PÔR OS PÍXEIS NOS I'S

Pikmin, mon amour

A série Pikmin continua a registar números reduzidos e o medo instala-se.

Pikmin, ainda não é desta. Não está nos astros. Talvez exista ainda um amanhã, quem sabe uma sequela ou um projeto de paixão, mas continuamos num impasse com os fãs e expetativas dos jogadores na Nintendo Switch. Por um lado, é normal. O regresso a Pikmin é feito com um relançamento – algo problemático, se quantificarmos a diferença de preço entre a versão Wii U e a Deluxe, especialmente com a ausência de novidades na jogabilidade e gráficos – e não com um novo título, criando assim um estranho e incontornável sabor a mofo neste final de ano. Mas é injusto. Pikmin 3 Deluxe veio confirmar o que, por um lado, sempre soube: que esta é uma das melhores séries da Nintendo.

Ainda estou longe de terminar a campanha e ajudar Alph, Charlie e Brittany a regressarem a casa. Por agora, completei o meu sétimo dia depois de apaixonar-me pelo jogo durante a fase de demonstração e pontuar o meu fim de semana com este doce e viciante exclusivo da Nintendo Switch. Já descobri três tipos de Pikmin, aventurei-me por selvas quentes e por tundras geladas à medida que encontrei novas frutas – que são a força motora por detrás da narrativa –, bosses gigantescos e uma panóplia de desafios ambientais e monstruosos. Ainda há muito para descobrir e existe ainda a possibilidade de mudar de opinião com as horas de jogo, talvez o cansaço se instale se o jogo não souber equilibrar a sua estrutura, mas não consigo esconder o meu enorme sorriso sempre que regresso a Pikmin 3 Deluxe.

Apesar de ter saltado o segundo capítulo da série, que se mantém – por agora – preso na Gamecube e Wii, senti-me em casa quando iniciei a minha aventura espacial e descobri que o foco na gestão e nas plataformas se mantém quase idêntico: mas maior e melhor. Os cenários são mais extensos e requerem uma aposta mais acentuada na exploração, com caminhos alternativos a abrirem-se à medida que nos familiarizamos com as várias zonas do jogo. Podemos, por exemplo, utilizar os Pikmin para criar rampas de palha que nos dão acesso a níveis superiores ou ligar correntes elétricas que obrigam flores gigantes a abrirem as suas pétalas para criarem plataformas navegáveis. É um mundo mais vivo onde sentimos que estamos a influenciar a sua fauna e flora à medida que descobrimos todos os seus segredos.

É um verdadeiro mundo em miniatura onde descobrimos vários objetos do nosso dia-a-dia e um design muito composto de níveis e desafios. A passagem para a Switch foi suave e não senti falta o ecrã adicional da Wii U.

A presença de três personagens jogáveis, que podemos alternar em jogo, desbloqueia novas opções de exploração e até de combate. Ainda sou do tempo – perdoem-me a idade – de Olimar e da sua aventura a solo, mas em Pikmin 3 Deluxe podemos dividir os esforços e desbravar caminho mais rapidamente. Com a possibilidade de atirarmos as personagens para locais inacessíveis, conseguimos desbloquear atalhos e encontrar novas frutas preciosas. Os mapas são extensos, mas quase sempre interligados, o que significa que todos os caminhos vão dar (quase sempre) à nave dos três astronautas. É difícil perdermos o norte e com as três personagens à distância de um botão, conseguimos reagrupar rapidamente e continuar a aventura em conjunto. Se quiserem, no entanto, poupar tempo, podemos dar ordens aos vossos companheiros e direcioná-los para uma zona específica do mapa.

Ainda há muito para descobrir sobre os adoráveis Pikmin, mas por agora, deparei-me com três variantes: vermelhos, os mais versáteis e predispostos para o combate; pedra, que conseguem quebrar objetos e atingir ferozmente inimigos voadores; e os amarelos, que têm agora poderes elétricos que podemos usar em combate e em puzzles. O equilíbrio entre os três tipos é fenomenal e Pikmin 3 Deluxe obriga-nos a alternar entre eles para enfrentarmos os vários desafios deste mundo selvagem. A troca entre Pikmin é, felizmente, rápida e basta carregarmos no L e R para escolhermos o tipo que queremos comandar. Ainda estou a explorar esta nova mecânica, mas temos também a possibilidade de darmos alimentos aos Pikmin que melhoram temporariamente a sua energia. Estou curioso para saber como funcionará ao longo da campanha e que desafios irão requerer esta novidade. De resto, as mecânicas mantêm-se muito idênticas às que vi no original e podemos assobiar para os reagrupar os Pikmin, atirá-los e evoluí-los à medida que o tempo passa – ou com a utilização de um néctar especial.

E não esquecer que podemos jogar a campanha com amigos, algo que irá certamente agradar à maioria dos jogadores.

Mesmo com o limite temporal, onde só podemos explorar à luz do sol, Pikmin 3 Deluxe é um jogo descontraído, muito relaxante e um exercício contínuo de meditação. Os níveis estão repletos de objetivos principais e secundários, colecionáveis – sob a forma de novos módulos para os fatos dos astronautas e não só – e dicas que nos motivam a continuar em frente, mas a jogabilidade e a banda sonora, tal como os gráficos coloridos e muito animados, criam uma aura de ponderação onde nos sentimos sempre em controlo. As frutas são tão fáceis de encontrar, pelo menos até agora, que tem sido mais divertido do que tenso descobrir o seu paradeiro. Pikmin 3 Deluxe é um jogo para ficar com vocês, onde terminam um ou dois dias de cada vez numa mescla entre descontração e a necessidade de encontrar todos os seus segredos. É mágico e mal posso esperar para regressar. No entanto, se for idêntico ao primeiro jogo, presumo que fique mais assustador com o tempo.

Se a qualidade da série é, a meu ver, indiscutível, então, porque comecei o texto com uma elegia? O que estará a parar a franquia de chegar ao grande público? Será o design peculiar das personagens e a sua aposta em gestão e estratégia? Talvez existam mais fatores que possamos identificar – é aqui que me podem ajudar, caro público –, como a falta de crença pela Nintendo ou a sua má gestão da série; não sei. O que sabemos, no entanto, é que Pikmin 3 Deluxe tropeçou assim que saiu pela porta fora, conseguindo números abaixo da sua estreia na Wii U. Em vez de evoluir, agora que temos mais jogadores na Nintendo Switch, comprovou que a série não tem presença no mercado. Isto dói.

Resta saber o que nos espera no futuro, se este será o último título da série ou uma redenção.

Talvez seja um fenómeno social, um efeito Mandela em que todos acreditam que Pikmin é mais inacessível do que realmente é. Eu passei por isso, fiz parte do problema e agora sinto-me na obrigação de ajudar a série. E sim, recebi um código da Nintendo Portugal, não adquiri o jogo – faço duplamente parte do problema –, mas se a minha borla servir de algo, que seja para alguém ler este texto e dizer “é desta, vou comprar Pikmin 3 Deluxe”.

O código para análise foi cedido pela Nintendo Portugal.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: