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Dez Anos de Fallout: New Vegas – O Musical

Uma retrospetiva pessoal e musical dos dez anos de Fallout: New Vegas.

Fazia calor naquela tarde de agosto. Sentada no chão, em frente à TV da sala do meu pai, começava uma nova sessão de jogo: ao som de “Stars of the Midnight Range”, com a Mojave Wasteland como cenário. Era Fallout: New Vegas.

Início a escrita desta história a ouvir essa mesma música que ainda me dá flashbacks de fugas épicas a enxames de caçadores – qualquer bom conhecedor deste título da Obsidian sabe que, em FNV, as lutas se escolhem e, estas, é melhor nem sequer travar. Vão perder, é a realidade.

A playlist acaba de passar para “Heartaches by the Number” e sou transportada para o Mojave Outpost, onde partilho uma bebida com Cass – ela o Whisky, eu uma Sunset Sarsaparilla. Esta personagem emblemática do jogo conta-nos uma das histórias mais interessantes da narrativa de FNV – escolham-na como companion e deixem-na guiar-vos, não se arrependerão.

Segue-se “Johny Guitar” e, com a melodia, vêm as lembranças de grandes viagens, no deserto árido, à procura de uma nova localização, missão ou random encounter. Ouço o meu pai, ao fundo, a cantar e a rir-se – a verdade é que, depois de tantas horas a ver-me jogar, enquanto ele próprio via a bola ou um qualquer filme do Nolan, aprendeu muitas das músicas da série Fallout.

A faixa seguinte leva-me da melancolia à dança e senta-me em frente a uma slot machine, enquanto Peggy Lee canta “get outta here and get me some money too”. Há tanto para descobrir no Strip: da história secreta de Mr. House, ao amor impossível entre uma prostituta e um cliente no Gomorrah, ao real motivo pelo qual levámos um tiro na cabeça e quase íamos morrendo, ainda no início da história. Passo, de fininho, pelo Ultra-Lux e o seu famoso restaurante, Gourmand. Mas saio rápido, claro – afinal, todos sabem que aquela carne é especial…

Ouve-se “Big Iron” de Marty Robbins e o cenário é, de repente, a Quarry Junction. Esta localidade do mapa está sempre recheada de Deathclaws, incluindo uma Deathclaw Mother e um macho alfa. Em resumo, é horrível e difícil e nunca deve ser conquistada nas primeiras horas de jogo. Paradoxalmente, ao longo dos anos, desenvolvi a tradição de ir lá ter, logo a após sair de Goodsprings. Seguem-se umas duas horas de toca e foge com cerca de seis Deathclaws, com tiros calculados e posições de ataque estratégicas que resultam de anos a repetir o mesmo título, com a mesma dinâmica. O processo é estranhamente relaxante e dou por mim, a escrever, com um sorriso no rosto.

“Mad About the Boy” inicia e, com esta música, a lembrança da The Family. A viagem até aos confins do metro para encontrar este grupo de vampiros do pós-apocalíptico, a capacidade democrática de resolver o conflito com um acordo entre eles e Arefu e, a melhor parte, o acesso a uma das armas mais interessantes do FNV (especialmente em early game). Let it burn babyyyy!

Dedico a “Love Me Like As Though There Was No Tommorow” a Christine Royce, a minha primeira crush dos videojogos (muito antes de Geralt ou Garrus). Aquela que é uma das minhas personagens preferidas da série, aparece no DLC Dead Money para contar uma história de tristeza, tortura e desilusão. É muda durante a maior parte da narrativa, mas algo nela me conquistou de imediato. Ela fica para trás, como a maior parte das coisas em Dead Money, numa espécie de amor proibido e não correspondido que acontece sem se esperar mas deixa adivinhar, desde logo, um final.

Fallout: New Vegas comemorou ontem dez anos. Uma década de vida que, para mim, é recheada de histórias e memórias que acarinho profundamente. As que aqui menciono são somente uma gota de água num oceano de localizações, personagens e momentos incríveis de um RPG robusto, à antiga, que tem tanto para descobrir. Um videojogo que me marcou profundamente, imprescindível para fãs de RPG e o título Fallout com os melhores DLC de toda a série.

O sol põe-se, lá ao fundo, e já vejo as luzes brilhantes do Strip. Em casa, por esta altura, já é hora de jantar. A faculdade só começa daqui a três semanas, o meu pai fez tortilhas e está na altura de dar descanso ao Courier. Amanhã, haverá mais.

Obrigada, Obsidian.

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