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Eu não sei o que quero numa sequela

Quando penso no que desejo numa sequela, será que penso também no que será melhor para o jogo?

Quantas não são as vezes que ansiamos por uma sequela e outras tantas em que ficamos tão satisfeitos que achamos que não precisamos de mais?

Recentemente joguei duas sequelas que, em execução, fazem exatamente o mesmo, mas a experiência que ofereceram, resultaram em dois sentimentos bastante opostos. E, para adicionar uma pequena camada de ironia, mas que podem explicar esta minha posição, foram sequelas de uma série que adoro e outra com a qual apenas simpatizo moderadamente.  

Depois de jogar Gears Tactics, resolvi fazer aquilo que é lógico e saltei para a série principal. E fui logo para o segundo jogo, já que joguei o primeiro Gears of War demasiadas vezes durante a minha juventude. Não fiz esta experiência porque sou um enorme fã da saga, mas fi-lo apenas como um mero exercício e para reavivar a memória daquele que é o meu jogo favorito da série, e porque estava curioso em comparar a experiência tradicional do TPS com a nova versão RTS; mas esta parte fica para outra conversa.

Acabada a jornada em Gears of War 2, um jogo relativamente pequeno, que apenas durou dois sólidos serões, senti-me imensamente satisfeito com a experiência. Tanto que o bichinho mordeu e agora quero continuar o resto da série com os seus enhancements na Xbox One X, pois o jogo mantém-se estupidamente atual, tanto visual, como mecanicamente. Quando o joguei originalmente não dava tanto valor a certos aspetos mais técnicos, mas lembro-me de ficar com a mesma sensação de satisfação com que fiquei recentemente, especialmente quando comparado com o primeiro jogo, que apresentava ideias que nunca eram tão bem exploradas, piscando-nos o olho que “para a próxima é que é”. E de facto foi mesmo.

Quando o Cliff fala em “bigger” também se refere ao seu ego inflamado.

Segundo as palavras do seu criador, Gears of War 2 prometia ser “bigger, better and more badass” e felizmente foi mesmo. O primeiro jogo fazia um bom setup ao mundo de Gears, apresentava um tom quase experimental entre a ação e o horror (que infelizmente se perdeu na série) e ainda conseguiu quebrar o molde do cover-based shooter, que até ali era raro e mal-executado.

Com uma série de pilares fortes, Gears of War 2 expandiu o jogo de uma forma brilhante, quase a pensar nos fãs, dando-lhes tudo o que faltava no primeiro jogo e mais, ainda que com um ou outro sacrifício. Sem medo, a escala aumentou, elevou a fasquia narrativa, tanto em relação ao mundo, mas também em relação às personagens, deu-nos set-pieces mais emocionantes, visuais para a altura revolucionários, e manteve, acima de tudo, a sua jogabilidade, níveis de desafios e progressão, quase intactos.

Como dizia o outro: “The one thing I don’t like about Gears of War 2 is that it’s almost too good.”

No outro lado da barricada, temos uma série que adoro e que, dependendo do meu estado de espírito em determinados dias, está ali a pedir-me amor ao lado de Mass Effect. Refiro-me à saga Halo. Com a chegada de Halo 2 ao PC, praticamente logo a seguir à minha última run em Halo CE, nem pensei duas vezes e resolvi voltar àquela sequela da qual tenho memórias menos positivas, mas desta vez com a esperança que o teclado e rato fossem mudar alguma coisa.

Controlos de parte, a revisitação de Halo 2 foi tão penosa como as outras vezes em que me sentei a jogar esta aventura do início ao fim. Para muitos é uma sequela excelente, para outros, e não caindo no cliché de que é “muito difícil”, nem por isso. Eu não gosto muito de Halo 2 e a verdade, tirando o desequilíbrio na curva de dificuldade do jogo, não sei bem porquê.

É um jogo que pega em praticamente tudo o que o primeiro faz e expande de maneiras fantásticas. Narrativamente, de todos os jogos, é o que conta melhor a sua própria história, o que tem o melhor tom e o que explora melhor a mitologia daquele mundo. Visualmente dá um salto enorme e mecanicamente introduz um sistema de tiro com mais punch e melhores oportunidades de jogo, como a utilização da energy sword e o controlo de Arbiter durante metade da campanha. Há tanta coisa boa em Halo 2 e ainda assim a minha experiência com ele foi enfadonha, mais até que em Halo 5: Guardians. Halo 2 é, se calhar, demasiado Halo para a minha camioneta.

Caraças, até tem um dos melhores trailers para puxar pelo nosso hype.

É um sentimento estranho quando parece que um jogo tem tudo para funcionar e no final algo não me faz clique. Se tivesse vivido a onda de antecipação na altura do lançamento de Halo 2 e em previews e reviews me dissessem que Halo 2 ia ser “isto e aquilo”, certamente que iria respirar hype até lhe por as mãos em cima e seria capaz de aceitar o jogo de outra maneira. Ou então não. Tal como Halo 2, DOOM Eternal, é um dos jogos mais recentes a provocar este efeito em mim, é mais e melhor, mas tão excessivo até em novidades muito bem-vindas, que o anterior enche-me mais a barriga. Ambos os casos se encaixam na perfeição naquela história de que, por vezes, “menos é mais e melhor”.

Poderia dar mais exemplos de outros jogos cuja sequela faz tudo e mais alguma coisa para ser uma digna continuação do que está para trás e que podem dar-me ou uma enorme satisfação, ou o sentimento inverso. Isto porque até ter o jogo nas mãos, até experimentar aquilo que tem para oferecer, eu não sei bem o que quero numa sequela. Se fogem demasiado a elementos estabelecidos anteriormente, corro o risco de ficar alienado; se me dão mais coisas iguais, corro o risco de ficar entediado. É um estranho sentimento que me ocupa o coração quando se discute o que é que esperamos para jogo X ou Y, e claro que tenho algumas ideias, como, por exemplo, gostava que Halo Infinite abraçasse o open world e regressasse ao registo dos antigos (mas com que implicações?); que Gears 6 nos oferecesse uma narrativa com ramificações; que um novo Mass Effect fizesse retcon a Andromeda ou que seja simplesmente um remake/remaster do que já tivemos, etc. Mas fico sempre a questionar-me “será que aquilo que vão fazer é melhor ou pior do que aquilo que eu quero que façam?” A verdade é que não sei.

E vocês, também se questionam sobre o futuro das vossas séries favoritas? O que é para vocês uma sequela perfeita? Que jogo é que gostavam de ver aprofundar a sua natureza e que jogos é que vos deram experiências menos boas, apesar de fazerem as coisas corretamente?

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