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Os Outros Jogos da Década

Um olhar sobre cinco jogos que poderão ter perdido ao longo dos últimos dez anos.

Agora que já falámos nos nossos jogos favoritos da década – que podem ficar a conhecer no episódio especial do nosso GLITCH DLC –, sinto que tenho de voltar uma vez mais atrás no tempo para dar atenção a cinco jogos que merecem uma última oportunidade antes de entrarmos em 2020. Estes são os jogos que me marcaram ao longo destes dez anos, das mais variadas formas, e que estão a ser lentamente esquecidos pelo tempo. Antes de chegarmos ao fim da década, vamos ressuscitá-los uma última vez.

SHIN MEGAMI TENSEI IV

Como fã da série, Shin Megami Tensei IV foi uma compra óbvia na Nintendo 3DS. Mesmo com grandes clássicos no catálogo, o jogo da ATLUS foi a minha primeira aquisição, julgo que em 2015, e um dos RPGs que mais me marcou nos últimos anos. Num mundo rendido a Persona, cuja adoração compreendo totalmente, é incrível voltar à série principal e ver como se destaca dos restantes jogos do género.

Com temas fortes e um sistema de combate brilhante, Shin Megami Tensei IV só é vítima da plataforma onde foi lançado e da sua própria ambição. Tenho de destacar ainda a forma como constrói a sua narrativa e injeta momentos de decisão sem forçar nos jogadores algum julgamento moral. As escolhas são orgânicas, nascem da jogabilidade e da nossa relação com o mundo do jogo, e funcionam ao serem irremediáveis, colocando-nos em situações desconfortáveis onde somos obrigados a viver as decisões que tomámos inconscientemente. Esta é a força da série.

EL SHADDAI: ASCENSION OF THE METATRON

Nestes últimos dez anos, El Shaddai: Ascension of the Metatron fez parte de todas as listas de jogos esquecidos que fiz. Seja no GLITCH, na BGamer ou na Revista Pushstart, por onde também passei, tentei sempre partilhá-lo ao maior número de amigos e colegas que conseguisse. Apesar de ser um jogo difícil de recomendar pela sua história, que é mais confusa do que empolgante, ou pelo sistema de combate simplista que apresenta, é, sem quaisquer dúvidas, um dos projetos mais visualmente impactantes da última geração, senão mesmo da história dos videojogos.

A sua adaptação livre d’ O Livro de Enoque, um dos textos esquecidos do Antigo Testamento, é uma das suas mais-valias, retratando a descida dos anjos à Terra e o seu subsequente amor pelos seres-humanos. Deste contacto, nascem os Nefelins, ou Gigantes, que, aos olhos de Deus, eram vistos como aberrações, frutos de um amor proibido. Perante a insubordinação dos anjos, Deus ameaça destruir a Humanidade com um enorme dilúvio, cabendo a Enoque a missão de parar a iminente destruição do planeta. A esta narrativa, que é, infelizmente, demasiado surreal, junta-se um retrato temporal interessante através dos olhos de um ser imortal, onde o conceito de passagem de tempo é-lhe indiferente, com o jogo a levar-nos numa viagem ao longo de várias eras sem nos dar uma data precisa.

Não é um jogo para todos, mas El Shaddai é forte no que toca às emoções e à sua carga dramática, e aconselho a todos os que procuram um jogo de ação que vai além do seu sistema de combate.

PREY

Dois anos depois do seu lançamento, continuo sem perceber o que se passou com Prey. O último título da Arkane Studios, que seguiu Dishonored 2 e o spin-off Death of the Outsider, tinha tudo para ser um dos melhores títulos do ano – com uma jogabilidade assente nas escolhas e na liberdade dos jogadores –, mas acabou por cair no esquecimento e tornar-se num fracasso comercial.  Com fortes inspirações dos géneros RPG e dos títulos imersivos, como Deus Ex e Thief, Prey deu-nos um pouco de tudo, colocando-nos numa estação espacial com vários níveis para explorar e com um leque de armas que podíamos exponenciar dentro e fora dos combates.

É um dos jogos que mais de divertiu ao longo desta geração e se não fosse pelos seus problemas técnicos, que espero que tenham sido resolvidos, seria certamente um dos meus títulos favoritos destes últimos anos. Se quiserem saber mais sobre o jogo, podem ler ou ver a nossa análise.

THE ORDER: 1886

Esta talvez seja a escolha mais controversa da minha lista, isto se me reger pela reação que recebeu durante o seu lançamento. Quatro anos depois, The Order: 1886 é, juntamente com No Man’s Sky, um exemplo claro do que acontece quando a antecipação dos jogadores atinge um ponto de rutura. Como exclusivo da PS4, o jogo da Ready at Dawn tinha uma longa e dura batalha para travar, chegando às lojas um mês antes de Bloodborne e um ano antes de Uncharted 4: A Thief’s End, numa época em que a consola da Sony precisava urgentemente de exclusivos. The Order: 1886 caiu que nem uma bomba, um jogo narrativo, linear e sem grande longevidade, onde o foco se encontrava na sua história, na excelente interpretação dos atores e numa realização próxima de uma grande produção cinematográfica. Ao contrário do que propusera a oferecer, os jogadores tinham outros planos para si. Queriam uma experiência nunca antes vista e que justificasse o lançamento na ainda recente geração. Não foi o que aconteceu, longe disso.

A revolta e a má receção por parte dos jogadores e críticos levou a Sony a matar prematuramente aquilo que poderia vir a ser uma das novas séries da família PlayStation, terminando uma história que ficou apenas pelo seu primeiro ato. Hoje, longe do lançamento atribulado, aconselho-vos a experimentar o jogo, se ainda não o fizeram. Esqueçam o que ouviram dizer e deixem-se levar pela sua história e momentos de ação. Os jogos narrativos e lineares merecem a vossa atenção. Pensem em títulos como A Plague Tale: Innocence. O género não está morto.

SPEC-OPS: THE LINE

Não poderia concluir esta lista sem mencionar o título da YAGER, lançado em 2012. Um jogo de ação, na terceira pessoa, que se propôs a levar-nos numa viagem psicológica e surreal pelos efeitos dos traumas da guerra. Para tal, muniu-se dos clichés do género, tanto na primeira como na terceira pessoa, e manipulou toda uma geração de jogadores ao utilizar as mecânicas do género para construir a sua crítica. Um projeto intelectualmente ambicioso e que ainda hoje continua a influenciar jogadores e criadores por todo o mundo.

Spec-Ops: The Line tem alguns dos momentos mais perturbadores do género não só pelo seu grafismo e realismo, mas também pela sua determinação em culpabilizar os jogadores pelas atrocidades que vemos no ecrã. É um jogo que nos faz questionar tudo o que jogámos, toda a euforia por detrás de séries como Call of Duty e Gears of War, despindo-se da glorificação da violência para nos dar a experiência mais crua que podemos encontrar. Felizmente, tem sido cada vez mais reconhecido e é, hoje em dia, o que podemos considerar de jogo de culto, mas se ainda não jogaram, não deixem passar a oportunidade.

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