ESPECIAIS

Chain of Memories & 358/2 Days– Retrospectiva Kingdom Hearts

Sem tempo a perder, o André lançou-se aos vídeos dos spin-off que saíram nas consolas da Nintendo.

Para o Kingdom Hearts 2, e durante o Kingdom Hearts 2, meti-me a ver as compilações do Chain of Memories e do 358/2 Days. O segundo porque só está disponível em vídeo nas antologias e o primeiro porque já o terminei duas vezes e não queria passar pelo mesmo com aquele sistema de combate mauzinho. Como tal, irei dividir o artigo em duas curtas partes:

Chain of Memories:

Não quero usar a expressão ovelha negra porque há outros jogos que merecem esse título, mas o Chain é quase posto de parte devido à mudança no sistema de combate. O que tornava Kingdom Hearts divertido foi substituído por um sistema de… cartas. Se a mecânica faz sentido num jogo como Thronebreaker ou Baten Kaitos, aqui não. Principalmente quando o jogo mantém o combate livre da prequela para ser interrompido quando esgotamos o baralho. E apesar dos meus problemas com o combate, acho que se adequa melhor à versão original, no Game Boy Advance. Joguei o Chain of Memories pouco depois de ter saído, quando a minha febre por Kingdom Hearts ainda era alta. Emprestaram-me um SP, o Chain e o Golden Sun (que não terminei…) e lembro-me de serem altas horas da noite e de estar a jogar na cama enquanto a minha namorada da altura dormia. Depois joguei a versão na PS3 pelas alterações.

Acho que prefiro a versão original…

Com a memória ainda fresca do jogo, posso afirmar que este devia ter sido o verdadeiro Kingdom Hearts 2 porque aconteceu tanta coisa nesta sequela; foram introduzidos novos conceitos, fios narrativos e apresentadas as novas personagens que continuaram até hoje. E também lidava com um tema que me diz muito: as memórias. Este jogo pode reutilizar mundos e personagens com a desculpa de serem recordações do Sora, mas ligam tão bem com a temática que deixo passar. O facto de as personagens se irem esquecendo de tudo é uma óptima desculpa para começar uma sequela do zero, sem níveis e habilidades. Mas ver o Sora a esquecer-se dos amigos, quando passou um jogo à sua procura, é desolador, mas pior do que esquecer é ser esquecido. E o jogo toca nessa ferida com a Naminé ou com o Axel quanto ao futuro de um tal de Roxas – e nós ignorantes das repercussões ao progredirmos no jogo.

Quando terminamos a parte do Sora, somos brindados com uma continuação para jogarmos com o Riku. O tema aqui já não é tanto as memórias, mas a dualidade do bem e do mal; a luz e a escuridão. Sabemos pelas inúmeras tropes narrativas que luz = bem e escuridão = mal, mas ter uma personagem como o Riku a debater-se entre um lado e o outro é como ter um Jedi a oscilar entre os dois lados Força. Mas… e se pudéssemos existir entre os dois lados? Ser um Jedi e um Sith? Sim, é possível: podemos ser um Gray Jedi. E aqui, depois de todos os conflictos, medos e angústias, por fim, o alívio: nem uma coisa nem outra, caminhamos bem ao meio e em direcção ao amanhecer. Gostei da mensagem, gostei. Admito que nos dois finais, veio-me uma impressão de uma lágrima e dei por mim a apreciar mais este jogo porque não tive de o jogar nem de me frustrar.

Cadê a Kairi?

358/2 Days:

Para mim, o início dos títulos parvos da série que levou a vários memes sobre os outros títulos e trocadilhos das sequelas. No entanto, é um com bastante significado!

Não há muito que possa dizer sobre este jogo; nunca o joguei nem tenciono, mas vi a compilação na PS3 e vi-a agora na PS4 e também posso dizer que o apreciei mais só por ter visto os vídeos – não me levem a mal! Há várias coisas boas aqui: a história de partir o coração e o desenvolvimento dos vários membros da Organization XIII. Sim, são os vilões da saga, mas sabe bem ser o advogado do diabo e conhecer um pouco do outro lado. No entanto, a nossa personagem não é má e trava amizade com outra personagem que quer ser má, mas é um coração mole, o Axel, got it memorized? Os dois partilham momentos, pausas e o famoso gelado sea-salt que adorava provar! Um dia, a Organization XIII recebe um décimo quarto membro e algo não bate certo: a moça parece a Kairi, também não se lembra do seu passado e empunha uma Keyblade. Combinação perfeita para ser amiga das nossas personagens e assim nasceu um dos trios mais tristes da série porque o Nomura adora coisas a três e fazer-nos sofrer.
Mas a nova miúda, a Xion, não pode nem deve existir. Para tal, terá de assimilar as memórias do Sora e o poder do Roxas. Para ela viver, outros terão de desaparecer e para eles continuarem (e nós sabemos que continuaram), ela terá de deixar de existir e “devolver” o que absorveu.

Mas lavem os dentes depois.

Se o tema principal do Chain era a memória, o tema deste será o existencialismo e em vez de lermos a Aparição, de Virgílio Ferreira, podemos assistir a este jogo para reflectir um pouco sobre a nossa própria essência. Mas se gostei do tema – dos temas – deste jogo e dos outros, não gostei da execução ou de como o Nomura os trata. E foi isso que não gostei do final do remake do FFVII. O senhor tenta ser grandioso com as suas personagens, com os seus discursos crípticos ou pantomimas, mas acaba por ser presunçoso ou até mesmo vazio, sem a consciência de que os seus melhores momentos de escrita estão nas pequenas coisas como ver três amigos sentados a comer um gelado.

No geral, se já gostava do Roxas como personagem, fiquei a gostar mais. E na minha adolescência até me podia identificar com as angústias do rapaz. No final, só nos restam as memórias dos bons tempos passados com os nossos amigos e mesmo que tudo passe e desapareça, haverá sempre algo no fundo para nos fazer recordar daquela tarde solarenga.

Como lágrimas à chuva….

Disse que o Chain of Memories podia ser o Kingdom Hearts 2, mas não me importava que este fosse o 3 porque tem um peso considerável na série. O próximo artigo será sobre o Kingdom Hearts 2 que acabei mesmo a tempo da publicação deste artigo e não terei boas coisas a falar dele, mas agora só em junho. Aproveito para fazer uma pausa porque já sinto um ligeiro burnout de tanta amizade, luz e escuridão e de ouvir This is Sora, Donald, and Goofy!

Got it?

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