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Bug Fables: The Everlasting Sapling | GLITCH REVIEW

Apesar do seu charme, esta vida de inseto não foi a surpresa que se esperava.

Cuidado com o que desejam!
Estava ansioso, curioso, reticente, e outros adjectivos, com este Bug Fables: The Everlasting Sapling. O zumbido à volta do jogo é que seria um Paper Mario da velha guarda, com toda a nostalgia e mecânicas, mas sem o Mario. E sem o papel, pareceu-me.

As séries Paper Mario e Mario & Luigi interessavam-me por fugirem ao tradicional Super Mario, terem um enredo e personagens caricatas, piadolas e mecânicas de RPG. Bem ou mal sucedidas, tentavam algo diferente com a marca e apesar de ter alguns em backlog, nunca me sentei a jogar do início ao fim.
Eis que surgiu este Bug Fables! Oportunidade perfeita de experimentar o género e ver se gostarei ou não da série que o influenciou. E o resultado foi um copo de água morna. E explico: o jogo não é mau, longe disso. É aquele cliché do: não és tu, sou eu. Talvez seja mesmo disso, eu e eu não em diverti a jogar este jogo.
Estava tudo lá – os visuais, o estilo, a história, os diálogos, a jogabilidade, todo um mundo para explorar, e acreditem que há muito para explorar, mas não senti nada. Minto, estava sempre a pensar que poderia estar a fazer algo mais divertido. Estava aborrecido e a forçar-me a avançar para ver o que acontecia a seguir.

Bzzz bzzz!

Mergulhemos no enredo: o jogo abre com a nossa heroína Vi, uma abelha curiosa que quer ser exploradora. E por que não? A ela junta-se Kabbu e Leif em busca da Everlasting Sapling, um artefacto que concede a juventude eterna à bicharada. Ora, diz-nos a ciência que estes bichitos não duram muito tempo, daí que esta motivação até seja engraçada. Não estamos sozinhos nesta demanda, há outros grupos interessados e motivações que vão sendo reveladas à medida que o jogo se desenvolve.
Um detalhe que apreciei foi a troca da quantidade pela qualidade. Se outros RPG apresentam um plantel de várias personagens para andarmos a saltitar, aqui só temos três protagonistas, o que permite desenvolver o trio para o infinito e mais além. Este desenvolvimento é feito através de quantidades massivas de diálogo (obrigatório e opcional que podemos consultar durante a aventura), livros com estórias e tanta coisa. Sem dúvida que não lhe falta conteúdo.

Se procuram um desafio, não procurem mais. Este Bug Fables agrada a quem só quer ver a história e aos que gostam de um bom combate. Ao contrário de muitos RPG que aumentam a parada e a estratégia nos bosses, o inimigo mais básico pode fazer a vida negra se não tivermos atenção. As batalhas não se passam com um simples premir de botão e já está, requer estratégia, alguma ginástica de dedos e sincronização. Cada personagem tem o seu padrão de ataque que temos de aprender assim como de defesa; saber quem utilizar e quando é fulcral para evitar muitas frustrações, mas quando conseguimos, é fantástico. E como só temos três personagens, temos tempo para as conhecer a fundo.
Para além do combate, o jogo puxa à exploração com elementos de puzzle que vão fazer com que cocem as cabeças à procura da solução óbvia; tem as típicas missões secundárias que vão desde a fetch quest mais básica a missões mais robustas que nos dão mais lore daquele mundo.

Ainda assim, não consigo não ver um certo estilo mobile…

Já no lado técnico da coisa, é como forçar alguém a gostar de sushi: é um gosto adquirido. Ou gostam da temática dos insectos ou não gostam, e não. Se fecharmos os olhos à reutilização de recursos ou ao mesmos bicho, mas com cores diferentes, o jogo está pejado de criaturas coloridas e com personalidade, os cenários são variados, dando a sensação que aquele pequeno mundo é maior do que aparenta.
Infelizmente, e porque temos de equilibrar gráficos com banda sonora, se uma vence, a outra nem por isso. Músicas e efeitos sonoros que rapidamente desaparecem da memória assim que desligo o jogo, nada de fantástico que está ali apenas para cumprir o seu dever auditivo.

No fundo, eu quero e vou recomendar este jogo. A Moonsprout Games fez um excelente trabalho aqui sem se encostar à sombra da bananeira de papel, é um jogo completo com muitas horas de conteúdo. Se não forem como eu e adorarem Bug Fables, então sinto que lhe fiz justiça.

Trio mimoso e implacável
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela DANGEN Entertainment.

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