ESPECIAIS

Yakuza 3 – Retrospetiva Yakuza

No sexto mês do ano, no quarto artigo, o André fala agora do terceiro Yakuza.

Na quarta entrada da retrospectiva Yakuza, vamos ao terceiro jogo – Yakuza 3 ou como tudo deu para o torto.
A sério, as prequelas tinham acabado em grande na Playstation 2 e este seria o primeiro jogo na Playstation 3! Podiam fazer de tudo na Playstation 3, mas o que devia ser um estouro foi apenas um suspiro – pelo menos, fora do Japão. Mas eu gostei do jogo, admito.

A história do terceiro capítulo começa em Okinawa, no orfanato Sunshine ou Morning Glory. Parece que as equipas de tradução não queriam ligações ao Club Sunshine, então acharam que um nome que remete para ereções fosse melhor para um orfanato. Tendo crescido num, Kiryu assumiu a gestão do espaço e através dele, conhecemos as restantes crianças que vão crescendo nas sequelas assim como a nossa Haruka. Ah, também há um canito por ali. A primeira parte do jogo é quase um simulador de orfanato onde atendemos às necessidades das crianças e se o jogo fosse só isso, um tipo durão a cozinhar e a fazer recados aos putos, seria perfeito, mas tinha de acontecer algo e o algo é um enredo político que envolve a aquisição do terreno do orfanato, corrupção política, a CIA e irmãos gémeos. Escrito assim, até parece mais uma história genérica de um filme de domingo à tarde, mas tirando alguns detalhes, gostei. Talvez mais do que do quarto jogo, mas isso fica para julho. Achei a história mais real face a um segundo jogo frenético, a roçar o fantástico. Tirando aquela parte, onde uma personagem atira um touro pelo ar, mas…

Bae.

Ei, era uma nova consola numa antiga nova geração, um novo Yakuza e a porta aberta para se fazerem coisas fantásticas, mas se isso aconteceu no Japão, o ocidente teve nhecos. Um Yakuza censurado, retalhado e tão básico como fiambre de marca branca; serviu para matar a fome, mas não aqueceu nem arrefeceu, existiu. E se as prequelas tiveram dificuldade em manter-se à tona no nosso mercado, o três neste estado não veio ajudar à festa. Aliás, foi o início de um fim para Yakuza. A partir do terceiro, os lançamentos das sequelas tornaram-se incertos, movidos à base de petições e de muito choro. E havia vários culpados neste cenário, os jogadores que não compravam; os retalhistas sem unidades suficientes ou a SEGA que fazia um trabalho de marketing miserável. Joguei este Yakuza após uma longa pausa na série, já tinha uma PS4, já tinha jogado o Zero, o Kiwami, o Kiwami 2 e disse para mim que era agora ou nunca. Como tinha todos no famoso backlog, não fui de meias medidas e joguei-os de enfiada. Reduzi a dificuldade para desfrutar da história e lá fui eu.

E repito: gostei mesmo deste jogo. Tivemos boas personagens, bons momentos passados com elas e partes mais tristes. Mas, e ao mesmo tempo, partes em que podiam ter feito melhor, mas que fugiram com o rabo à seringa para forçar um pseudo final feliz. E aquele sósia do Albert Wesker?
Em termos de mecânicas, Yakuza 3 introduziu várias: perseguições, onde andamos atrás de gatunos, a desviar de obstáculos com QTE, para lhes dar lambadas e as Revelations, onde o Kiryu tira fotos a situações caricatas para aprender habilidades novas – mecânica que continuou em vários jogos e com resultados cómicos. E ver o Kiryu a ser infoexcluído com um telemóvel nas mãos é hilariante. Também podemos usar a visão em primeira pessoa. Se olharmos para alguém durante muito tempo, é bem possível que fique chateada ao ponto de nos bater.
Depois, temos tudo o que tiraram: missões secundárias, minijogos e um clube de acompanhantes. A justificação? Tempo ou que os ocidentais não iam compreender como um quiz de cultura japonesa. Ei, pessoal, se estamos a jogar um jogo que transpira cultura japonesa, talvez esse quiz tivesse sido excelente, não?Mas tudo voltou no remaster da PS4. O que não voltou no remaster foi a secção transfóbica que não fazia sentido no jogo original e muito menos neste. O estúdio reconheceu que foram longe demais e que já não representava a sua visão. Ei, há que crescer, não é?

É tudo uma brincadeira até nos magoarmos a sério.

Mesmo tendo jogado este Yakuza 3 muito tempo depois de ele ter saído, já lhe conhecia a fama, principalmente quando li o excelente artigo que irei deixar a seguir, onde um jornalista americano, focado na vida criminosa dos Yakuza, fez com que três yakuzas jogassem a este jogo. Os comentários e as comparações não demoraram, mas as conclusões é que… hm, talvez seja melhor lerem aqui para não estragar nada.
Escrito tudo isto. Yakuza 3 soube-me a filler entre dois capítulos grandes de uma série, mas um filler de qualidade. Aquele jogo que apesar de ser o terceiro é quase o primeiro por estar numa consola nova e isso nota-se porque depois a série começou a apostar no maior e no melhor, mas o melhor foi relativo. Mas falaremos no próximo artigo.

Até já!

1 comentário

  1. Depois de ter jogado o Zero (que é excelente!) e o Kiwami 1 e 2, estou um pouco relutante em comprar o 3 por parecer datado.
    Acho que vou esperar por um desconto, mas é bom saber que a história vale a pena.

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