INDIE² – Ritual: Crown of Horns & Sparklite

A minha viagem pelas homenagens e roguelikes continua nesta nova edição do INDIE², onde viajei até ao faroeste mágico da América do Norte e às terras coloridas de titãs e tecnologias perdidas.

Ritual: Crown of Horns

Com um estilo visual muito estilizado e próximo de uma banda desenhada, Ritual: Crown of Horns, da Draw Distance, prometia ser a experiência twin-stick shooter que tanto procurava na Nintendo Switch. Infelizmente, o jogo de ação escondia outra faceta, algo mais nefasta, na forma de um tower defense aborrecido e limitado cuja campanha, dividida por níveis, pouco ou nada oferece em termos de tensão.

Como um caçador de prémios, a mando do governo norte-americano, a nossa personagem é dotada para a ação, mas nada o preparou para enfrentar as forças sobrenaturais que prometem conquistar o país. Traído e assassinado pelos seus próprios aliados, vê-se renascido e dotado de habilidades especiais, que podemos selecionar à medida que avançamos pela campanha, com o leque de personagens e de novos aliados a crescer à medida que exploramos o país em busca de respostas. Com estes companheiros, temos acesso a novos itens, muitos deles cosméticos, e a armas que poderemos utilizar ao longo dos níveis.

A nível mecânico, Ritual: Crown of Horns não faz, à primeira vista, nada de mal. Funcionando como um twin-stick shooter, controlamos o nosso pistoleiro com os dois analógicos, sendo o direito dedicado à mira das suas armas, e apontamos e disparamos com os botões ZL e ZR, numa jogabilidade muito simples e intuitiva. Com três armas à escolha, e com mais por desbloquear, temos um número extenso de níveis onde o objetivo é muito simples: protejam a bruxa durante o tempo estipulado e matem tudo à vossa volta.

Existe alguma estratégia, no sentido em que temos de controlar as hordas de inimigos e controlar o poder de disparo das armas, que muitas vezes é melhorado de acordo com o tempo de mira.

A estrutura é muito simples e divide-se por níveis, com cada estado dos Estados Unidos da América a comporem a campanha do jogo. A premissa é, inicialmente, interessante, a arte do jogo capta a nossa atenção e a própria jogabilidade é funcional e intuitiva o suficiente para nos agarrar, mas Ritual: Crown of Horns tem muito pouco para nos oferecer. Os níveis são repetitivos, as armas não são satisfatórias, o design dos inimigos é limitado e o level design resume-se a arenas fechadas, pouco imaginativas, onde temos sempre de fazer o mesmo: proteger a bruxa, matar tudo. O jogo entra rapidamente neste ritmo e tenta manter a nossa atenção à medida que desbloqueia armas e equipamentos, mas é muito pouco.

Em pouco tempo, o jogo torna-se repetitivo e cansativo, com a estrutura a recusar-se a evoluir para além das arenas e dos combates contra inimigos pouco desafiantes ou inteligentes. A personagem é fácil de controlar, mas não desculpa a ausência de imaginação e de novos desafios. Pedia-se muito mais de um jogo que tenta dar um foco demasiado desnivelado a uma história que acaba por ser irrelevante.

Por vezes, o objetivo sai da habitual defesa da bruxa, mas o ritmo da ação e a sua insistência em combates aborrecidos, nunca muda.

Ritual: Crown of Horns irá encontrar os seus fãs, seja pela sua arte ou pelo seu foco no tower defense, com os níveis a aumentarem de complexidade que requer uma maior gestão do espaço e dos utensílios, mas não consegui entrar o seu ritmo e apreciar a jogabilidade como um todo. É um jogo que se torna tão aborrecido que não consegui avançar muito mais para além das primeiras horas, com o cansaço a instalar-se e a toldar o meu divertimento. Experimentem apenas se adoram twin-stick shooter.

A escala utilizada é de 1 a 10

Sparklite

Se Ritual: Crown of Horns desilude pela sua falta de imaginação, já Sparklite desaponta pela ausência de um foco mais centrado e direcionado para o que o torna tão especial: a jogabilidade. Esta aventura colorida, produzida pela Red Blue Games, coloca-nos no papel de Ada, uma aventureira em busca dos segredos por detrás do mundo de Geodia, que se vê em guerra contra o temível Barão e os seus titãs, seres gigantesco e robóticos, que tentam reorganizar o mundo a seu favor. Tudo isto numa aventura inspirada por RPGs de ação e roguelikes.

É difícil não reparar no estilo adorável e muito colorido de Sparklite, cujo mundo e personagens jorram personalidade e boa disposição. Com uma campanha clássica, ainda que envolta no manto dos roguelikes e da sua constante repetição, e com várias zonas por explorar, onde sentimos ainda uma clara influência dos metroidvanias, sentimos que há muito para descobrir e desvendar neste mundo em evolução. Infelizmente, Sparklite quer fazer muito e acaba por nos dar pouco.

Como um jogo de ação, segue um modelo clássico, dando aos jogadores um ataque principal, um desvio rápido e a possibilidade de equiparem uma arma e equipamento adicional. A jogabilidade é muito fluída e rápida, com Ada a ser muito fácil de manusear ao longo dos níveis desafiantes. Os inimigos são variados e cada nível, que é gerado aleatoriamente sempre que começamos, culmina na batalha contra um dos titãs do Barão. A dificuldade é o mote do jogo e devem preparar-se para regressar ao início vezes sem conta, sendo necessário apanhar o maior número de Sparklites (as moedas do jogo) para desbloquearem novos equipamentos e melhorarem as várias secções de The Refuge – o que, por sua vez, nos dá acesso a mais itens e armas.

As zonas têm a sua própria fauna e flora, funcionando quase como as estações do ano. Para além dos níveis principais, podemos ainda descobrir salas e cavernas adicionais.

Sparklite é muito simples, mas adoro a sua aposta na exploração e na descoberta de segredos, com cada zona a apresentar vários baús secretos e desafios adicionais. A campanha é simples e até um pouco linear, mas há sempre espaço para nos desviarmos do caminho principal e melhorarmos a nossa personagem. Para incentivar ainda mais esta exploração, temos a possibilidade de descobrir e desbloquear crachás que melhoram os seus atributos, sendo necessário equipá-los, num espaço limitado, antes de sairmos para cada aventura. Estes crachás influenciam parâmetros como o número de corações/vida, a energia, mas também possibilitam a visualização do mapa por inteiro ou a localização de zonas de importância.

Devo destacar ainda a zona principal do jogo, que funciona como um hub. Sempre que morram, regressam a The Refuge, onde têm a oportunidade de melhorar as lojas e equipar os crachás, tendo acesso constante a novas armas e equipamentos. Para um roguelike, Sparklite segue o modelo quase à risca e é interessante ver como tenta moldar uma aventura mais clássica, como The Legend of Zelda, à estrutura de recomeço e repetição do género, conseguindo criar uma sensação de progresso através deste hub em crescimento, onde cada nova personagem, ou loja, dão vida ao local anteriormente abandonado.

Para além da nossa personagem, podemos ainda melhorar o seu companheiro robótico, que é também controlável, e adicionar-lhe novas habilidades.

Mas Sparklite não consegue manter este ritmo, infelizmente. Como seria de esperar, há uma enorme repetição associada à jogabilidade e à própria campanha que nunca sentimos estar devidamente equilibrada. Existe muito para descobrir, mas Sparklite parece ter sido inicialmente pensado como um RPG de ação tradicional e só depois um roguelike, adicionando muito pouco ao género e aproveitando ainda menos dos melhores exemplos que encontramos atualmente no mercado (como Dead Cells). Os cenários, apesar de muito coloridos, são vazios e pouco animados, existindo muitos espaços mortos entre os inimigos e as plataformas, onde se nota uma falta de cuidado devido à aleatoriedade da campanha. O jogo está também construído por blocos e notamos rapidamente no padrão e na falta de um número de cenários suficientemente diferentes que justifiquem esta aleatoriedade. Há toda uma falta de originalidade que acaba por limitar o que poderia ser uma aventura adorável do princípio ao fim.

Sparklite é difícil, quanto baste, um pouco limitado e curto, mas consegue dar-nos uma experiência lite e muito condensada do género. É um bom jogo de ação preso no corpo de um roguelike que ganharia mais com um level design apurado e personalizado do que com a constante repetição que força nos jogadores. Em pequenas doses, não deixa de ser divertido, mas quanto mais quiserem retirar da sua jogabilidade, mais se vão aperceber de que não há muito para descobrir.

A escala utilizada é de 1 a 10

Os códigos para análise (NS, PS4) foram ambos cedidos pela Evolve.

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