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Memories of Mars | GLITCH REVIEW

Viajem até Marte neste jogo de sobrevivência cooperativo que é tão competente, como aborrecido.

Depois de sobreviver a florestas assustadoras, ao apocalípse e ao ataque constante de mortos-vivos, quis a sorte que eu visitasse Marte, o planeta vermelho, num novo jogo de sobrevivência e ação. Memories of Mars é um produto estranho: simples, mas igualmente complexo, tão focado no seu ambiente, como completamente desinteressado na história e no planeta onde se desenrola. Um misto de contradições que dão lugar a oportunidades perdidas e a um jogo que acaba por ser mais aborrecido do que envolvente.

Marte está abandonada. Depois de décadas de exploração mineira, o contacto com o planeta foi cortado e os sobreviventes deixados à sua sorte. Como um clone, recentemente acordado, a nossa missão é simples: sobreviver. Para resistir às ondas solares que assolam o planeta e aos robots descontrolados que nos perseguem, temos de explorar o planeta em busca de recursos e unir forças com os restantes sobreviventes para lutarmos contra todas as adversidades.

Memories of Mars não se esforça para ser original. Se jogaram Ark: Survival Evolved, The Forest ou até mesmo 7 Days to Die, já conhecem o ritmo e ciclo que comandam a experiência deste jogo de sobrevivência. Para além do seu cenário, do planeta árido e abandonado, não há nada que distinga Memories of Mars dos melhores do género, oferecendo uma jogabilidade, na primeira pessoa, focada na recolha de recursos e na construção de equipamentos, estruturas e outros auxílios que nos permitam sobreviver. É preciso explorar, encontrar materiais, manter as necessidades básicas da personagem e continuar a construir – este é o ritmo do jogo.

Como apreciador desta vertente de sobrevivência e construção, deparei-me com um jogo que é, ao mesmo tempo, simples e profundo, oferecendo uma evolução de personagem muito detalhada, com vários pontos de habilidades espalhados por três classes diferentes, mas limitado pelas exigências do género. A exploração nunca evolui para além da necessidade de continuar a explorar e a ausência de um objetivo mais claro e empolgante acabam por condicionar a experiência às raízes mais básicas da sobrevivência. Recolher, construir, morrer e repetir.

Encontrem amigos e inimigos nesta Marte abandonada, e construam um novo futuro.

Mas há uma tentativa em adicionar mais variedade a Memories of Mars e louvo essa ambição. É um jogo com muitas opções de personalização, onde podemos construir um pouco de tudo, existindo a possibilidade de aprendermos a utilizar novas peças de equipamento e armas. Através do modulador 3D, que temos de manusear fisicamente ao colocá-lo no chão, temos acesso a vários tipos de construções e acredito que a maioria dos fãs do género irá encontrar algo que os motive a explorar Marte. Os menus, no entanto, podiam ser mais intuitivos e fáceis de navegar, pelo menos nas consolas, levando a sua complexidade e variedade de habilidades a assustarem mais os jogadores do que a motivá-los.

A experiência é totalmente online, uma escolha que reflete a natureza competitiva e cooperativa do jogo, com a Limbic Entertainment a oferecer vários servidores, com os mais variados modos – desde a campanha normal até a PvP, PvE, etc –, para os que procurarem algo fora da tradicional sobrevivência. Isto significa que nunca estamos sozinhos em Marte. Quando terminamos o tutorial, deparamo-nos com um planeta povoado, repleto de estruturas criadas por outros jogadores. A exploração pode ser feito a solo, se assim o quiserem, mas nunca estarão completamente sozinhos, com os jogadores a poderem cooperar na luta contra os vários elementos do planeta. Esta vertente será sempre apreciada pelos fãs do género e de jogos cooperativos, mas fiquei desiludido com o facto de não existir um modo offline, tal como em Ark: Survival Evolved, Conan Exiles e 7 Days to Die, onde a experiência de isolamento e sobrevivência faria muito mais sentido.

A construção podia ser mais imediata, mas acabei por apreciar o toque mais “realista”, sendo necessário selecionar o soldador para finalizarmos uma estrutura.

A exploração, seja a solo ou acompanhado, acaba por ser limitada por um planeta pouco agradável de descobrir, restringido a planícies desinteressantes, repetitivas e pouco originais, onde a areia vermelha pinta os cenários à nossa volta. Rochas e mais rochas, assim é Marte. Existem, felizmente, estruturas abandonadas para descobrir e explorar, repletas de recursos, e ainda cavernas sombrias, que escondem também alguns segredos, mas Memories of Mars não parece estar tão interessado em dar aos jogadores motivações para explorarem. Existe um mapa que nos guia ao longo das várias zonas do jogo, mas é fácil perder a direção e sentirmos que estamos num constante déjà-vu. As formações rochosas são quase sempre idênticas, o design do terreno pouco ou nada muda, e encontramo-nos muitas vezes em planícies vazias e sem interesse, que temos de percorrer constantemente em busca de mantimentos. Pedia-se mais deste planeta vermelho.

O design das construções também é pouco imaginativo. Apesar de seguir um modelo que tenta ser mais realista, com construções mais cubiculares e estéreis, pedia-se um estilo mais estilizado e personalizado para um jogo deste género. É possível criar vários tipos de estrutura e decorá-los à nossa vontade, mas Memories of Mars não surpreende a nível visual, deixando-se levar por uma direção de arte pouco original, muito cliché e munida de traços de ficção cientifica tradicionais, com os cinzentos e brancos a povoarem as estruturas criadas pelos jogadores.

Para além dos outros jogadores, existem vários tipos de inimigos espalhados por Marte, todos eles cibernéticos. O combate é, infelizmente, pouco satisfatório e a mira muito lenta para a rapidez destes inimigos.

Memories of Mars terá certamente os seus fãs, mas pouco faz para se destacar. É um jogo de sobrevivência competente, com algum foco no combate – existindo vários robots para derrotarmos – e uma forte aposta na personalização que precisava de um mundo mais empolgante e rico em conteúdos para competir contra os grandes do género. É, no entanto, um jogo ainda em evolução, prestes a receber a sua segunda temporada de conteúdos, e muito poderá mudar nos próximos meses. Por agora, Memories of Mars é estritamente para os fãs do género e para os amantes de exploração espacial.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela 505 Games.

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