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Super Crush KO | GLITCH REVIEW

Um jogo de ação 2D que tinha tudo para cair nos clichés, mas que se faz sentir como uma lufada de ar fresco.

Sinto que, por vezes, a cena indie acaba por cair no cliché do design, quer por limitações e acessibilidade, quer pela inspiração e, talvez, uma certa presunção. Há alguns anos, tivemos o abuso do pixel art e dos chiptunes, e mais recentemente começámos a ver o excesso dos Souls desta vida.

Felizmente, foi com alguma surpresa que encontrei Super Crush KO, um jogo de ação 2D que tinha aparentemente tudo para cair em alguns destes clichés, mas que, apesar da sua simplicidade e limitações, faz-se sentir como uma lufada de ar fresco.

Depois de ver o seu gato raptado por uma extraterrestre, Karen transforma-se numa espécie de John Wick e parte numa aventura para resgatar o seu amigo felino enquanto combate hordas de robôs. Uma premissa simples e facilmente ignorável, mesmo com as suas raras, mas adoráveis cinemáticas desbloqueáveis ao logo do jogo.

Este brawler 2D tinha tudo para ser um poço de sadomasoquismo, com confrontos frustrantes e uma jogabilidade que requeria timings sobre-humanos, mas felizmente a Vertex Pop resolveu fazer um jogo tão divertido de jogar como parece.

Com controlos simples e meia dúzia de habilidades desbloqueáveis nos primeiros níveis, Super Crush KO é um deleito, com uma jogabilidade frenética, animações fluidas e uma variedade de movimentos que permitem alguns combos tão satisfatórios como em alguns jogos AAA da Platinum Games. É absolutamente divertido. Os níveis são satisfatoriamente grandes, atingindo aquele equilíbrio que nos faz dizer “já está?” sempre que chegamos ao final. É muito fácil vermos o tempo a voar e deixar-mo-nos levar pela jogabilidade viciante.

Super Crush KO tem este efeito muito graças ao quão tolerante é, que, apesar de colocar muitos inimigos no ecrã – incluindo em batalhas de bosses -, nada parece impossível e intimidante, com a AI a deixar-se a atacar um a um, em vez de nos atacarem a nós todos de uma vez.

No entanto, os meus elogios terminam por aqui. Embora o meu tempo com o jogo tenha sido cheio de diversão, a meio da minha aventura comecei a ver um padrão familiar, os níveis deixaram de oferecer novidades, tanto no seu design físico e visual, e a variedade de inimigos, exceto nos bosses, mantém-se praticamente igual até ao fim do jogo.

Até a tolerância, que vi inicialmente como algo positivo, acaba por ser um pouco aborrecida. Mesmo em níveis mais difíceis e complexos torna-se fácil de encontrar o padrão de spawn e descobrir os movimentos que nos permitem limpar o ecrã de forma eficaz, aumentado assim o nosso resultado na tabela. E se os níveis parecem ter o tamanho certo, o mesmo não se pode dizer nos grupos de níveis compostos pelo clássico formato 1-1, 2-2, 3-3, etc, que são longos demais, sem grande sensação de progresso ou variedade.

Super Crush KO não parece querer ser muito mais do que é e apresenta-se com toda a confiança possível para nos divertir num par de horas no PC ou na Nintendo Switch. Se procuram algo para ocupar os dedos durante pequenos períodos de tempo, experimentem esta malha.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (Steam) foi cedido pela Cosmocover.

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