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CrossCode | GLITCH REVIEW

Uma viagem até ao passado e um RPG imperdível para os fãs do género.

CrossCode acaba de chegar às consolas, onde devia estar desde o seu lançamento. O RPG de ação da Radical Fish Games é excelente em qualquer plataforma, não me interpretem mal, mas há algo de mágico na sua chegada às consolas, uma certa nostalgia que se apodera de nós quando navegamos pelos seus cenários coloridos, muito próximos dos clássicos de 16 bits, e descobrimos mais sobre o seu mundo. Até certo ponto, CrossCode é um videojogo de verão, de férias, onde nos perdíamos durante horas em frente à televisão e descobríamos novos amigos e mundos sem preocupações.

Até no seu conceito e narrativa, CrossCode transporta-me rapidamente para o passado. Tal como a série .Hack, o título da Radical Fish Games funciona como um jogo dentro de um jogo, levando-nos a descobrir o MMO CrossWorlds, à medida que desvendamos mais sobre o passado de Lea, a nossa Avatar. CrossCode mune-se dos clichés do género, como o mundo misterioso e a personagem amnésica, mas consegue criar a sua própria identidade à medida que descobrimos novos aliados, vilões e este mundo virtual repleto de beleza. O sentido de humor é um dos seus pontos positivos, juntamente com a boa disposição das suas personagens, e apesar de não surpreender, vi-me constantemente transportado para uma época passada, clássica, mas reconfortante, onde a narrativa se queria simples, direta e compreensível, sem pretensiosismos.

Como um MMO, CrossCode tenta imitar um mundo vivo repleto de jogadores e NPCs, dividindo-se por zonas distintas e contando com cidades e outras secções seguras onde podemos encontrar lojas, missões secundárias e novas personagens. Destaco o mercado, tal como vemos em tantos MMOs, onde jogadores fictícios tentam vender e trocar os seus bens, motivando-nos a encontrar mais recursos que nos possibilitem ter acesso a armas e equipamentos mais poderosos. E tal como num MMO, o mundo do jogo é exponenciado por uma exploração muito intuitiva, convidativa e repleta de caminhos alternativos, itens escondidos e uma aposta muito interessante em sequências de plataformas, onde podemos contornar partes dos cenários para atingir pontos mais altos.

Existem muito itens espalhados pelos cenários e é necessário saber ler o seu designe navegar as plataformas para os encontrar. Há sempre um caminho alternativo à nossa espera.

A aposta nas plataformas tem repercussões em quase todos os aspetos da jogabilidade, abrindo novas opções de combate. Podemos mudar de plataformas, descobrir pontos de ataque e utilizar a verticalidade a nosso favor, algo que é possível graças ao controlo e mobilidade excelentes de Lea. CrossCode é tão intuitivo, fluído e fácil de jogar que se torna viciante, não sendo indicado, pela minha experiência, a sessões curtas de jogo. Quando regressam a este MMO disfarçado, preparem-se para perder umas boas horas.

Se a mobilidade, a exploração e as plataformas colidem para nos dar a primeira parte de CrossCode, a aposta em quebra-cabeças representa a segunda e a mais inesperada deste RPG de ação. À medida que exploramos e encontramos novas masmorras, somos desafiados por puzzles de lógica e de destreza que requerem a navegação por plataformas ou a utilização dos poderes de Lea para acionar alavancas e interruptores. Apesar de não serem extremamente difíceis, são uma presença forte na jogabilidade e há uma evolução no seu design que os mantém frescos e aliciantes. A utilização do cenário, na maioria dos puzzles, é um dos aspetos mais positivos desta aposta mecânica, existindo um sistema de ricochete no jogo, e é incrível analisar e concluir que a sua inclusão não condiciona o ritmo da campanha: antes pelo contrário, enaltece-a ao injetar uma maior variedade de desafios. Em alguns momentos, não consegui não pensar em clássicos como Alundra à medida que explorava o mundo do jogo.

Existe ainda um sistema de ranking que nos motiva a continuar em combate. Ao combatermos, podemos aumentar um rank dos confrontos e ter acesso a mais pontos de experiência e melhores itens. No entanto, o ranking funciona como o sistema de “combo” e se não lutarmos, volta ao zero.

Mas CrossCode é um RPG de ação e sem um bom sistema de combate, a sua experiência cairia por terra. É aqui que surge a última fatia do bolo, a terceira e mais importante parte do jogo, que é a sua aposta num sistema de ação variado e igualmente desafiante. A Radical Fish Games dividiu o combate em duas partes: combate corpo a corpo e ataques à distância. Como uma Spheromancer, Lea tem a possibilidade de combinar estes dois tipos de ataque, alternando entre projeteis, funcionando quase como um twin-stick shooter, e a utilização dos seus punhos para disferir ataques rápidos. Com habilidades desbloqueáveis, através de uma árvore de atributos, o combate de CrossCode é variado e frenético, obrigando-nos a estar constantemente em movimento à medida que controlamos os grupos de inimigos que encontramos na nossa aventura. A combinação entre ataques é essencial e se um monstro é fraco a ataques físicos, outro poderá necessitar de uma abordagem diferente, por isso é necessário não recair sempre sobre a mesma estratégia e variar o tipo de habilidades que utilizamos.

As batalhas contra bosses são vistosas e muito mais desafiantes, algo que seria de esperar. No entanto, CrossCode consegue juntar as suas três partes nestas batalhas destrutivas, exigindo ao jogador que não só utilize as suas habilidades de combate, mas que navegue o cenário em busca de vantagens e resolva os pequenos puzzles associados aos pontos fracos de cada boss. As batalhas dividem-se por fases, uma mais difícil que a anterior, e relembram títulos como The Legend of Zelda, Trials of Mana e o já mencionado Alundra. É, mais uma vez, no seu classicismo que CrossCode nos agarra e é nos seus pequenos desvios à fórmula clássica, como a aposta em missões secundárias e numa maior personalização de habilidades e equipamentos – mantendo a aposta num sistema de evolução por níveis –, que nos apaixona.

A aposta na nostalgia continua nos gráficos e na banda sonora, com a Radical Fish Games a captar o melhor dos 16 bits. Os sprites, os cenários coloridos e variados, e as composições alegres, cheias de ritmo e com um lado eletrónico apetecível, dão origem a este cocktail entre o clássico e as sensibilidades atuais do género. As pequenas animações dos modelos e dos cenários, os efeitos sonoros que pontuam cada ação, as cores vivas e fortes, as diferenças cosméticas entre os vários inimigos e zonas do mundo – este é um jogo que irá mexer com os vossos sentimentos. No entanto, nem tudo é perfeito e tenho de destacar negativamente os retratos das personagens durante os diálogos. Apesar de oferecerem várias reações visuais para cada modelo, o desenho não é o mais apelativo e servem apenas a sua função mais básica: contornar a ausência de voz e transmitir alguma emoção aos jogadores.

Se são fãs do género e não aproveitaram o lançamento no PC – ou não foram abençoados, como eu, com um que funcione para além de 2005 –, não deixem passar CrossCode nas consolas. A Radical Fish Games trouxe-nos um RPG de ação viciante, profundo e igualmente desafiante, conseguindo conciliar exploração com combate e a resolução de puzzles. Não deixem passar este futuro clássico.

A escala utilizada é de 1 a 10

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