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Trials of Mana | PREVIEW

Um primeiro olhar sobre a nova aposta da Square-Enix.

Abril promete ser um mês perfeito para os amantes de RPGs. Depois de décadas de espera, Final Fantasy VII Remake chega em abril, mais propriamente no dia 10, transportando a famosa aventura de Cloud e Tifa para a atual geração de consolas, 23 anos depois do original. Mas abril esconde mais um regresso ao passado, um título que, tal como a obra-prima da Square-Enix, tem ocupado o imaginário dos fãs que pedem, desde a sua estreia, por um lançamento oficial e por um tão aguardado remake. Estou a falar de Seiken Densetsu III ou Trials of Mana.

Apesar do lançamento oficial ter acontecido no ano passado, com a chegada de Collection of Mana ao ocidente, Trails of Mana prepara-se agora para dar uma nova e inesperada vida à famosa série. Longe da Super Nintendo e pensado para a indústria atual, é um título que procura equilibrar o melhor da sua sensibilidade clássica com as exigências desta geração de jogadores, transportando a jogabilidade para um ambiente totalmente em 3D onde a exploração parece ser o grande foco da nova versão.

Trials of Mana, cuja demo já se encontra disponível no PC e consolas, promete ser a antítese de Final Fantasy VII Remake e dos seus elevados meios de produção, focando a ação numa experiência mais próxima da versão original. Tal como em Seiken Densetsu III, na linhagem da série SaGa, temos à nossa disposição seis lutadores, cada um com a sua campanha e acontecimentos únicos, juntamente com vários companheiros de equipa. A narrativa não promete ser um dos destaques, focando-se demasiado nos clichés do género – busca pelos elementos mágicos, império que quer conquistar tudo e outras variantes –, mas há algo de reconfortante numa estória que não se leva totalmente a sério, funcionando quase como um regresso aos tempos áureos do género. É clássica, mas sempre presente e com vários protagonistas à disposição, e alguns fãs irão querer ver tudo o que Trials of Mana tem para oferecer.

As grandes mudanças foram, no entanto, a nível gráfico e no sistema de combate, agora totalmente em 3D. Os modelos das personagens são muito detalhados, repletos de cores e pormenores, mantendo, ainda assim, um estilo próximo do original, assemelhando-se a um desenho animado em movimento. De facto, Trials of Mana jorra cor, luz e vida, dentro e fora das cidades. As zonas são muito curtas, especialmente as mais povoadas, mas há sempre algo para descobrir, com o design a ser consistente, intuitivo e de fácil leitura. Mesmo com a mudança de perspetiva, há algo de familiar em Trials of Mana.

Apesar da sua dimensão, há algo de grandioso e nostálgico neste RPG de ação, demonstrando uma simplicidade reconfortante nos seus cenários coloridos e repletos de vida.

As masmorras são um dos pontos fortes do jogo e durante a demo tivemos acesso a vários exemplos positivos. Primeiro, tivemos a oportunidade de explorar o mapa-mundo, dividido por caminhos principais e secundários, onde encontrámos alguma da fauna do jogo e explorámos livremente. Depois temos as masmorras, repletas de perigos e segredos, juntamente com várias rotas que interligam o mundo do jogo. As cores continuam a ser o grande destaque, até nas caves frias e escuras, e nos desertos banhados em castanho.

Em combate, Trials of Mana surpreende pela fluidez da ação, mas prevejo alguma ausência de profundidade. O combate é rápido e responsivo, com um ataque rápido e outro mais forte, várias combinações e ainda habilidades especiais, que podem equipar a um menu radial. Cada personagem tem os seus pontos fortes, como Duran, que se foca no combate corpo a corpo, e Angela, que é uma das magas de serviço. Ao contrário de Secret of Mana, Trials of Mana deixa a barra de energia para trás, que determinava o poder de cada ataque, e foca as suas atenções nas habilidades especiais, relegando-se a um sistema de pontos de magia e atributos. Estes influenciam o número de vezes que podemos utilizar as habilidades em combate, existindo assim uma tentativa de adicionar mais estratégia ao combate.

A nível de evolução de personagens, Trials of Mana dá mais liberdade ao jogador e permite alocar pontos de atributos a habilidades passivas e ativas, que podem influenciar, inclusivamente, os restantes membros da equipa.

As habilidades são visualmente imponentes, mas senti que o combate, pelo menos para as áreas iniciais, não necessitasse de grande estratégia. Com Duran, consegui passar a maioria dos confrontos sem utilizar estes ataques mais poderosos. Os inimigos, por mais variados que sejam em termos de design, coreografam demasiado os seus ataques e é fácil de evitar qualquer investida. Existem, no entanto, várias opções de dificuldade, algo que terei de ponderar quando jogar a versão final.

A data de lançamento pode ser problemática para Trials of Mana, especialmente com a competição acérrima de Final Fantasy VII Remake, mas há muito para gostar e descobrir neste pequeno, mas adorável RPG de ação. Ainda que não surpreenda a nível da estória, do seu elenco e diálogos, promete ser um remake perfeito, ao contrário do que vimos com Secret of Mana. Talvez não seja o RPG mais profundo deste ano, mas é, sem dúvidas, o mais nostálgico e descontraído que iremos jogar em 2020.

Trials of Mana chega ao PC, PS4 e Nintendo Switch no dia 24 de abril.

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