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Nioh 2 | GLITCH REVIEW

Um regresso ao Japão Feudal que nos deixou a tremer.

Ainda me dói a cabeça e o coração quase salta do peito, mas sobrevivi a Nioh 2. Depois da tormenta sofrida com o primeiro jogo, também ele desenvolvido pela Team Ninja, vi-me uma vez mais perdido no Japão Feudal, desta vez numa prequela, passada durante a Era Sengoku, onde os demónios voltaram a povoar as aldeias e os meus pesadelos. Mas sobrevivi. E depois de várias horas com Nioh 2, posso dizer que a Team Ninja conseguiu suplantar o original, ainda que sem grandes novidades.

Isto porque Nioh 2 parece ser mais uma expansão do que uma sequela a sério. Com um motor gráfico praticamente inalterado, à exceção de novos efeitos visuais e de uma resolução mais estável, a sequela foca-se em proporcionar aos jogadores uma experiência mais variada e não totalmente nova, aproveitando o sistema de combate do original, já de si bastante profundo e personalizável, para criar novas opções e uma sensação mais eficaz de evolução. Todos os elementos estão presentes, desde as habilidades e combinações desbloqueáveis, até às posturas em combate e armamento variado, mas Nioh 2 traz consigo alguns trunfos na manga.

Nioh 2 mantém a aposta no loot, quase como um Diablo, onde cada missão é sinónimo de mais armas e equipamentos. A variedade é, mais uma vez, surpreendente e de louvar, sendo possível equipar e alterar qualquer peça de armadura. Os equipamentos são tão importantes como as armas que utilizamos e cada peça dá acesso a pontos adicionais de energia, vida ou de proteção contra os vários elementos naturais do jogo. Nioh 2 procura dar maior liberdade aos jogadores e proporcionar uma experiência totalmente personalizável, onde uma simples habilidade poderá alterar a vossa maneira de jogar. Explorem a fundo todas as mecânicas do jogo, visitem o Dojo para treinar, desbloqueiem todos os Kodamas espalhados pelos mapas – que vos dão acesso a novos itens no Bazar, uma das novas opções desta sequela – e descubram um dos sistemas de combate mais profundos deste género.

Antes de passarmos para o grande destaque, devo sublinhar o trabalho de reequilíbrio que existiu na dificuldade, com Nioh 2 a ser muito mais acessível do que o original. Apesar da primeira área ser uma verdadeira tormenta, e uma prova de fogo para os menos experientes, a dificuldade vai ficando progressivamente mais estável à medida que avançamos e desbloqueamos novas armas e habilidades. Este equilíbrio é, na minha opinião, perfeito e dá à sequela uma maior personalidade, eliminando a frustração desnecessária do primeiro jogo.

O mesmo não pode ser dito dos bosses, que continuam a ser testes de paciência.

A isto, alia-se um design de níveis mais apurado, com zonas variadas e repletas de caminhos alternativos e atalhos que intensificam a exploração do jogo; e uma aposta mais afincada na cooperação entre jogadores, existindo a possibilidade de invocarmos jogadores à nossa vontade, mas também a opção de pedirmos ajuda a lutadores controlados por IA. Nioh 2 não é um cortar da gordura, mas sim um reequilíbrio saudável.

A grande novidade vai, claro, para as transformações Yokai. Ao contrário do original, Nioh 2 aposta na personalização e caraterização da nossa personagem, um/a jovem capaz  de se transformar num demónio. A versão Yokai, dividida por três categorias, funciona como uma versão exponenciadas/aumentada dos Guardian Spirits, ainda presentes no jogo, e desbloqueia ataques e magias mais poderosos. Com este lado demoníaco, temos acesso a novas habilidades, como o contra-ataque, que nos permite parar ataques inimigos e regressar ao ataque. As transformações são um trunfo na manga e uma segunda oportunidade importante para os confrontos mais intensos, ainda que a sua duração seja limitada. Visualmente, é um dos destaques do jogo, envolvendo a personagem em chamas e partículas que intensificam o seu poder de ataque.

O sistema de energia sofreu algumas alterações nos Yokai, sendo possível limitar a sua recuperação ao longo de um combate e explorar as fraquezas dos inimigos antes de disferirmos um ataque mais poderoso

A transformação Yokai não vem sozinha e abre caminho para a segunda grande novidade do jogo: as Soul Cores. Ao derrotarmos demónios, temos acesso às suas habilidades especiais, sob a forma de esferas, que podemos equipar nos santuários. Estas esferas, que conquistamos aleatoriamente, podem ser melhoradas e combinadas, à semelhança de Demon Fusion – da série Shin Megami Tensei –, para despertarmos o seu poder. As habilidades adicionam uma nova camada ao combate e apresentam ataques que afetam diretamente as resistências e energia dos Yokai, o que nos permite contra-atacar rapidamente. Algumas habilidades são demasiado poderosas, especialmente se as evoluírem, mas Nioh 2 impõe um limite na sua instalação, levando-nos a escolher cuidadosamente as habilidades que conseguimos conciliar e equipar em simultâneo.

Nioh 2 não é uma evolução palpável, mas sim um aprimorar do que vimos no primeiro jogo. É um título mais assente na personalização e na variedade em combate, conseguindo criar um mundo mais extenso e de fácil exploração, ainda que aposte em níveis mais interligados. A divisão por níveis continua a estruturar a campanha e não existe, como nos outros jogos do género, um mundo totalmente explorável. Esta fragmentação acaba por ser uma bênção para Nioh 2, criando a ilusão de que estamos sempre a ver algo novo – ainda que alguns níveis se repitam em missões secundárias. É mais do mesmo, mas quando se trata de uma sequela tão boa e sólida como esta, não podemos pedir mais.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela PlayStation Portugal.

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