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10 anos de Red Dead Redemption: (re)lembrar John Marston

Uma década depois, revisitamos o final do clássico da Rockstar.

Red Dead Redemption faz dez anos. Uma década de história de um dos títulos mais marcantes da história dos videojogos. Passou-se uma década – e a série até já viu o lançamento do seu segundo jogo – mas, em mim, as memórias deste título nunca sequer se dissiparam. Especialmente do final. Aquele final.

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS ACERCA DO FINAL DE RED DEAD REDEMPTION

Quando penso em Red Dead Redemption, penso imediatamente nos seus momentos finais. Na verdade, concluir o Western da Rockstar foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes que já vivi com um videojogo. É que, há dez anos, experienciava, pela primeira vez, uma adrenalina impar com um comando na mão.

Depois de horas de história, lá estava John Marston num reencontro final (e fatal) com o destino ao qual nunca foi possível fugir. Horas e horas de luta e cavalgar, a tentar limpar o nome e o passado desta personagem, numa demanda de honra, sangue e desespero para, no final, só restar a sensação de impotência imposta pelo destino.

Numa reviravolta ímpar e uma escolha narrativa repleta de justiça poética, a Rockstar apresentava-nos à ousadia que é matar um protagonista. E, de forma subtil mas marcante, criava a ligação derradeira entre jogador e personagem – no suspiro final de um cowboy fora-da-lei que nunca conseguiu ser nada mais do que isso. A verdade é que esteve sempre nas nossas mãos contar a história de John Marston, mas nunca esteve a tarefa de salvá-lo.

Lidar com esta realidade não foi fácil. E, naqueles momentos finais, senti-me em profunda negação. Relembro claramente a sensação de desespero, ao sair daquele celeiro, para tentar enfrentar a dezena de agentes da autoridade que esperavam John Marston. Depois do primeiro insucesso – que não queria interiorizar ser inevitável – voltei, mais do que uma vez, ao “save” anterior para tentar (e voltar a tentar) salvar o John. Uma sensação dura de impotência imposta com mestria a.k.a. Rockstar a fazer das suas.

Por muito que tentássemos, Marston nunca conseguiria defender-se do pelotão de fuzilamento que o esperava na fazenda que, finalmente, havia conseguido comprar para viver com Abigail e Jack. Naquele momento, a narrativa convida-nos a experienciar a inevitabilidade da morte como consequência de uma vida vivida no limite. Uma mistura de emoção, tristeza, adrenalina e incredulidade que, depois de devidamente compreendida, dá lugar à paz agridoce da aceitação.

E, quando pensamos que o adeus a John Marston está terminado, dá-se outra reviravolta que nos coloca a pensar “aguenta coração”. Depois de Marston, nas nossas mãos está agora o destino de Jack Marston.

Agora adulto, à imagem do seu pai, depara-se com dilemas semelhantes – entre bem e mal, legal e ilegal, salvação ou vingança. Numa derradeira escolha –  que tem ramificações no sucesso ou insucesso na demanda passada de John Marston para salvar a família, assim como, na continuidade ou não do ciclo vicioso familiar, o jogador terá de escolher se Jack vinga a morte do pai ou não. Se o ditado “tal pai, tal filho” se aplica ou se, pelo contrário, Jack é o catalisador da mudança, o responsável pelo quebrar do padrão.  

Já aqui falámos sobre a morte nos videojogos e de como esta pode ter significados e abordagens para lá do conceito tradicional. Contudo, no caso de John Marston a realidade da morte “pura e dura” funciona como um murro no estômago que transparece valores altíssimos a nível narrativo. Fica a pergunta no ar: terá sido a morte de John a derradeira libertação? Afinal, sabemos que Marston tinha “um filho em casa e uma filha no céu”.

Seja qual for a resposta, dez anos depois, Red Dead Redemption continua a ser um dos títulos mais marcantes e fundamentais da história dos videojogos. E, John Marston, um personagem inesquecível. Tão inesquecível quanto o seu destino.

“Some trees flourish, others die. Some cattle grow strong, others are taken by wolves. Some men are born rich enough and dumb enough to enjoy their lives. Ain’t nothing fair.”

– John Marston

 

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