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Jump Force | GLITCH REVIEW

Podíamos dizer que este jogo tem mais estilo do que substância, mas nem uma, nem outra.

Passei muito tempo a jogar Battle Stadium D.O.N e Jump Super Stars quando era mais novo. Estavam todos em japonês porque na altura era miragem saírem no ocidente, mas nem precisava de os entender: bastava-me escolher as personagens e ir à molhada. A par com Super Smash Bros., estes jogos vingavam pela diversão, adrenalina e um vasto leque de personagens que juntavam vários universos num só jogo – o sonho de qualquer nerd que se preze.
Mas diversão nem sempre rima com facturação. Para conseguirem um euro fácil, tomam-se decisões estranhas que deitam por terra o que poderia ser um grande jogo.

Jump Force é um bom exemplo, um título com dois jogos em si: um pseudo MMO medíocre e um arena fighter genérico. Sem falar nos visuais questionáveis. Decisões propositadas porque os estúdios sabem que vão vender e abusam da boa vontade dos jogadores porque não há outros jogos com o Dio a desancar no chato do Sasuke.
E foi logo com o trailer de revelação que os narizes se torceram; sendo os gráficos, os principais culpados. Em vez de optarem por um estilo mais anime ou pelo cell shade da praxe, tivemos algo que nem era carne, nem peixe; as personagens pareciam bonecos bootleg sem qualquer expressão ou vida nos olhos. Se não fosse pela dobragem, diria mesmo isso.
Até os cenários eram de uma pobreza franciscana. Só tive oportunidade de jogar em modo portátil, mas a resolução era miserável. Por outro lado, o jogo até que se portou bem durante as horas em que passámos juntos.
Ainda assim, havia aquele prenúncio de falhanço que acabou por se concretizar. Tanto que lançaram o jogo na Switch para ver se vendiam mais umas cópias, «mas podes continuar a polir uma pedra que não vai passar de uma pedra», isto para usar um eufemismo educado.

Cuidado, ele está atrás de ti!

Jump Force abre com uma sequência frenética de acção e destruição; os vilões que adoramos odiar estão a invadir o mundo real e cabe aos heróis da Shonen salvar o dia. Com a personagem que criarmos, ajudamos os Aven-, a Jump Force, a combater as forças do mal e entre parceiros possuídos, cenas dramáticas, onde todos berram, e reviravoltas previsíveis, o enredo arrasta-se durante dez e poucas horas (felicito o modo de criação de personagem com a mão de Akira Toriyama).
Há jogos que beneficiam de um modo de estória para compensarem o valor que damos por eles, mas há outros que se desculpam se não o tiverem para se vingarem no resto, o que não é o caso aqui. Este jogo complica o fácil para forçar o tal modo MMO para tudo e mais alguma coisa. Tudo acontece num hub com os outros jogadores ou bots a saltitarem por ali; querem ligar o jogo e fazer uma partida rápida? Não. Vão ter de abrir o jogo, ir ao tal hub, procurar o balcão de batalhas, escolher o modo offline e, só aí, poderão combater contra outros jogadores ou contra o computador. Aquelas reuniões que podiam ser um e-mail? Ou, neste caso, um menu?
A única boa notícia nisto tudo, é que ao concluírem o tutorial, o jogo desbloqueia todas as quarenta personagens e respectivos cenários. Agora, se quiserem fazer tudo o que o jogo tem para oferecer, zero problemas. O que aconteceria ao amarelo se todos gostassem do verde?

Agora imaginem esta cena com o nosso João Loy.

Mas os combates são divertidos?
Não minto, até são. O mais divertido dos combates é mesmo o facto de jogarmos com as personagens das nossas séries e juntá-las em equipas improváveis: Luffy, JoJo e Midoriya? Epá, sim! Até os maus gráficos melhoram, uma vez que é tudo tão rápido e frenético que não há tempo para prestarmos atenção aos detalhes. Com tanto a acontecer, só queremos ser o primeiro a usar aquele ataque especial para acabar a batalha vivo, mas é um mimo ver tudo a ser destruído ou as roupas a degradarem-se.
E parte da diversão vem da acessibilidade das lutas. Sendo um arena fighter, não existe aquela complexidade de decorar combos ou aprender estratégias. Aqui, as personagens controlam-se da mesma maneira, quase como clones, e com os mesmos atalhos para os ataques especiais. Não há muito para saber, este jogo é puro fan service, o que nos remete para a introdução e para o factor diversão. É tão divertido como comer fast food, às vezes sabe bem e ficamos satisfeitos, mas também nos sentimos culpados porque podíamos ter comido algo melhor e com mais substância…

Uma vez não são todas, não é? E se apanharem este jogo numa promoção e tiverem amigos com quem jogar, até se safam. Afinal, que alternativas existem?

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (Switch) foi cedido pela Bandai Namco.

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