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Banner of the Maid | GLITCH REVIEW

Viajámos até à Revolução Francesa, mas isto tem um aspecto demasiado animado para o que vai acontecer a seguir...

Há meses, desabafei por aqui que estava cansado de RPG tácticos, que me estavam a aborrecer e isso foi depois de um Wargroove, Fell Seal e Langrisser. Entre remakes e homenagens ao aclamado Final Fantasy Tactics, fiquei muito desiludido… e entediado. Decidi que não gostava de nenhum e temi não gostar do resto, de… Final Fantasy… Até que joguei Banner of the Maid, a estreia da chinesa Azure Flame Studio. Desconhecia a existência deste jogo e caiu-me no colo do nada – acho que apanhei um anúncio no Reddit e deve ter sido aí que o bicho mordeu. E sabem que mais? Adorei.

Agora não é preciso lerem o resto da análise porque já sabem o resultado, mas fiquei tão aliviado que caí em mim: o problema não estava no género ou na minha pessoa, mas nos jogos que joguei. Podem ser homenagens a isto e aquilo, mas sem alma ou identidade própria, não me valem de nada. E Banner consegue respirar originalidade e familiaridade em simultâneo, tanto que me deu gozo jogar por prazer e para escrever esta análise.

Dois contra três?

Para começar: chamou-me à atenção porque fugia do contexto medieval tradicional de um Fire Emblem, ou dos títulos mencionados, e abordava um período que não é costume vermos em jogos, ou pelo menos, eu nunca vi e se existem mais, eduquem-me (e sim, conheço Assassin’s Creed Unity)!
O jogo foca-se num período alternativo das Revoluções Francesas com laivos de fantasia, onde controlamos a irmã de Napoleão, a Pauline Bonaparte, ao comando do seu exército e que marcha contra os vários adversários da corte francesa. A ela, juntam-se outras personalidades reais, como Lafayette, Chevalier d’Éon, Desaix, Joséphine etc; outras do imaginário literário da altura, como Cosette Valjean, uma amálgama de duas personagens d’Os Miseráveis. Algumas podem nem ser contemporâneas uma das outras, mas o jogo não almeja fidelidade à História real, portanto fechamos os olhos e desfrutamos.
Ainda há espaço para a fantasia com os poderes das Maids, donzelas abençoadas com poderes divinos capazes de inspirar exércitos inteiros. Uma clara referência a Joana d’Arc e respectiva divindade. E não é que Pauline é uma das eleitas? Mon dieu! Fica a nota que também existe um RPG táctico sobre d’Arc para a PSP que ainda tenho de jogar, mas tudo a seu tempo…

Napoleão, Antoinette e Pauline. Prazer!

Banner of the Maid divide-se em duas partes: o modo história e as batalhas.
A primeira faz lembrar uma visual novel e foi a parte que menos me cativou. Apesar de o enredo e das personagens serem interessantes, cansava-me de olhar para os mesmos cenários estáticos, para as mesmas personagens de perfil estático e a ler diálogos num inglês com algumas gralhas metidas pelo meio. Nada que manchasse a experiência e nada contra os belos visuais do jogo porque são de uma qualidade bastante elevada, tanto que podíamos comparar as personagens no jogo às personalidades reais e a semelhança era incrível!, se bem que com uma “ligeira” sexualização… Ai Marie Antoinette
No entanto, apaixonei-me mais pela arte pixelizada e esperava mais momentos onde lhe dessem uso, e não em partes esporádicas da narrativa. Os dois estilos combinam muito bem e conseguiram criar um ambiente imersivo daquela época, com tons coloridos e vivos apesar de todas as conspirações e tensões que se viviam em Paris.

Há muito texto para ler, decisões a tomar e influências a ganhar – as conversas certas com as pessoas certas permitem ganhar favores dentro das várias facções francesas, recrutar novas personagens, abrir e expandir lojas ou desbloquear missões secundárias que oferecem outros bónus. Admito que desconheço se os vários caminhos bloqueiam os que ficaram por escolher ou se é uma falsa ilusão de liberdade. Seria engraçado se ao ganhar os favores da realeza, afastasse os jacobinos, mas todos adoravam-me! Vantagens de ser uma Maid toda giraça?
Muito e muito para ler; e um pormenor riquíssimo de as poucas vozes que se ouvem em combate estarem em mandarim, sem as alternativas inglesas ou japonesas. Este detalhe fez-me apreciar ainda mais o jogo e o respectivo contexto – Sim, está bem, podiam falar em francês, mas ouvir os gritos de guerra do elenco num idioma que não é usual nos jogos de vídeo deixou-me satisfeito e em nenhum momento me cansava de os ouvir a repetir os mesmos comandos, talvez por não entender o que diziam?

Bem, parece ser uma batalha justa…

Depois, o combate: Banner of the Maid não faz por menos e abre com três modos de dificuldade, Story, Normal e Difícil – optei pelo Story para esta análise e, mesmo assim, deparei-me com alguma dificuldade, mas porque eu sou totó e adoro complicar as coisas.
As batalhas não são longas, o que aumenta a longevidade é a insistência em não permitirem avançar os turnos dos inimigos!, sério: ou estou mal habituado com Fire Emblem ou estou na minoria que não aguenta olhar para o ecrã durante minutos enquanto os adversários fazem as suas jogadas. Apesar de podermos ajustar a velocidade dos movimentos e desactivar as animações, agradecia esta opção e lidar com as consequências no meu turno.
As missões conseguiam ser variadas para além do básico matar tudo o que mexer. Havia capítulos onde tínhamos de interceptar o líder inimigo, meter conversa com conspiradores ou aliados, iluminar o mapa para revelar o adversário escondido ou… tocar música para animar a batalha. Alguns destes objectivos acabavam por ser secundários ou desafios adicionais, mas são condimentos que dão sabor a um prato que vamos repetir.

De novo: jogaram um RPG táctico, jogaram a quase todos e o combate aqui não é a última bolacha do pacote, mas é uma bolacha muito boa que copiou dos melhores no género. Apesar de movermos as personagens, não são elas a participar nos confrontos. Como bons generais, transmitem as ordens aos soldados que atacam ou defendem consoante os turnos; o sistema de pedra-papel-tesoura está presente, com um elemento a sobrepor-se a outro – por exemplo, temos a cavalaria pesada com vantagem sobre a cavalaria ligeira (a título de curiosidade: o detalhe de o poder de ataque da cavalaria pesada aumentar consoante a distância percorrida).
As classes familiares dos jogos de fantasia estão também aqui: podemos não ter arqueiros, mas temos a infantaria com mosquetes ou com artilharia pesada e os magos passaram a músicos, tocando para curar e aumentar a moral do exército.
Podemos equipar os generais com armas, itens com diversos atributos e vinhaça para aumentar a moral ou carcaças para recuperar energia; podem aprender habilidades e equipá-las e promovê-los a partir do nível 15. Depois, os poderes das Maids que afectam os soldados e restantes generais de várias maneiras.
As variações de terreno, as condições atmosféricas e de iluminação influenciam as batalhas que não são lineares. A qualquer momento, tudo pode mudar; e se deixarem um tesouro durante algum tempo, é bem provável que surjam bandidos para ajudar à festa, virando tudo do avesso!

Allez!

Dito quase tudo, Banner of the Maid é um jogo que vai agradar aos fãs dos RPG tácticos e aos amantes da História, principalmente daquele período.
Apesar das muitas liberdades artísticas tomadas, as fundações estão lá e até alguns episódios “mais engraçados” como o do colar de Marie Antoinette ou as cartas de Josephine na forma de sidequests.
Quando pego num jogo mau, menciono o preço para o evitarem ou esperarem por uma promoção, mas não há como dar a volta aqui: Banner of the Maid custa apenas 17 euros! Para a quantidade de conteúdo, horas de jogo e de diversão, 17 euros é quase oferecido. E até podem aprender qualquer coisa, tanto que comecei a ler mais sobre a revolução.
Eu não sei se a Marie Antoinette disse mesmo para comerem bolo se não tiverem pão, mas não havendo um Final Fantasy Tactics na Switch, joguem mas é este!
Mais do que recomendado, pelo menos da minha parte que não me pagam para vos mentir, portanto confiem em mim!

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (NS) foi cedido pela CE-Asia Marketing Department.

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