ESPECIAIS

O Melhor de 2020 – Primeira Metade

Os últimos seis meses foram estranhos, intensos e surreais, mas os videojogos compensaram com alguns lançamentos imperdíveis.

“2020 está cancelado”, é este o sentimento com que chegamos a julho. Depois da ameaça da Terceira Guerra Nuclear, de terramotos, crises financeiras e da pandemia que promete moldar para sempre o mundo, sentimo-nos como soldados feridos no final de uma longa e desnecessária batalha. Mas nem tudo foi mau. A indústria do entretenimento tem vindo a reorganizar-se e se o cinema está a tentar moldar-se à atual realidade, os videojogos encaixaram perfeitamente neste mundo em isolamento, registando uma subida interessante nas vendas digitais.

Os primeiros seis meses de 2020 foram caóticos, mas igualmente reconfortantes graças ao poder dos videojogos. Em seis meses, vimos o lançamento de alguns dos melhores títulos desta geração, alguns muito aguardados, outros totalmente inesperados, num pacote surpreendente que ainda promete ser mais apetecível com a chegada das novas consolas. Para celebrar o final da primeira metade deste ano do diabo, aqui ficam os melhores videojogos que joguei até junho.

Journey to the Savage Planet

É difícil acreditar que viajei até ao planeta selvagem no início do ano. Parece que passaram décadas desde que embarquei nesta aventura espacial e descobri a sua campanha divertida, repleta de humor e com uma estrutura próxima de um metroidvania na primeira pessoa. Journey to the Savage Planet é um dos jogos mais diretos e honestos que joguei em 2020, sem pretensões de grandiosidade ou de mecânicas inovadoras, focando-se na sua simplicidade para nos dar 10 a 12 horas de pura diversão e humor. A não esquecer.

Dreams

O primeiro grande – e quase perfeito – lançamento de 2020 aconteceu em fevereiro, com a MediaMolecule a largar no mundo o maior e mais intuitivo editor de videojogos que alguma vez joguei. Editar, criar, jogar e descobrir: assim são os lemas e verbos que acompanham Dreams. O exclusivo da PS4 continua a fascinar pelas suas possibilidades e pelas portas que abre a jovens criadores por todo o mundo, com o leque de videojogos e experiências a crescer de mês para mês. Não tenho dúvidas que Dreams será um dos meus videojogos favoritos da geração e uma presença constante na minha PS4.

House Flipper

Não têm de compreender o meu amor por este simulador de remodelação, até certo ponto, nem eu compreendo a forma como me conquistou, mas a verdade é que House Flipper apareceu na melhor fase possível. Enquanto alguns jogadores – os mais sãos e inteligentes – se perdiam em Animal Crossing: New Horizons, eu passei o primeiro mês de isolamento a remodelar e a decorar casas num jogo feio, desinteressante e muito limitado que me deixou rendido à sua fórmula sólida. Ainda hoje, mesmo já livre do seu feitiço, continua a marcar presença nas minhas horas de jogo.

DOOM Eternal

Depois de um remake histórico, DOOM tornou-se eterno; mais do que já era. Piadas fáceis à parte, a id Software parece ter feito o impossível e deu-nos uma sequela que é, na minha opinião, uma evolução clara do que vimos em 2016. Mais armas, mais opções de combate, mais mobilidade e até mais narrativa: mais e mais e mais. A banda sonora de Mick Gordon, agora afastado da franquia, mantém a aposta na ação frenética, colidindo sonoridades pesadas, desde black metal ao rock, com coros e cânticos. É indescritível. O modo online é, no entanto, uma enorme desilusão e totalmente descartável, e existem, devo mencionar, alguns problemas de ritmo na campanha, mas é imperdível para os fãs do género. Falta saber como será a sua expansão.

Resident Evil 3

Antes de The Last of Us Part II e da sua polémica em torno de e expetativas não correspondidas, existia Resident Evil 3. Depois de um remake absolutamente arrebatador, a Capcom levou-nos de volta a Raccoon City com uma nova perspetiva sobre a fuga de Jill Valentine e do seu confronto com o monstro Nemesis. Digo nova perspetiva e não remake porque, até certo ponto, é o que Resident Evil 3 é: uma reinterpretação dos acontecimentos do original e não a sua adaptação direta. A nova versão tem um ritmo mais frenético, focado e desenvolve uma campanha que é, na minha opinião, muito mais cativante do que a original. Resident Evil 3 é de colocar o coração aos saltos, curto, mas com uma longevidade perfeita para os fãs da série (conquistei o troféu de platina com quase 30 horas), e mais um excelente capítulo desta nova e revigorada Capcom.

Final Fantasy VII Remake

Durante horas, duvidei deste regresso a Midgar. Apesar de adorar o sistema de combate e a remodelação visual da cidade que tantas vezes visitei na adolescência, havia algo que me afastava a cada passo que dava. A presença de Sephiroth desde o início da campanha, a existência dos fantasmas que perseguiam Cloud e Aerith, o exagero de alguns momentos narrativos e a sua expansão artificial: parecia faltar algo. E depois, quando menos esperava, deparei-me com Cloud a fugir com Aerith pelo telhado da igreja, o ritmo acalmou, a banda sonora preencheu o ambiente e eu simplesmente fiquei rendido. Em poucos minutos, senti-me novamente como um adolescente a descobrir Final Fantasy VII pela primeira vez; tudo fez sentido. Para a minha surpresa, adorei até o final. Faz sentido? Não muito. É preocupante? Sem dúvidas. Mas é tão arriscado e inesperado que me deixei levar pela sua loucura. Que venha a Parte 2.

Ion Fury

Os primeiros seis meses de 2020 foram, na verdade, uma constante viagem ao passado. Depois de DOOM Eternal, o meu amor por jogos na primeira pessoa foi novamente revigorado com a chegada de Ion Fury às consolas. O título da Voidpoint regressa à década de 90 com o Build Engine, que nos trouxe Blood e Duke Nukem 3D, conseguindo captar o design e jogabilidade clássicas do género. Os níveis são extensos, repletos de segredos e inimigos, e a ação é imparável, com Bombshell a atirar one liners à medida que desintegra os ciborgues de Dr. Jadus Heskel. É louco, divertido e desafiante.

The Last of Us Part II

Passaram semanas desde que terminei The Last of Us Part II pela primeira vez. Depois de escrever a análise, de falar com amigos sobre os temas da campanha e de me enervar com a cultura de ódio em torno do seu lançamento, vi-me a terminar o título da Naughty Dog pela segunda vez. Fiquei de coração cheio. A viagem de Ellie e Abby continua tão presente como no primeiro dia, com alguns dos momentos de estória a manterem o seu impacto emocional. As últimas horas são um murro no estômago, um desconforto que não conseguirei afastar tão cedo e que revelam a coragem e determinação da equipa em dar aos jogadores algo novo e pouco convencional. Felizmente, a discussão em torno de The Last of Us Part II é cada vez mais construtiva, positiva ou negativa, e sinto que é um jogo que merece ser discutido e analisado durante muito tempo. Semanas depois, consigo dizer finalmente que suplantou o original.

Disaster Report 4: Summer Memories / Pathologic (PS4)

Antes de concluir a lista e passar para as menções honrosas, tenho de destacar dois dos títulos mais estranhos e fascinantes que joguei este ano. O primeiro, Disaster Report 4, é um desastre técnico e de design que atinge um charme e criatividade inacreditáveis, levando-nos num regresso ao passado através da sua jogabilidade datada, mas cuja ambição se torna ternurenta. O segundo, Pathologic 2, que chegou este ano à PS4, é um dos jogos mais complexos, duros, implacáveis e inteligentes que irão encontrar nesta geração. Infelizmente, é um título também atingido por graves problemas de desempenho nas consolas, mas não percam a oportunidade de descobrir algo verdadeiramente novo e intenso.

Menções honrosas

  • Huntdown
  • Xenoblade Chronicles: Definitive Edition
  • Trials of Mana
  • Tokyo Mirage Sessions #FE Encore
  • Pathologic 2 (PS4)
  • Ys: Memories of Celceta

3 comentários

  1. A coisa mais relevante que o TLOU2 nos trouxe foi um expose nos reviewers tradicionais. Sinceramente estava á espera de melhor. Não sei como é que se consegue dar uma pontuação perfeita mas pronto…

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    1. Bem, são sempre opiniões. Eu adorei o jogo e tu não. As duas perspetivas são válidas. Não sei se concordo tanto com o “expose” dos reviewers tradicionais, pois é uma espada de dois gumes: as críticas tecidas aos meios convencionais são aplicadas a muitas críticas que li e vi dentro e fora do YouTube. É tudo uma questão de perspetiva.

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