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Drawngeon: Dungeons of Ink and Paper | GLITCH REVIEW

Um RPG de tinta e papel que nos leva numa viagem curta, mas nostálgica.

Ditou o destino que começasse 2020 com um jogo invulgar. Lançado no final de 2019, longe da atenção dos jogadores e críticos, Drawngeon: Dungeons of Ink and Paper é um RPG na primeira pessoa inspirado nos clássicos dungeon crawlers, colocando-nos num mundo simples onde a movimentação acontece através de mapas divididos por grelhas. Ao contrário dos títulos que o inspiraram, como Ultima Underworld: The Stygian Abyss, Drawngeon destaca-se ao ser totalmente desenhado à mão.

Drawngeon quase me passou ao lado. O lançamento, que aconteceu na Véspera de Natal, parece ter ditado o seu sucesso junto do público, ainda que se encontre disponível tanto no PC, como na Nintendo Switch. É um jogo difícil de reconhecer por entre os catálogos extensos das duas plataformas, mas é uma experiência interessante, ainda que pouco profunda, que demonstra como um conceito simples, mas bem delineado é capaz de agarrar os jogadores. Faltou-lhe, infelizmente, uma jogabilidade mais variada e um mundo mais extenso para explorar, mas o coração estava no local certo e Drawngeon pode ser a base para um excelente dungeon crawler no futuro.

O classicismo é aqui levado ao extremo, com o jogo a despir-se da narrativa, das personagens e das grandes demandas heroicas para nos transportar para uma aventura que é, em tudo, um espelho à génese do género. Como um RPG, Drawngeon traz-nos três classes distintas – guerreiro, feiticeiro e ladrão –, várias armas, armaduras e itens que podemos encontrar ao longo de várias masmorras. A campanha segue assim uma estrutura familiar, com os jogadores a caírem diretamente na cidade principal, que podem explorar livremente – e onde encontrarão algumas missões secundárias e os habitantes da pequena localidade –, com o jogo a dar-lhes uma única missão pela frente: encontrem a torre misteriosa.

O mundo de Drawngeon é pequeno, limitando-se à cidade e a algumas masmorras, onde é possível notar que o foco está na repetição e na utilização de classes diferentes. É um jogo limitado, mas parece estar desenhado para dar aos jogadores uma experiência muito destilada do género, apostando mais na jogabilidade e na progressão ritmada para criar a sua campanha. Claro que nunca se afasta das mecânicas que o inspiraram, contando com um sistema de evolução por níveis, habilidades desbloqueáveis e um sistema de combate mais assente na ação, onde os movimentos lentos da personagem são compensados por uma movimentação mais fluída – eliminando, assim, os combates por turnos que vemos noutros dungeon crawlers.

A performance é, no geral, sólida e os são bugs quase inexistentes, mas encontrei um erro que me obrigou a reiniciar o jogo e uma zona final repleta de slowdowns. Ao longo da campanha, foi o único problema que encontrei.

Como um todo, é um jogo muito acessível e poderá ser uma excelente porta de entrada para um género popularizado pela sua dificuldade, existindo espaço para aprenderem as mecânicas sem estarem constantemente em perigo. A sua simplicidade e mapa reduzido ajudam a criar esta experiência mais controlada, ainda que tenha de destacar o mapeamento dos controlos como um aspeto negativo. Ao contrário da jogabilidade, os controlos não são, num primeiro contato, acessíveis e requerem alguma habituação, exigindo que os jogadores rodem, movimentem e acedam aos itens através de comandos algo confusos. Com o tempo, acabei por aceitar esta escolha, mas quando temos, na versão Switch, a possibilidade de utilizarmos o ecrã tátil, gostaria que o jogo fosse mais apologista desta funcionalidade.

Apesar de não ter desgostado da duração da campanha, ainda mais se tivermos em conta o seu preço, fiquei um pouco desiludido com o número de armas e armaduras disponíveis. Para um RPG, a variedade é muito limitada e irão encontrar os mesmos machados, espadas e cajados do princípio ao fim, ainda que, em defesa do jogo, existam níveis de poder associados a cada um deles. O mesmo acontece com os tipos de inimigos e com um design pouco interessante de masmorras, onde se sente uma falta de experiência no que toca ao desenho deste tipo de cenários. Poderei estar errado, mas no que toca às masmorras, Drawngeon dá-nos o básico.

Os cenários são muito repetitivos, mas a duração curta das masmorras acaba por apaziguar este problema.

Por mais problemas que possa ter, e por mais simples que seja, Drawngeon é visualmente marcante. Com cenários e modelos desenhados à mão, cujos esboços podem ver nos extras do jogo, é impossível não sentir que é um trabalho repleto de amor, onde o estilo parece refletir a ambição da DarkDes Labs. A animação é quase inexistente, com a maioria das personagens a permanecerem estáticas no seu lugar, mas é delicioso explorar este mundo de papel e tinta. É o equivalente a darem vida às vossas aventuras de Dungeon & Dragons, transportando-vos para o passado e para a simplicidade do género. Ao estilo visual junta-se uma banda sonora soturna, repleta de baixas frequências, que dá uma maior personalidade ao jogo, criando uma experiência mais pesada e assustadora.

Drawngeon: Dungeons of Ink and Paper não esconde o que é, antes pelo contrário, aceita-o com orgulho. É um RPG curto, mas com uma jogabilidade acessível e uma arte nostálgica que irá, certamente, encontrar os seus fãs. As suas limitações são, no entanto, incontornáveis, em especial na falta de variedade nas armas e armaduras, mas é um jogo repleto de alma que usa a duração da sua campanha para motivar os jogadores a repetir a aventura mais do que uma vez. É divertido, clássico e encaixa perfeitamente no catálogo da Nintendo Switch. Agora resta saber se este é o princípio de algo mais ambicioso ou apenas uma experiência que ficará esquecida neste final de geração.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (Nintendo Switch) foi cedido pela DarkDes Labs.

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