REVIEWS

For The Warp | GLITCH REVIEW (early-access)

Deixamos a terra por uns minutos e viajamos até ao espaço? Vale a pena entrar na(s) nave(s) de For The Warp e sair para explorar um universo inóspito, cheio de perigos, surpresas e adrenalina.

Deixamos a terra por uns minutos e viajamos até ao espaço? Bem sei que, no contexto atual, esta proposta poderá parecer mais irrecusável do que nunca. E é por isso mesmo que vale a pena entrar na(s) nave(s) de For The Warp e sair para explorar um universo inóspito, cheio de perigos, surpresas e adrenalina. Prometo que é seguro, até porque não terão que sair de casa, mas vão precisar de uma boa “mão” e, quem sabe, uma carta na manga!

For The Warp é um card-game com um twist interessante, uma vez que é também um roguelike. O jogo indie português une mecânicas de dois géneros, à partida distintos, para criar uma experiência de jogo refrescante, sólida e muito muito divertida. Na versão de acesso antecipado que jogámos, tivemos acesso a três naves (cada uma com características distintas, como o nível de proteção e o número de slots para equipamento) com as quais pudemos explorar cinco sistemas distintos.

Os sistemas, ou “mapas”, desta produção nacional são gerados de forma aleatória, o que significa que encontrarão cenários diferentes em cada sessão. A galáxia tem muito mais do que combates para travar: há caixas enigmáticas para abrir (que podem ter recompensas ou explodir e danificar-vos a nave); pedidos de ajuda que ecoam pelo espaço aos quais poderão ou não responder; ruínas misteriosas, com vários níveis, que poderão explorar e, no fim, encontrar riquezas ou acabar com pouca gasolina e muito dano.

Nenhuma sessão de For The Warp que jogámos foi igual, como se espera de um roguelike e ainda bem. À boa maneira do género, quando acham que já estão no comando da nave, o jogo dá-vos aquela dose básica de humildade, só para vos manter em bicos de pés. Devo confessar que quando este jogo me “caiu no colo” tive algum receio: quem me conhece sabe que eu não sou a maior fã de jogos difíceis e que privilegio muito mais a diversão do que o desafio. Contudo, a verdade é que dei por mim, morte atrás de morte, a recomeçar sem hesitar. Isto porque For The Warp é difícil o suficiente para nos fazer perder tudo muitas vezes, mas desafiante o suficiente para nos fazer recomeçar a jornada e tentar vencer onde, antes, perecemos.

A progressão dá-se a um ritmo perfeito e, à medida que vão desbloqueando mais cartas, o vosso conhecimento sobre o deck ideal e a dinâmica de utilização de cartas nos combates vai ficando mais polido. O resultado, claro está, é uma maior taxa de sucesso.

O vosso baralho ajudará a ditar a vossa abordagem também. Contem com um arsenal extenso de cartas, com boosts ofensivos e defensivos, que poderão desbloquear à medida que vão progredido. Estas cartas podem ser compradas com créditos ou ganhas após cada combate, na exploração de ruínas ou ao ajudar outras naves. À medida que vão ficando familiarizados com as cartas, vão sentir mais liberdade para fazer combinações eficazes que vos ajudarão a derrotar inimigos e bosses. Cada sistema tem um boss que deverá ser derrotado antes de passarem ao mapa seguinte, contudo, a vossa progressão anterior ditará as cartas com que chegam a esta batalha final, assim como, o vosso nível de HP.

for the warp gif

Em combate, terão à disposição até cinco cartas para utilizar no turno. Cada carta tem um custo de energia diferente (sendo que algumas podem ser utilizadas sem ser preciso este elemento) e, por isso, cabe ao jogador fazer esta gestão estratégica de recursos durante as partidas. O jogo oferece uma espécie de caderneta, na qual poderão ver as vossas cartas e explorar os benefícios de cada uma para poderem planear a vossa estratégia e adaptá-la a cada perigo.

O catálogo de ameaças do jogo da Massive Galaxy Studios é variado e, por isso, terão encontros mortais com vários tipos de naves. O meu preferido? Quando estão nas últimas e aquilo que podia ser mais um combate simples, se transforma num ataque de três naves em simultâneo – algumas ainda mandam vir drones, só naquela.

As naves inimigas são todas muito diferentes, com ataques base distintos e uma dinâmica interessante que evolve ataque e defesa – tanto o jogador, como inimigos, têm à disposição cartas que aumentam ou repõem o poder dos escudos de protecção das naves. Esta possibilidade confere aos combates por turnos uma dinâmica interessante, que culmina em escolhas pensadas e um misto de abordagens táticas que misturam posturas ofensivas e defensivas. Além das cartas “ativas” que usam a cada turno no combate, há ainda cartas com poderes passivos que ficam ativas durante a totalidade do combate e sessão de jogo. Por serem mais valiosas, são também mais caras, mas valem muito a pena – estejam atentos a elas, desde o início.

for the warp gif

Adicionalmente, haverá, em cada sistema, compradores interessados nas vossas cartas. Poderão trocá-las por créditos que, por sua vez, poderão ser usados para comprar outras cartas ou gasolina, um recurso essencial para se movimentarem nos sistemas. Poderão movimentar-se para a frente, trás e diagonal, mas cada movimento custará gasolina. A gestão de recursos é um elemento constante em For The Warp , com o jogador a ter que decidir, regularmente, o caminho que quer tomar: poderão sacrificar bidões de gasolina para fazer mais dano a um inimigo durante um combate, assim como, escolher se a vossa recompensa é paga em gasolina, créditos ou equipamento, depois de ajudarem uma nave em perigo.

O que também não é mau, sendo, na verdade, um dos pontos mais fortes de For The Warp, é a arte do jogo. Contém com pixelart de qualidade, com um nível de detalhe incrível, numa direcção artística que mistura elementos futuristas, de sci-fi e ciberpunk para criar um universo imersivo e que, apesar de mortífero, nos deslumbra a cada passo de jogabilidade. A arte é dinâmica, acompanhado a ação: por exemplo, à medida que vão provocando dano nas naves dos inimigos, estas vão-se destruindo, apresentando a extensão do dano, consoante a progressão do combate.
Menção positiva ainda para a banda sonora de For The Warp , que combina, de forma harmoniosa, com os elementos referidos acima.

Ainda assim, e fica a nota: experimentei jogar For The Warp a ouvir low-fi e recomendo muito!

for the warp gif
Infelizmente, For the Warp peca no que diz respeito à narrativa. À parte de algumas linhas de texto no início de cada partida, que nos explicam, de forma simplificada, a nossa missão, o título não nos oferece realmente uma história. Fica ainda muito por contar, e por transmitir a nível de lore, pelo menos nesta versão.

Joguei For The Warp maioritariamente à noite, depois de um dia de “teletrabalho” e confinamento e devo dizer que, rapidamente, se tornou uma ritual de relaxamento diário. Parece estranho ler isto acerca de um roguelike – especialmente se escrito por alguém que não é fã de jogos difíceis – mas a verdade é que não senti, em momento algum, que For The Warp  fosse frustrante. Em cada morte identifiquei as minhas fraquezas e pratiquei o “adaptar e conquistar”. Mais, a atmosfera de For The Warp faz-nos imergir num ambiente longínquo que, apesar de repleto de perigos, apetece explorar e redescobrir.

Atualmente, esta versão em early-access está disponível por 14,99€. É um valor que me transmite um misto de sentimentos. Por um lado, considero que, devido ao seu potencial futuro e ao estado atual em que o jogo se encontra (um produto bem conseguido, completo, coeso, com um replay value elevado), o valor com que o título chega ao mercado poderá ser justificado. Contudo, tendo em conta que não conseguimos ainda prever a direção de desenvolvimento que tomará – no que diz respeito a conteúdos adicionados e extras que possam aumentar a longevidade, assim como, continuidade integral do projeto ou até mesmo periodicidade de atualizações – o mesmo valor assume-se como possivelmente elevado para o jogador comum. Desta forma, recomendaria a compra, neste momento, a grandes fãs do género, disponíveis a apoiar o desenvolvimento nacional. Aos restantes, recomendo que esperem, mas mantenham o jogo no vosso radar: coloquem o jogo na vossa wishlist do Steam e acompanhem o desevolvimento.

Seja como for, deste lado, mal posso esperar para ver o que a Massive Galaxy Studios tem preparado para For The Warp. Quero continuar a jogar e a descobrir este universo que recomendo muito – a fãs de sci-fi, a fãs de card-games e a fãs de roguelikes. Mas, também, a alguém que atualmente procure uma experiência de jogo casual o suficiente para não vos fazer desistir e hardcore o suficiente para vos prender ao desafio.

Se, antes, nos queixávamos de que a produção nacional parecia cair sempre em determinadas categorias ou géneros, For The Warp vem provar que o talento nacional não conhece esse tipo de fronteiras. É um título desafiante, divertido e artisticamente polido, com imenso potencial, que vale a pena manter no radar.

*alerta de proximidade*
Ups, lá vou eu outra vez. Vemo-nos no espaço!

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Massive Galaxy Studios.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: