Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX | GLITCH REVIEW

A série Mystery Dungeon era-me um mistério (ah!) até recebê-lo para análise. Sabia da existência do spin-off, sabia que jogávamos com um Pokémon, mas desconhecia o género de jogo. Até agora…

Para mal dos meus pecados, é um roguelike. Só depois de o jogar umas horas é que fui fazer os trabalhos de casa, como aluno aplicado, e fiquei a saber que Mystery Dungeon é, de facto, uma série que engloba várias franquias no mesmo guarda-chuva de roguelikes e fiquei tão feliz por tê-los evitado até agora. E porquê? Porque é um género de jogo que não me agrada nada, mas mesmo nada. Ainda assim, com o intuito de ser imparcial, lá fui avançando por este Pokémon Mystery Dungeon: Rescue Team DX, uma versão remasterizada dos clássicos Pokémon Mystery Dungeon: Blue Rescue Team e Red Rescue Team (NDS e GBA) num só pacote.

Admito a dificuldade em analisar um jogo que, à partida, não gostamos sem forçar defeitos só para falar mal, portanto vamos começar pelo que gostei:

A apresentação! Caramba que o jogo é mesmo lindo com visuais que fazem lembrar livros coloridos que ameaçam ganhar vida a cada segundo, com animações mimosas a reforçar esta confusão sensorial. Às tantas dei por mim: e usarem este estilo nas entradas principais da série em vez dos gráficos sensaborões e preguiçosos do Sword e do Shield? Seria uma evolução considerável e bastante atractiva, mas isto já sou eu a divagar porque já estou farto de ver o mesmo. Quanto à banda sonora, fui surpreendido pela positiva com temas agradáveis que andam de mãos dadas com este quadro. Claro que dada a repetição e tamanho das masmorras, iremos acabar por ouvir a mesma música uma e outra vez; uma e outra vez até escorrermos irritação pelos ouvidos. É pena porque a banda sonora até é relaxante, só que a repetição consegue matar esse deslumbramento. Ainda assim, defeito versus mecânicas do jogo, dou aquele benefício da dúvida.

Olhem-me para estes gráficos! E para as árvores! Não parece um livro de colorir?

E, claro, o enredo do jogo. Podia ter arrancado por aqui, como manda a tradição das análises, mas terminar os pontos positivos com a história parece-me adequado. Então, o que fariam se acordassem no corpo de um Pokémon? Após alguns diálogos crípticos, onde respondemos a algumas questões, é-nos atribuído um corpo de Pokémon, ou podem escolher outro, assim como um parceiro. A aventura começa com bastantes interrogações sobre a nossa verdadeira identidade porque, como é apanágio, não temos memória. Pode ser o cliché dos clichés, mas eu mordo o isco. E mordi. Como sabemos zero do que se está a passar, o nosso companheiro dá-nos a mão nas primeiras aventuras e é quando o chão treme. Também é cliché sabermos que algo sinistro está por detrás destas ocorrências, mas quando estes Pokémon adoráveis vêm pedir ajuda, não temos outro remédio a não ser ir acorrer. É assim formada a equipa de resgate, a Rescue Team.
OK: a premissa está lá; temos o mistério, a motivação e é interessante ver o véu a levantar a que a cada dia que passa no jogo. E é só isto que nos faz continuar a jogar! Porque o resto do jogo, o sumo do jogo, o mais importante é uma valente seca. E a recompensa não vale as horas investidas neste jogo! Ponto final.

Calhou-me um Pokémon nada a ver comigo! E fui com o gato. Ponto.

Eu tenho um problema com roguelikes/lites e níveis gerados automaticamente: para mim, são jogos que podem preguiçosos, optando pela quantidade e não pela qualidade. Eu preferia ter menos masmorras, mas com mais detalhe e alma do que masmorras enormes, repetidas e aborrecidas. Este Mystery Dungeon abusa disso e abusou da minha paciência ao navegar por níveis e andares todos iguais. E aqui, se virem um mapa, viram todos. Cada vez que ia para um com mais de cinco andares (nem imaginam os outros), só conseguia revirar os olhos como Jesus Cristo na cruz. Mais, tendo em conta que o grosso das missões são as belas fetch quests necessárias para avançar na história, podem contar com um belo encher de chouriços que não vem acrescentar nada de interessante à nossa vida. E quando a história volta a arrancar, o burn out é tão grande que já nem queremos saber.

Quanto à exploração desses níveis, o jogo decorre numa grelha invisível, que pode ser vista com o R, e andamos por turnos. Sempre que damos um passo, os inimigos também dão e assim decorre o movimento que também é um pára-arranca. Ao longo do jogo podemos recrutar outros Pokémon à nossa equipa e construir-lhes bases para estarem sempre alerta, mas tudo torna-se tão caótico quando chega o combate…
Para mim, este jogo era a oportunidade perfeita, mas perdida, para misturar o sistema de combate da série com o sistema dungeon crawler. Eu fui às cegas, pensava mesmo que o combate era assim ou a puxar mais para um combate jrpg tradicional. De certo modo, tive isso, mas de uma forma muito básica: podemos premir o ZL para abrir o menu de ataque e escolher a habilidade ou carregar no A para o jogo escolher a melhor habilidade para o confronto.

tap tap tap tap para atacar e continuar…

E aqui jaz o problema deste jogo: é tudo tão automático como se o jogo reconhecesse que não é intuitivo, então joga sozinho para que possamos fazer coisas mais interessantes. Não basta o combate ser básico e premir A até gastarmos o PP da habilidade como tem um modo de exploração automático, onde as criaturas exploram sozinhas à procura de itens ou das saídas. Há uma grande diferença entre tornar um jogo acessível para miúdos e graúdos e torná-lo tão básico (para não usar outro termo) que nos deixe com uma sensação de inutilidade, mas isto já é algo recorrente da franquia Pokémon que teima em não mudar: maus enredos que são repescados de jogo para jogo, recursos e problemas reciclados, mecânicas retiradas etc. Há uma aposta constante no nome da marca e um desleixe na qualidade que não vai mudar enquanto os fãs não baterem com o pé no chão.

Dito isto, e com muita pena minha: não me diverti. Se não gostava do género rogue, também não foi desta que passei a gostar. Talvez a história me convencesse, mas o saldo não compensou o investimento. Não me consegui afeiçoar à exploração e ao combate, mas tudo bem! O bom disto é que há espaço para todos os gostos: não quer dizer que o jogo seja uma aberração porque se gostarem e souberem ao que vão, perfeito: é uma adição catita à biblioteca da Nintendo Switch. Agora perfeito, perfeito? Só se o jogo principal usasse mesmo os gráficos deste jogo, aí quem sabe…

Sigam o conselho do pequeno, poupem os vossos euros!
A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Nintendo Portugal.

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