PÔR OS PÍXEIS NOS I'S

Um ano com a Xbox One

Um olhar sobre a consola da Microsoft, as suas vantagens e desvantagens.

Um aviso: nunca fui fã da Xbox. Os meus amigos nunca tiveram uma Xbox ou demonstraram interesse em apostar nas consolas da Microsoft. Vivi rodeado por fãs da Sony, da SEGA e da Nintendo, mas nunca da Xbox, numa época onde ser-se dono de uma consola significava poder trocar jogos e pertencer a um grupo. Todos passámos por isto, pela cultura da comunidade, da pertença. Com o tempo, mudaram-se as vontades e despertei deste ambiente de fanatismo e de rivalidades, e vi-me, depois do meu primeiro emprego, a adquirir a Xbox original, que acabei por adorar. A Xbox 360 veio a seguir, uma surpresa dos amigos, mas foi uma relação curta, vítima de RROD, uma prenda envenenada pelo tempo. Seis anos depois, não resisti e adquiri uma Xbox One, uma consola, dizia a internet, que estava morta, acabada, sem futuro. Um ano depois, vejo duas possibilidades. Vamos por pontos.

A Consola

A compra foi impulsiva, admito. Vi uma promoção, fiz as contas e decidi atirar-me de cabeça. O David acompanhou esta compra ao longe, onde saltitei da Xbox One original para a One S, em busca do melhor preço. Trouxe a One S para casa e posso dizer que foi a melhor escolha. Adoro o design da consola, a sua simplicidade, até o seu som de início. É uma consola que encaixa em qualquer divisão da sala, seja num móvel, escondida, ou há vista de todos. É elegante, na minha opinião, conseguindo reduzir o tamanho absurdo do modelo original para dar aos jogadores uma beleza incontornável. Talvez seja um exagero, mas adoro simplicidade nas consolas e a Xbox One S dá-me exatamente isso.

O branco também funciona com o design minimalista e dá-lhe um tom mais moderno e, ao mesmo tempo, modesto que aprecio.

Fora o design, tenho de destacar o silêncio. Seria impossível não o fazer. A Xbox One S é a consola mais silenciosa da minha consola. Nem a Nintendo Switch, que ouvi recentemente (graças a Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise) a gritar pela sua vida, é tão silenciosa. Mesmo com jogos mais exigentes, a One S mantém-se em silêncio, em harmonia com o ambiente e evita sustos de refrigeração que a PS4, por sua vez, dá-me constantemente. O facto de ser um modelo mais recente afeta, como é óbvio, o seu desempenho, mas é importante reforçar que a Microsoft decidiu melhorar este problema do modelo original e dar aos jogadores uma experiência mais calma e suave. Infelizmente, não pude experimentar as funcionalidades 4K, mas fica o apontamento que existem.

O Comando

Não estou totalmente convencido com o comando da Xbox One. Talvez as minhas mãos estejam demasiado habituadas ao DualShock, a qualquer um dos seus modelos, e estranhem quando pegam num comando mais largo e com um layout diferente do normal. No entanto, o mesmo não aconteceu com o comando da Xbox 360, um verdadeiro clássico, o que me leva a acreditar que o problema está, de facto, na aposta da Microsoft para a geração atual. Mas o que me afeta a experiência? Os gatilhos não são tão sólidos como na 360, são mais esponjosos – um pouco como no DualShock 4, que também não me convencem a 100% –, e os analógicos são mais rígidos, não tão suaves e precisos. Quando jogo, não me sinto em controlo da mira, os analógicos não são responsivos. Talvez tenha azar com o meu comando, mas há algo que me deixa de pé atrás sempre que tento jogar algo mais exigente.

No entanto, gosto do design e o posicionamento dos botões nunca me afetou. Aliás, eu aprecio a posição dos analógicos e sinto que são mais confortáveis que no DualShock, algo que se comprova, por exemplo, no Controller Pro da Nintendo Switch. Tal como a consola, o comando da Xbox One aposta na simplicidade, num design mais direto e sem funcionalidades extras e descartáveis. É um comando de videojogos e assume-se como tal.

Há a possibilidade de personalizarem os vossos comandos e o modelo Elite, que, presumo, resolve grande parte dos problemas que aponto.

Mas há um grande problema, algo que não consigo desculpar depois de um ano de utilização: a aposta em pilhas. Não consigo conceber, por mais que a Microsoft explique, como esta decisão poderá favorecer os utilizadores. As baterias podem estagnar com o tempo e criar memórias de carregamento, mas são mais cómodas e viradas para os utilizadores do que a necessidade constante de trocar e comprar pilhas. Podemos, como é óbvio, apostar em pilhas recarregáveis, mas nesse sentido, é quase o mesmo que ter uma bateria interna – logo, porque não apresentar essa funcionalidade de início? Infelizmente, a Xbox Series X manterá está aposta.

UI

Não posso dizer que era fã do design do Windows 8, mas apreciava o layout e as suas ideias. O meu primeiro smartphone foi um Windows Phone, que adorava, e consigo perceber as vantagens das telhas, mas o tempo não foi simpático para o sistema operativo. A Xbox One ainda tem réstias desta aposta da Microsoft no seu UI, mas as atualizações mais recentes parecem preparar-nos para o futuro, algo que aprecio.

Sinto-me, no entanto, dividido. Se, por um lado, acho o design da Nintendo Switch demasiado simples, por outro, continuo a sentir que a Microsoft adorou complicar a sua consola desde o início, oferecendo mais menus, mais funcionalidades e mais opções. No fim, temos um sistema que é simples ao focar quase tudo numa janela, mas igualmente complexo em ações tão banais como “trocar de categoria” ou “visitar a loja digital”. Com prática, tudo se consegue, mas é um UI mais intimidante que os da concorrência.

O UI evoluiu ao longo destes setes anos, mas a aposta em funcionalidades e num público mais casual ainda são visíveis. Nunca experimentei esta versão do UI, mas é como olhar para uma janela no passado.

Tenho de louvar a sua determinação em dar “mais e melhor” aos consumidores, mas penso que algo se perdeu. Um ano depois, não me sinto completamente à vontade com os menus e perco-me facilmente nas definições e loja. O menu rápido é fantástico e consegue dar-nos acesso a todas as opções mais importantes, algo que aprecio. A rapidez com que entramos e saímos de um jogo também é impressionante, e gosto muito do sistema de standby dos jogos, onde podemos deixar um jogo em suspenso, desligar a consola e voltar exatamente onde estávamos. Eu sei que a Nintendo Switch faz o mesmo, mas tenho de destacar uma funcionalidade que encurta os tempos de esperar e que pensa nos utilizadores. Fica a ressalva que o UI vai ser atualizado em breve.

Videojogos

A Xbox One nunca encontrou um lugar sólido no mercado, muito por causa da sua falta de exclusivos e de parcerias de peso. Este era o ponto que me preocupava quando adquiri a consola, mas a minha vontade em descobrir os seus exclusivos, como Sunset Overdrive e a série Halo, levou-me a arriscar. Não estou arrependido, mas por um motivo muito simples: o Xbox Game Pass.

O PlayStation Now pode ter um catálogo maior e oferecer quase 700 jogos, algo que a Microsoft não consegue rivalizar, mas o Xbox Game Pass assume-se sempre como a melhor aposta entre os dois. Porquê? Será pelo seu catálogo? Ou pelo seu valor? É uma junção dos dois, mas não só. Em preço, é um serviço muito mais competitivo e focado no consumidor, oferecendo um catálogo extenso – não tanto como o do Now, é certo – por um valor muito mais acessível (se não apostarem no Ultimate). Se o preço é mais competitivo, podemos dizer que a sua biblioteca de jogos é incomparável. Não são os números que lhe dão o destaque, mas sim a qualidade. Para além dos exclusivos, o Game Pass oferece vários jogos no seu lançamento, algo que a Sony não consegue rivalizar. É brilhante saber que posso jogar algo sem ter a pressão de comprar e descobrir jogos como Void Bastards, Ashen (antes da sua saída), The Outer Worlds ou exclusivos como Halo Infinite no seu lançamento, sem valor acrescido. É descarregar e jogar. E isso é impressionante.

O serviço de subscrição parece ser o futuro da Xbox e a Microsoft tem feito um excelente trabalho no sue catálogo. Falta chegar a mais utilizadores e aproveitar a chegada da nova consola para garantir o sucesso permanente do serviço.

Neste ano, joguei um pouco de tudo e sinto que a compra já foi mais que justificada, mesmo com a chegada iminente da Series X. A minha curiosidade levou-me a jogar Halo: The Master Chief Collection, e a terminar alguns dos Halo que me faltavam; Gears 5, Control, Ryse: Son of Rome. Mas não ficamos por aqui. Com a retrocompatibilidade, a Xbox One S deu-me a oportunidade de descobrir o catalogo da Xbox e da Xbox 360 e não perdi tempo em comprar alguns dos jogos de destaque, como Alan Wake, Condemned: Criminal Origins, a série Splinter Cell, Lost Odyssey, The Darkness, entre outros. E ainda há muito para descobrir.

Futuro

Apesar de estar satisfeito com a minha compra, e de concluir que a Xbox One S é uma consola que merece estar na vossa coleção, a verdade é que o futuro assemelha-se incerto. A Microsoft quer continuar a apoiar a consola e não existem dúvidas que o Xbox Game Pass vai continuar a receber exclusivos e third-parties durante os próximos anos, mas acredito que o foco vá mudar mais rapidamente do que prevemos. A Xbox One é, infelizmente, um pequeno flop que vive ligada à máquina, ao Xbox Game Pass, e acredito que a Microsoft está desejosa de começar do zero, numa nova geração e com uma consola muito mais poderosa e apetitosa. Os primeiros sinais já começam a ser vistos, com Phil Spencer a admitir que o foco está agora na Xbox Series X e que a opção de lançamentos na Xbox One está nas mãos dos estúdios e não da Microsoft – logo, não existem exigências.

Este futuro incerto faz todo o sentido: é a ordem natural da indústria e o seu modus operandi. Não há muito que possamos fazer senão aproveitar o seu catálogo injustamente esquecido e continuar a descobrir títulos que se arriscam a ficarem perdidos no tempo. Num ano, não consegui ver nem metade do que a Xbox One tem para oferecer e isso enche-me o coração. Ainda não joguei Halo 5: Guardians (desculpa, David), Quantum Break, Sunset Overdrive e Rare Replay. Nunca mais regressei a Sea of Thieves, State of Decay 2 e ainda nem experimentei Grounded, que saiu recentemente. Para mim, a Xbox One S ainda tem muita vida. Resta saber se terá para a indústria e para a Microsoft.

Doze meses depois, estou satisfeito.

5 comentários

  1. Bom artigo João! Nunca pensei ver um artigo tão “técnico” da tua parte. 🙂

    Eu adquiri a Xbox One S em 2016, mesmo antes de sair o Gears 4 e o Forza Horizon 3. Não consegui aguentar a uma promoção que existia na altura e oferecia um segundo comando. Mais difícil ficou quando os dois exclusivos que disse estavam apenas a um mês de serem lançados. Apesar da sua utilização ser algo reduzida, é mais Game Pass (o qual é excelente), também não me arrependo nada de a ter adquirido. Na verdade, tive tentado recentemente com a One X quando esteve em promo há umas semanas, principalmente com a versão do Cyberpunk. Felizmente, ou infelizmente, acabei por resistir. Acho que vou ficar na linha lateral à espera que sejam revelados os preços das novas consolas para decidir se vale a pena ou não investir numa One X.

    Continua o bom trabalho. 😉

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    1. Obrigado!
      Bom, nós temos sempre o incentivo por causa das análises e a Xbox One tem a vantagem do Game Pass. É mesmo um serviço impressionante. Já não consigo ir à One X, é o meu limite! Mas é uma consola apetecível, especialmente se já tivermos uma TV 4K. No entanto, é também uma oportunidade perdida. Parece que a MS não soube o que fazer com a “consola mais poderosa do mercado”. Esperemos que o Round 2 corra melhor!

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      1. Sim, também acho que a “consola mais poderosa do mercado” acabou por não se ver em ação nesta geração, mas esperemos que isso mude brevemente para o belo prazer e satisfação de todos nós jogadores.

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  2. Bom, esqueci-me a dizer uma coisa. Quando disse “Nunca pensei ver um artigo tão “técnico” da tua parte.”, isso é porque foi um texto algo diferente do teu habitual discurso mais solto. Não de todo que este artigo seja mau obviamente! Muito pelo contrário! Achei por bem mencionar isto. 😉

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    1. Não te preocupes! Eu percebi ahah. Acho que tenho um estilo muito próprio na escrita e isso reflete-se na minha abordagem a certos temas. Quando assumo um tom mais seco, direto ou técnico, é normal sentir-se a mudança.

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