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Marvel’s Avengers | GLITCH REVIEW

Depois de uma beta amarga, nada melhor do que tirar as teimas. Estas foram tiradas, mas a algum custo...

Quando penso num jogo dos Avengers, não penso logo num modelo Games as a Service, ou GaaS, mas aqui estamos…

Como disse na introdução, aquando do anúncio deste jogo, pensei mesmo num RPG e no quão fantástico se adequaria a este universo da Marvel. Qualquer coisa, mesmo um MMORPG como o DC Universe Online – criávamos a personagem e lá íamos nós salvar ou destruir o mundo. De novo, culpa minha e das minhas expectativas.

Também sou um ser bastante curioso e como fã do universo Marvel no cinema, eu tinha de jogar isto para tirar a prova dos nove (apesar de ir mais às BD). Agora que o terminei e escrevo esta análise, só consigo recomendar a baixarem as expectativas. Ou melhor, a pouparem o vosso dinheiro

Se tiver de resumir a análise a uma palavra, esta seria: pena. Pena pelo estado em que foi lançado; por ter sido apressado; por terem sido gananciosos com as microtransções e pelos jogadores que vão cair nesta armadilha. Apoiar este modelo de GaaS é como bater à porta de um ladrão e pedir para sermos roubados, uma e a outra vez. Ele não vai recusar porque é dinheiro grátis, não está a cometer nenhum crime e os papalvos somos nós. E enquanto continuarmos a apoiar este modelo, nada vai mudar; os lançamentos serão descuidados e sem qualidade e só irão melhorar, SE MELHORAREM, nos próximos anos quando já tiverem largado uma boa nota.
E este Marvel’s Avengers é o exemplo perfeito. É que podia ser tão bom para terminar a geração, mas o lucro fácil falou mais alto e o resultado foi um jogo com uma campanha curta, divertida q.b., com talento e potencial para mais. Se tivesse saído a meio da geração, talvez desculpasse muitos dos pecados…

Já vi esta cena noutro jogo e com o Baker!

Não tendo o Plus, não pude experimentar o online e fiquei-me apenas pela campanha, que era o que mais me interessava e tenho a dizer que a beta não lhe fez justiça.
A beta levou-me a escrever as palavras amarguradas da antevisão, mas a introdução completa deixou-me deslumbrado como a jovem Kamala perante os heróis mais incríveis deste planeta e fora. Esta secção funciona como tutorial antes do próprio tutorial da beta e explica-nos a importância de apanhar tudo no mapa, desde as caixas com loot às BD espalhadas; tudo o que brilhar e que não esteja preso ao chão.
A sequência inicial termina com um desastre que acaba com os nossos Avengers. Passam cinco anos e o jogo começa a sério. E também os problemas. Se estiverem confusos durante a campanha, não se preocupem porque: a) o jogo assume que leram as BD e os livros que acompanham este Avengers e b) não são muito bons a contar estórias, com temas, vilões e arcs esquecidos para apressarem o final, porque o importante está no post game e no online.

Este jogo é bastante inconsistente e parece que foi feito por duas pessoas que nunca comunicaram e nem se conheceram.
Há partes divertidas que me remeteram para os filmes e o jogo consegue dar o seu melhor quando é focado e linear, avançando de set piece em set piece frenético; quando controlamos as diferentes personagens e avançamos contra tudo e todos.
O combate é caótico e facilmente das melhores partes, mas nunca inovador. As habilidades permitem personalizar o nosso estilo e é fácil arranjarmos favoritos que se adequem à nossa maneira de jogar. Só que com grande poder, vêm os problemas de câmara, as quebras de fluidez etc.
Depois, parece aquele amigo chato que está sempre às cotoveladas enquanto fala, a empurrar para o online e o quão fixe seria jogar a dois ou a quatro ou comprar isto e aquilo. Pensem numa má combinação entre Uncharted e Anthem
E são estes os momentos que arruínam um jogo com potencial: desde o hub, onde andamos a passo de caracol (por alguma razão que desconheço), passando pelos vendedores que aparecem do nada para gastarmos dinheiro ou para nos darem missões vazias, onde repetimos o mesmo, nos mesmos cenários da campanha para apanharmos loot. Ou então, para gastamos dinheiro real em roupas que apenas variam nas cores, emojis, avatares e ataques especiais…

Aguenta e não chora, é mais fácil.

Só compra quem quer. Sem dúvida, mas é o desplante de nos cobrarem dinheiro por este conteúdo quando o jogo nem terminado está. Tive bugs que me fizeram reiniciar os níveis, inimigos presos no ar, fatos que não carregavam, animações que não acompanhavam a voz, legendas que não correspondiam aos diálogos, quebra de fluidez durante ataques ou com muita confusão em jogo ou, durante as cutscenes, partes cortadas que me deixavam confuso se teria fechado os olhos por segundos. Parecia que alguém tinha cortado e colado a fita de um filme.
Uma pena. Uma pena porque consegui divertir-me na campanha e conhecer a jovem Kamala que se controla tão bem e fez-me lembrar o Luffy, de One Piece!
E mais, uma pena porque os nossos Avengers respiram talento! Adorei as vozes e os diálogos, quase a par com os filmes, mantendo aquele tom de comédia com seriedade. A banda sonora, para mim, é facilmente esquecida e genérica. Também não esperava algo ao nível do que o Alan Silvestri criou para os filmes, mas nenhum tema mexeu comigo ou me fez ver que estava diante de uma aventura épica. Minto, a Kamala ouve Sia! e alguns temas licenciados e referências estão brutais.

Após dez anos de filmes, é complicado não comparar e até apontei na antevisão que as personagens pareciam cópias de marca branca dos actores. Felizmente, posso dizer que durante as dez e poucas horas de jogo, consegui apreciar o que me tinham dado. Sim, continuam com designs genéricos, mas as vozes e o enredo deram-lhes vida própria e acabei por me afeiçoar a algumas. Ao passo que o elenco principal recebeu toda a atenção, as restantes personagens pareciam saídas de jogos da geração passada. E isso não é um problema só deste jogo, já o remake do Final Fantasy VII tinha caprichado nas principais e as secundárias pareciam modelos da PS2.
Para um jogo com quatro a cinco mapas, podiam estar melhores, mas os cenários são vazios, com os mesmos inimigos e os poucos desvios para explorar apenas levam a mais caixas e baús com loot. E às tantas pensei: porque raio andamos com o Hulk a apanhar equipamento se ele anda quase nu!? Ignorei esta mecânica, equipei tudo automaticamente e segui para bingo.
A dissonância neste jogo é incrível, não é? Parecem mesmo dois jogos num só – saímos de uma missão com um set piece brutal para esperarmos num lobby “online” enquanto não começa a próxima; há um cuidado em moldar as missões e separar os heróis pelos seus poderes e adversários (não podemos comparar um Hulk com uma Black Widow) para acabarmos num brawler medíocre, onde são todos iguais.
O jogo que a Crystal Dynamics se orgulha de ter criado, com um enredo épico de super-heróis e o jogo que a Square Enix estava sedenta de monetizar.

Este jogo ensina a ter paciência enquanto esperamos em loadings como este…

Antes de terminar, lembrei-me da Caixa de Pandora, de onde saem todas as coisas más, mas com a esperança a ser a última. Marvel’s Avengers é quase isso, tem muita coisa má e que precisa de ser trabalhada até valer o preço que pedem por ele, mas também tem coisas boas, potencial e vejo-o como uma promessa do que será daqui a anos.
Tal como os outros GaaS, este jogo só valerá a pena daqui a dois, três anos quando tiver mais conteúdo, quando os problemas tiverem sido resolvidos e quando estiver mais barato, principalmente isto. Enquanto o foco do estúdio passar por mexer com a OCD das pessoas para apanharem, abrirem e comprarem tudo em vez de trabalharem e refinarem o jogo, esqueçam-no.
Até que isso aconteça, aconselho a jogarem outra coisa e dar-lhe-ei a nota que nunca tive a Matemática, um:

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Bandai Namco.

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