INDIE² – Bloodroots & Skellboy

Estamos de regresso ao mundo dos indies com um jogo de ação e uma aventura esquelética. Esta edição de INDIE² é dedicada às partidas rápidas, ao combate e à personalização – perfeita para o final da semana.

Bloodroots

É raro encontrarmos videojogos que se foquem ou que retratem o faroeste norte-americano, seja pelos seus traços visuais, com as montanhas e prados imponentes, ou pelas histórias de glória e foras da lei que marcaram toda uma geração. A Paper Cult Games aceitou o desafio de adaptar este mundo de polícias e bandidos a um ambiente hack-and-slash com Bloodroots, um divertido, sangrento e igualmente desafiante jogo que chegou recentemente ao PC e consolas.

Bloodroots é, na sua génese, um western, mas despe-se do realismo do género e banha-se num estilo mais colorido, exagerado e caricatural que lhe dá o semblante de desenho animado, criando um faroeste fantasioso – com claras influências de steampunk – onde seguimos a história de vingança de Mr. Wolf, deixado para morrer pelo seu antigo gangue. A história é clássica, um cliché por si só, e se conhecem o género e alguns dos seus marcos cinematográficos – como O Bom, O Mau e o Vilão, de Sergio Leone (1966), ou A Desaparecida, de John Ford (1956) -, conhecerão alguns dos seus pontos narrativos. Há, surpreendentemente, um foco no desenvolvimento da personagem que achei intrigante, com o jogo a criar momentos de reflexão e diálogo, entre níveis, onde conhecemos melhor não só o protagonista, como os vilões. Apesar de não ser uma análise aprofunda do tradicional herói em busca de vingança, é interessante ver como uma história simples, e muito focada na ação, pode ter camadas emocionais que elevam a sua narrativa.

Como seria de esperar, para um jogo que se assume como um hack-and-slash, o foco não está na história, mas sim na jogabilidade, e Bloodroots rapidamente se transforma numa luta intensa pela vida e pela melhor pontuação possível. Com uma visão isométrica, vários níveis, três atos de história e um leque impressionante de armas à nossa disposição, Bloodroots é difícil, mas muito recompensador, inspirando-se em títulos como Hotline Miami, onde morremos igualmente com um só golpe, para criar um ritmo frenético de ação, sangue e repetição. O objetivo é quase sempre o mesmo: eliminar todos os inimigos nos níveis. Apesar de existirem momentos de plataformas, que são, na minha opinião, um dos seus pontos fracos, Bloodroots não precisa de adicionar elementos desnecessários à sua jogabilidade, mantendo-se focado no combate rápido e intuitivo, e no recomeço instantâneo sempre que morremos.

Na verdade, há uma aparente simplicidade que engana. À primeira vista, Bloodroots é um jogo que pouco se destaca. É um título de ação com mecânicas muito limitadas, onde os controlos se resumem ao salto, ataque e recolha de objetos. Esta é a sua base. No entanto, tudo muda quando temos em conta o design dos níveis, a sua verticalidade e aposta em caminhos e abordagens diferentes, e o comportamento das armas. O armamento é tão diversificado que altera por completo o ritmo e direção de um nível se conseguirmos combinar as diferentes armas. Podemos utilizar espadas, machados, canhões, espingardas, ganchos e muito mais, que afetam não só o poder e alcance de Mr. Wolf, como lhe dão a possibilidade de se deslocar mais rapidamente ou de saltar por cima de plataformas. Todas as armas têm duas ou mais funcionalidades, dentro e fora de combate, dando a Bloodroots uma tonalidade de jogo de puzzles, onde cada nível é um tabuleiro repleto de peças diferentes.

O controlo é muito limado, responsivo e fácil de pegar e jogar, mesmo com a variedade de armas. A dificuldade é uma constante e existe sempre a vontade de repetir os níveis e conseguir uma pontuação melhor – determinada pelo tempo, mobilidade e número de combinações -, mas o jogo peca na falta de criatividade na arte, na variedade dos níveis e na profundidade de campo que, quando aliada à visão isométrica, dificulta a leitura dos cenários. As sequências de plataformas são um dos pontos mais fracos do jogo, com a perspetiva a dificultar os saltos e o posicionamento da personagem.

Os níveis terminam sempre com uma animação especial que é influenciada pelo tipo de armas que têm em mãos.

Curto, divertido, intenso e muito desafiante – assim é Bloodroots. Se são fãs do género e estão à procura de um jogo rápido e com um sistema de combate variado, este é, sem dúvidas, uma boa opção para este início de 2020.

A escala utilizada é de 1 a 10

Skellboy

Se Bloodroots foi uma agradável surpresa, já Skellboy, da Umaiki Games, foi uma oportunidade desperdiçada. Com um estilo visual intrigante, que mistura modelos 2D com cenários totalmente em 3D, Skellboy parecia ser um RPG de ação perfeito para a Nintendo Switch e a sua portabilidade, oferecendo um mundo extenso e interligado para descobrirmos. Infelizmente, não foi isso que encontrei, mas sim uma experiência insípida e que se foca demasiado na sua mecânica mais original e diferenciadora.

Skellboy é muito tradicional no que toca à sua estrutura e progressão, colocando-nos num mundo totalmente interligado e dividido por zonas distintas, cada uma com o seu próprio ecossistema. Há uma sensação de progressão e de variedade no seu mundo, mas a repetição faz-se sentir imediatamente pela reutilização constante de inimigos e de assets pelos cenários. O sistema de combate é pouco marcante, quase sempre lento e pouco satisfatório – com as armas a apresentarem um arco de ataque insatisfatório. Apesar de oferecer várias armas ao longo da sua campanha, é difícil perceber o que as torna únicas e como se diferenciam no que toca ao seu poder de ataque.

O grande destaque de Skellboy não é, na minha opinião, a sua estrutura ou foco numa aventura tradicional, que relembra – e muito – as aventuras de Link, mas sim a sua troca de fatos e parte do corpo do nosso herói esquelético. À medida que exploramos novas zonas e derrotamos os vários inimigos que encontramos, temos acesso a partes do corpo que influenciam os atributos da nossa personagem. Podemos equipar novas cabeças, troncos e pernas, com o jogo a disponibilizar regularmente diferentes partes do corpo para que possamos experimentar e adaptar à nossa disposição. No entanto, existem equipamentos que são meramente cosméticos e que se distinguem pela negativa.

Skellboy tem um conceito interessante, muito focado no seu humor, e é empolgante mudar e combinar partes diferentes do nosso herói, mas a campanha é cansativa e pouco marcante. O mundo não é visualmente estimulante, revelando-se confuso e pouco claros nos seus piores momentos. É uma boa distração para este início de ano, mas com a chegada de alguns dos maiores lançamentos de 2020, está destinado ao esquecimento. Apesar de não ser um mau jogo, não irá deixar saudades.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (NSW) foi cedido pela Evolve.

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