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A quarentena como porta de entrada nos videojogos?

Não é novidade para ninguém que atravessamos tempos estranhos. E tenho sentido, mais do que nunca, que os videojogos estão a fazer a diferença.

Não é novidade para ninguém que atravessamos tempos estranhos. Tempos de confinamento e isolamento que, como em quase tudo na vida, serão mais fáceis de atravessar por uns do que por outros. Deixando de lado divagações sobre os introvertidos ou extrovertidos, os que adoram ficar em casa ou preferem sempre uma saída ao sofá, tenho sentido, mais do que nunca, que os videojogos estão a fazer a diferença.

Desde o início da quarentena que a comunidade e indústria dos videojogos responderam ao chamamento: foram (e vão sendo) disponibilizadas dezenas de jogos gratuitos, feitas streams especiais para animar quem está em quarentena e angariar fundos para quem está na linha da frente da pandemia, criadas iniciativas especiais, como foi o caso do apoio social da Humble Bundle ou do apoio na investigação de folding@home. A cereja no topo do bolo? O lançamento, ainda que por obra do acaso, de Animal Crossing: New Horizons. É o mindfulness de que todos precisávamos. A viagem para fora, sem sair cá de dentro, que se tornou, para muitos, o foco de sanidade mental das últimas semanas.

Até tivemos direito a uma mudança de paradigma – ainda que muito provavelmente, e infelizmente, somente temporária – na qual os videojogos passaram de maus da fita e perigo para a saúde mental, a ferramentas incríveis para ajudar a ficar em casa. É pena que a campanha #PlayApartTogether da OMS tenha um quê de cinismo mas, ainda assim, vale a pena retirar a parte boa deste tipo de divulgação, especialmente tendo em conta o impacto da mensagem/orador no público menos conhecedor.

Enquanto dava por mim a pensar, a assistir e fazer parte de tudo isto, perguntei-me também se este momento poderia significar uma oportunidade para o mercado, indústria e comunidade. Seria a quarentena uma porta de entrada nos videojogos? Os dados parecem apontar para que sim – ou, pelo menos, que os jogadores nacionais abriram as carteiras… e bem.

Recentemente, a Revolut divulgou dados de um estudo aos consumidores, que revelam um aumento exponencial, em Portugal, dos gastos em plataformas como Steam Games (136%), PlayStation (241%) e Nintendo (73%). São variações incríveis, especialmente se tivermos em conta que Portugal é ainda um mercado em desenvolvimento no que diz respeito aos videojogos e que falamos de compras “fora de época” (por exemplo, corrida às consolas no Natal). Os portugueses gastaram mais em videojogos, no PC e consolas, demonstrando que estão a eleger os videojogos como meio de entretenimento primordial durante este período. Naturalmente que estes valores não nos deixam perceber se os consumidores já eram gamers ou estão agora a comprar os seus primeiros videojogos, assim como, quais serão os géneros mais populares e/ou títulos de entrada no meio. Adicionalmente, não foram relevados dados relativamente à Xbox.

Seja como for, parece-me inegável que há novos “players” a entrar na comunidade. E isso diz-me também a experiência pessoal. A verdade é que, nas últimas semanas, várias amigas, que não costumam jogar de forma regular, me pediram nomes de jogos para jogar com amigos – de títulos mobile gratuitos a experiências que permitissem o cross-play entre PC e consolas. Fiquei especialmente curiosa com este último pedido e percebi que, o grupo em questão era grande e estaria a jogar em várias plataformas – isto porque, alguns, não possuíam consola e iam jogar nos portáteis, por exemplo. No caso, esta minha amiga, utiliza a PlayStation do irmão.

Mais moderados foram os crescimentos das compras à Apple e Google, que aumentaram 15 e 11%.

Acredito que este será outro factor positivo desta nova dinâmica no mercado – a partilha. Haverá irmãos que se juntam aos restantes e aprendem que podem jogar em conjunto, colegas de casa que apresentaram os videojogos aos restantes (sejam eles homens ou mulheres), pais que, finalmente, terão tempo para compreender melhor o que as suas crianças andam a jogar, o que são os realmente os videojogos e como é importante participar nas sessões de jogo. Conheço, inclusivamente, uma mãe, jogadora, que criou um servidor de Minecraft para os filhos, colegas e outras crianças que se quisessem juntar. Não é público, tem supervisão em horas específicas e desafios para os mais pequenos. Ah! E os outros pais, sejam eles gamers ou não, também podem participar e aprender.

Se a quantidade de gamers em Portugal vai aumentar de forma tão exponencial quanto estes números? Calculo que não. O regresso à normalidade, trará também de volta a falta de tempo. Contudo, se este momento servir para que apenas um gamer, num qualquer local do país, descubra a magia dos videojogos e possa sentir-se reconfortado por, no meio do caos e incerteza, viajar até mundos incríveis e perceber que, ali, poderá sempre voltar, já haverá algo de positivo nesta pausa que nos foi imposta.

Aos novos gamers, bem-vindos. Aos de sempre, ainda bem que estamos juntos. Aos videojogos, o obrigada de sempre.

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