimos nada. Do teaser trailer, contam-se uns segundos do que parece ser jogabilidade – muito pouco. Mas Season destacou-se no meio de um evento com sabor a cooperação manhosa, tal é a fome por mais Left 4 Dead, e são estes projetos mais pessoais e honestos que ganham o coração de quem está mais atento. Sem dúvidas, foi o melhor projeto que vi na edição deste ano.

The Callisto Protocol

Fica apenas um apontamento para The Callisto Protocol, saído da mente do criador da série Dead Space, Glen Schofield, que se mostrou num trailer cinemático intrigante, mas demasiado seguro. Se é a sequela espiritual para a franquia adormecia da EA, ainda não sabemos, mas é bom saber que Schofield está de regresso ao género e às criaturas monstruosas. Vemo-nos, quem sabe, em 2022.

Open Roads

Não tenho seguido de perto o percurso da Fullbright. Se Gone Home deixou-me a pedir mais, especialmente pela sua aposta numa narrativa maleável e livre, criou-se uma espécie de falha de comunicação que me levou a ignorar Tacoma e a sua aventura espacial. No entanto, sinto-me a regressar a casa e quero acompanhar esta viagem emocional entre uma mãe e a sua filha. Não sei o que me espera do outro lado e como funcionará a jogabilidade, mas o ambiente e a mensagem deixaram-me esperançoso.

Crimson Desert

E agora, um pequeno guilty pleasure. Apesar de não ter jogado Black Desert, e não ter nenhuma intenção de o fazer, o trailer de Crimson Desert, que mantém a aposta na fantasia e no formato MMORPG, deixou-me tão confuso, tão intrigado e com vontade de descobrir mais que seria impossível não o mencionar nesta lista. Ao contrário de outros títulos anunciados, Crimson Desert não teve receio de mostrar tudo o que tem para oferecer – até os problemas de frame rate fizeram parte do trailer – e aconteceu algo mágico à medida que via o seu mundo inconsistente, que saltava entre a atual geração e a sétima geração de consolas: eu fiquei com vontade de jogar. Para mim, foi o combate que me agarrou, parecendo ser uma mistura entre Dragon’s Dogma e Devil May Cry, mas ainda mais caótico, violento e com boas animações. Não sei se conseguirei jogar este MMORPG, mas fiquei curioso.

Returnal

A Housemarque já é sinal de qualidade e Returnal parece ser a junção de todos os seus projetos num só. Depois de apaixonar-me por Resogun, Nex Machina e Dead Nation (ainda que Alienation me tenha desiludido), mal posso esperar para ver a aposta da produtora sueca no género roguelike. Quero perceber como funcionará o conceito de tentativa e erro, o que mudará entre campanhas e qual será o impacto na narrativa, se teremos uma aproximação à estrutura e estilo de Hades ou algo totalmente novo. Uma coisa é certa: fui arrebatado pela jogabilidade. Agora resta dar o salto.

It Takes Two

Não conheço de perto o catálogo da Hazelight, mas adoro a sua dedicação à jogabilidade cooperativa e à vontade em evoluir o género com novos formatos mecânicos e de direção. It Takes Two é uma volta de 180.º quando comparado a A Way Out, mas é isso que o torna tão intrigante e encantador. Estou pronto para entrar no seu mundo fantasioso e perceber o que torna a produtora sueca tão empolgante e irreverente.

E relembro, claro, que It Takes Two mantém o formato de partilha, isto é, basta um jogador comprar o título para que o possa desfrutar com um companheiro sem necessitar de comprar uma segunda cópia. Perfeito!

Road 96

Regressamos aos anos 90 com uma aventura narrativa procedural. Road 96 é o novo projeto da equipa que nos trouxe Valiant Hearts (um título que teve a honra de nos fazer chorar) e Memories Retold, que apresenta uma aposta interessante nas decisões dos seus protagonista e na verdadeira sensação de embarcarmos numa viagem de autodescoberta. No trailer, podemos verificar algumas das situações que encontraremos em Road 96, mas nem todas farão parte da nossa estória e é isso que acho que intrigante neste título independente – a minha viagem diferirá da vossa. Talvez possamos sentar-nos à luz da fogueira e contar o que nos trouxe até às montanhas, mas quero saber mais sobre como funcionará a sua narrativa procedural. No entanto, as influências de Quentin Tarantino e dos irmãos Coen deixam-se descansado – agora falta o resto.

Menção Honrosa: NieR Replicant ver.1.22474487139…

Não foi uma revelação e não foi surpresa para ninguém, mas quero relembrar-vos que vão poder jogar NieR Replicant ver.1.22474487139… em 2021 e isso é uma ótima forma de começar o próximo ano. Que Yoko Taro nos abençoe!

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