ESPECIAIS

Kingdom Hearts 1 – Retrospectiva

E assim começa uma longa viagem pelo mundo da Disney e Final Fantasy.

E porque acabei o remake de Final Fantasy VII com o seu final estrambólico à lá Kingdom Hearts, decidi começar a derradeira maratona da série (porque só joguei os dois primeiros e Chain of Memories) para entrar no ritmo da coisa e porque não tenho amor próprio.
A Internet malha bastante no Nomura, com os seus fechos éclair e fivelas, mas há que reconhecer que o senhor improvisou toda uma série sem saber como. Boa; má, é uma questão de perspectiva: existe e vai ficar nos anais da história como a série de jogos mais confusa de sempre sem qualquer necessidade. E quando chegar ao final do terceiro (e último? Ri-me) capítulo, logo direi se gostei ou não.

Eram três da manhã de sábado quando acabei o primeiro Kingdom Hearts pela enésima vez. Um dos meus jogos favoritos de todo o sempre que nunca falhará em fazer-me chorar no final…

Se a capa não é linda, então não sei…

Eu e Kingdom Hearts temos história: conheci e joguei o primeiro jogo numa altura linda da minha vida. Estávamos a acabar o ano de 2002 – eu ainda não tinha Internet, conseguem imaginar esta frase hoje?, e li numa revista da especialidade (revistas de jogos!) que tinha saído um jogo que combinava Final Fantasy e Disney. Uau! Eu tinha de ter aquilo na minha vida!
O T., o meu amigo rico do secundário, conseguiu o jogo e emprestou-mo quando o acabou, com a decência de não me spoilar. Recebi o jogo; fui ao salão da minha mãe com outro colega e fomos para a casa dele experimentar Kingdom Hearts. Que tempos!
Jogámos a parte inicial das decisões; chegámos à ilha e ficámos horas a tentar derrotar o Riku, passando o comando a cada derrota. Lá conseguimos e eu fui para casa. Chovia torrencialmente na altura, lembro-me. Lembro-me também de termos esperado uns minutos debaixo de uma varanda até acalmar. Cheguei a casa tal gato ensopado. Já seco, arranjado e sem os trabalhos de casa feitos, meti o jogo na consola e lá fui eu.

Derrotei o Riku, os três amigos e começou a pseudo-profundidade que a minha cabeça de teen não captou na altura. Depois veio o Squall e toda a classe dos Final Fantasy; depois o mundo da Alice e os outros mundos Disney. Eu estava viciado num pequeno grande jogo que só tinha visto numas páginas de uma revista.
E a jogabilidade? Eu não era bom a jogar, perdia bastante e gastava itens a torto e a direito, mas avançava sem qualquer estratégia, com muita sorte e estupidez dos inimigos. Caso me esteja a repetir e olhando para trás, tudo era bom na altura. Ou os óculos cor de rosa estão um bocadito sujos.
Então, viciei-me de tal maneira que as minhas notas desceram, meteram-me de castigo e adeus consola. Acontece que esse meu amigo foi a casa e quis ver onde estava no jogo; parvo como sou, liguei tudo às escondidas e quem apareceu de surpresa como se tivesse algum sentido-aranha? O meu pai, claro, a espreitar à janela com um olhar de apanhei-te, desgraçado. Não disse nada enquanto o meu amigo lá esteve, mas assim que se pirou, a consola sumiu de vez e devolvi o jogo. Só acabei Kingdom Hearts uns bons meses depois quando a minha diretora de turma confirmou ao meu pai que eu estava bem melhor.
A consola voltou, o jogo também, derrotei os vilões e chorei tanto com o final. Acreditam que quase vinte anos depois ainda choro naquele final? Porquê?!

Oh no 😦

Mas Kingdom Hearts é um jogo estranho – não é bom-bom. Desculpem. Tem e faz coisas muito boas. A premissa funciona: é Disney + Final Fantasy. Temos três crianças que ambicionam mais e ver o mundo e algo acontece. Viajamos de mundo Disney em mundo Disney, participamos em momentos dos filmes que ligam bem à temática da amizade, do coração, do bem contra o mal e da sede pela aventura e para conhecer mais para além do nosso mar. Temos os vilões Disney, temos os heróis Disney e temos uma jogabilidade tão viciante que só melhorou com as sequelas e, ainda hoje, é dos pontos mais fortes da série. Quer dizer, temos o Donald e o Pateta a lutarem ao nosso lado contra o Cloud! Na altura, ninguém concebia tal coisa!

Mas e a escrita? Citando o Harrison Ford para o George Lucas, “podes escrever esta bodega, mas não a podes dizer.” É verdade!
Os diálogos do jogo são maus, constrangedores e são tão profundos como uma poça de chuva. Se os bons da fita não estão a falar de luz, amizade e corações, estão a ouvir os vilões a declamar planos maquiavélicos e grandiosos de mãos erguidas e estendidas aos céus, com chavões profundos. Retive esta pérola do primeiro jogo: “aquele que não sabe nada, não compreende nada”. Alguém me explica isto? Salvam-se alguns diálogos retirados dos filmes porque já estão feitos.
É injusto culpar Kingdom Hearts de maus diálogos expositórios quando parece ser um mal comum à escrita nipónica; Metal Gear Solid com as suas interrogações repetidas; Death Stranding sempre a repetir America, America, America!, entre outros.
Claro que em criança não ligava e tudo me era maravilhoso e filosófico, mas em adulto e com mais experiência de escrita, ouch. O pior é que nada mudou… E onde o remake de Final Fantasy VII falhou foi nisto. Enquanto havia material original, porreiro! Assim que se meteram a inventar… Pensem na série Game of Thrones quando ficou sem os livros; os diálogos e as situações perderam qualidade e o final foi o que foi… Se o Tetsuya tem um estilo do caraças para muita coisa, não o tem para a escrita e isso continuou sequela atrás de prequela atrás de sequela atrás de prequela…

Se calhar ajudava…

Mas por cada coisa má, há outras boas: a banda sonora da genial Yoko Shimomura. Ouvir a Dearly Beloved em qualquer situação deixa-me melancólico e com saudades de qualquer coisa que não consigo agarrar hoje; o tema familiar e reconfortante de Traverse Town transmite-me segurança e todas as paredes à minha volta tornam-se casa. E não me posso esquecer dos temas e da voz de Utada, se a Simple and Clean era apenas uma música catchy na altura, hoje tem um peso enorme em mim. Não só moldou muito dos meus gostos musicais, também reflecte aquilo que quero da vida: uma vida simples e sem grandes complicações. E, claro, quando dá no final é para me desgraçar.

Terminei o jogo em Easy porque só quero ver a história e já o passei em Proud com todos os bosses secretos; verti as minhas lágrimas pelo final e pelas boas memórias. E mesmo não sendo um bom jogo agora, é um que será sempre a luz do meu coração – Ah!, diverte-me, não me aborrece, mesmo quando passo horas a montar a minha nave Gummi. E o mundo do Pooh é dos meus favoritos pela pausa na acção e pela mensagem bonita!
Vou começar o 2 hoje e ver os vídeos de Chain of Memories durante as próximas semanas porque já o joguei duas vezes e ninguém tem paciência para as cartas, mas isso será o tópico do próximo artigo!

A trindade

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