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Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 | GLITCH REVIEW

Punk, Ska e grinds: estamos de regresso aos 2000s.

Custa acreditar que Tony Hawk está de regresso aos videojogos. Depois de um mar de sequelas desinspiradas, onde a série tentou a todo o custo encontrar uma nova identidade, o skater mais famoso do mundo não resistiu à passagem do tempo e entregou-se à derrota. O futuro era negro, incerto e hostil, com a Activision a terminar o seu contrato com mais de uma década naquele que é considerado como um dos piores títulos da franquia desde o seu surgimento. Mas os fãs acreditaram, pediram e sonharam por um regresso ao passado, à glória da série e aos tempos em que Tony Hawk era sinónimo de qualidade na indústria dos videojogos. E aqui estamos nós.

Por esta altura, o modus operandi da Activision é mais que conhecido. Se uma franquia é popular e rentável, é forçada a adotar um modelo de lançamentos anuais que visa à fidelização quase doentia do consumidor. Guitar Hero e Call of Duty são dois dos nomes que saltam logo à memória quando pensamos neste modelo de lançamentos, ambos demonstrando como pode funcionar e falhar redondamente, mas o tempo esqueceu-se de Tony Hawk’s Pro Skater, uma das primeiras a ser forçada a este processo doloroso de produção. Se a série dominou durante duas gerações de consolas, o cansaço instalou-se rapidamente e a estagnação cimentou o quanto a série parecia ser uma moda, mas a Activision tentou e forçou até quebrar por completo a Neversoft e a franquia em si.

Como regressar a Tony Hawk’s Pro Skater, vinte anos depois da sua estreia e de uma série de desilusões? O caminho só podia ser um: voltar ao início. Foi essa a proposta do skater e da Vicarious Visions num remake de peso que conta com os níveis dos primeiros dois títulos da franquia. Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 limou as arestas dos originais, transportou os seus níveis para a atual geração, sem alterações – a não ser em alguns casos específicos –, e deu a mesma experiência tradicional da série sem grande fanfarra. O objetivo é revitalizar a marca e demonstrar como a jogabilidade, que mistura um estilo mais arcade com uma aposta na busca pela melhor pontuação e objetivos, continua tão atual e divertida como sempre. E o resultado está à vista de todos.

Não foi fácil reencontrar este mundo de skaters. Os anos não perdoaram e rapidamente percebi que tinha perdido alguma da destreza que tinha ganho ao jogar os originais, levando-me assim numa viagem humilde onde redescobri dois jogos que ocuparam tardes da minha adolescência. Os truques, mapas e combinações continuam idênticos, ainda que a jogabilidade apresente algumas diferenças ligeiras na física e peso dos skaters, mas foi a idealização que me obrigou a redescobrir os níveis que pensava conhecer como a palma da minha mão. Com a prática, cresceu em mim uma alegria infantil, de sorriso rasgado, onde me vi a fazer as mesmas combinações que descobrira há mais de dez anos, encontrando novos segredos e outros que já me eram conhecidos.

É impossível ficar indiferente perante a evolução gráfica entre as duas versões, mas é na jogabilidade e na uniformidade entre níveis que mais sentimos esta passagem para a geração atual.

A estrutura é tão simples e intuitiva que continua atual. Cada nível apresenta um conjunto de objetivos que temos de completar ao longo de várias tentativas, como uma pontuação máxima, a descoberta de uma cassete secreta e a aquisição das letras S K A T E R, entre outros desafios específicos a cada etapa da campanha. Os objetivos são sempre divertidos, alguns bastante desafiantes e há uma sensação de melhoramento pessoal à medida que descobrimos novas oportunidades de pontuação e atalhos. O limite de tempo continua presente e temos de ser seletivos ao longo de dois minutos, algo que ajuda, especialmente nas primeiras tentativas, a construirmos uma memória visual de cada nível. Tenho também de destacar o design e a variedade dos locais, desde cidades a centros comerciais abandonados, cada um com focos diferentes, seja na exploração ou na descoberta de zonas para fazermos combinações impossíveis.

O remake conta com os níveis dos primeiros jogos e foi interessante ver a diferença entre os dois. Tony Hawk’s Pro Skater é muito mais focado nos objetivos do que na pontuação ou nas táticas mais vistosas, apostando em mapa intrínsecos e complexos que puxam pela imaginação, ao contrário da sequela, que limou todo o seu design para dar aos jogadores uma experiência muito mais equilibrada. Esta diferença de design parte da evolução na própria jogabilidade, como a inserção de truques como Manuals, um dos truques mais imprescindíveis das sequelas, a criarem um ritmo diferente de navegação e a adicionar novas oportunidades de combinações. Em Tony Hawk’s Pro Skater 2 há uma maior aposta na mobilidade, na ligação entre as várias zonas dos níveis, onde a fragmentação foi equilibrada e recalculada, criando assim uma jogabilidade ainda mais próxima do arcade.

No geral, os níveis têm sempre uma ligação entre os vários pontos de interesse que podem aproveitar para conseguir uma melhor pontuação.

A unificação da jogabilidade é incontornável e seria estranho, em pleno 2020, voltar à rigidez do primeiro título (apesar de existir essa opção). Desta forma, o remake torna-se mais convidativo e pede-nos que alternemos livremente entre os níveis dos dois jogos. A nova edição conta ainda com modos multijogador, onde podemos competir com outros jogadores através de uma sucessão de objetivos, alguns deles já conhecidos pelos fãs da série (como HORSE e Graffiti). Outra novidade é a presença de um sistema de níveis e de desafios, onde poderão evoluir a vossa conta e ter acesso a dinheiro que vos permite comprar novas roupas e tábuas na loja do jogo. Não fiquei rendido a este sistema, não senti que era necessário ou que adicionasse algo aos dois jogos originais, mas compreendo que é uma forma de expandir a longevidade – que é, como sempre foi, muito curta – e de motivar os jogadores a aventurarem-se pelos modos online e pelos desafios adicionais.

De facto, a longevidade poderá ser um problema para alguns de vocês, mas não a vi como tal. Se conhecem os níveis e se estão familiarizados com a série, conseguirão terminar Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 em poucas horas. Não existem grandes diferenças entre as duas versões e isso que fique sublinhado. No entanto, é no tamanho dos níveis que está a magia da série, nos seus objetivos e na curta duração. É na repetição constante, no melhoramento das pontuações e nas rivalidades entre amigos, onde estamos constantemente à procura de mais uma combinação para ultrapassarmos o recorde de outros jogadores, que encontramos a alma destes jogos e o porquê de se manter tão atual. Além disso, têm a minha experiência como exemplo, onde me vi perdido num mundo que pensava conhecer e fui obrigado a aprender tudo do início. Vi-me preso a níveis durante horas, a tentar compreender como funcionavam e como podia interligar as várias combinações para ter a tão cobiçada pontuação máxima. Horas depois, continuei a divertir-me com o jogo e nunca me senti cansado.

As competições continuam presentes e têm três rondas para conquistar as medalhas de ouro.

No entanto, preferia ter acesso ao catálogo do terceiro jogo, mas pode ser que tenhamos algo em forma de DLC. Com o sucesso e receção deste regresso a excederem as expetativas, acredito que um lançamento standalone acontecerá já no próximo ano, dando assim início a mais um ciclo de exploração da marca. Por agora, é bom ver Tony Hawk’s Pro Skater novamente na ribalta e sentir que voltámos ao passado, ao início do século XXI e aos anos estranhos da nossa adolescência com o Punk, Pop, comédias parvas e o maldito Ska. Se são fãs da série, não pensem duas vezes e se sempre quiseram experimentar um dos jogos da franquia e nunca o conseguiram fazer, esta é a melhor porta de entrada de momento. Que comece uma nova era do skate.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Ecoplay.

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