Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout | GLITCH REVIEW

É estranho entrar no mundo de Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout. Depois de passar vários anos, que rapidamente se transformaram em décadas, a observar ao longe e a alimentar uma curiosidade borbulhante sobre a série, vejo-me a entrar de cabeça neste mundo de alquimia. Apesar de ter jogado, durante poucas horas, Atelier Iris, não sabia o que ia encontrar neste mundo colorido e de uma alegria contagiante, mas descobri um RPG competente, de nicho e muito pensado para os fãs, e saí de sorriso na cara.

É fácil julgar Atelier Ryza à distância e apelidá-lo de infantil devido ao seu design e à sua aposta em protagonistas vibrantes, cheias de energia e de uma inocência fictícia, mas há muito para descobrir neste RPG da GUST. Como principiante, cai de paraquedas, algo perdido por entre convenções que deveria conhecer e por uma aposta interessante na recolha e criação de itens. Com um foco na exploração, a história de Ryza, a nossa protagonista e alquimista principiante que quer ver o mundo e viver grandes aventuras, ganha contornos adoráveis e oferece-nos um leque de personagens clichés, mas que aqui encaixam na perfeição.

A alquimia é a palavra de ordem e a GUST decidiu pegar no seu sistema de criação e dar-lhe uma nova cara sem querer quebrar a acessibilidade dos títulos anteriores. Em Atelier Ryza, podem criar itens, armas e equipamentos através da recolha e combinação de vários recursos, mas também influenciar a qualidade das vossas criações ao adicionar mais elementos ao processo. Podem, por exemplo, adicionar mais recursos de um determinado tipo, como fogo ou vento, para aumentar a sua força e expandir a efetividade do processo através da junção de novos elementos que dão habilidades ou efeitos adicionais às vossas criações. O jogo quer, desta forma, motivar-nos a encontrar o maior número de recursos, que encontram espalhados por todo o mundo, e a experimentar as várias combinações disponíveis. Em pouco tempo, vi-me agarrado a esta mecânica e a tentar criar o maior número de itens, o que me fez, por exemplo, ver a exploração com novos olhos.

O sistema de combate nunca foi uma prioridade da série, mas Atelier Ryza marca um ponto de viragem interessante. Ao contrário dos títulos anteriores, aqui temos um foco curioso na velocidade e na gestão da equipa, com o jogo a apresentar um sistema de combate ativo, sem pausa, que me relembrou títulos como Grandia. A ação nunca pára e nós podemos ver a ordem de ataque no canto inferior esquerdo, incluindo o tempo de ataque para cada personagem ou adversário, e planear o próximo passo com alguma urgência. O jogo disponibiliza várias habilidades e ataques especiais, que são influenciadas pelos AP (que ganhamos à medida que atacamos), e podemos, inclusivamente, apostar todos os pontos de habilidade no melhoramento temporário dos atributos das personagens e aumentar, por exemplo, o número de ataques por turno. Existe assim um maior risco/recompensa neste sistema de combate, onde temos de decidir se devemos apostar no número de ataques ou no poder dos mesmos, juntamente com a possibilidade de gastarmos os AP na utilização de habilidades especiais.

À primeira vista, o combate é intimidante devido à quantidade de informações e mecânicas que expõe, mas é apenas a causa de uma UI demasiado confusa e presente.

A gestão de equipa foi uma surpresa, na medida em que só controlamos uma personagem de cada vez. Podemos trocar rapidamente para qualquer membro da nossa equipa, através do L1, e combinar ataques, mas nunca teremos controlo sobre todas as personagens em simultâneo. Isto significa que os restantes lutadores atacarão sozinhos até os controlarem, sendo necessário decidirem, em combate, qual a sua posição e modo de ataque. É possível definirem que cada personagem é mais agressiva, e assim utilizar os pontos de AP, que são partilhados pela equipa, ou mais defensiva e relegarem-se a ataques normais. Apesar de não ser o sistema de combate mais profundo do género, é um passo certo para a série ao dar um maior dinamismo aos confrontos, algo altamente criticado nos títulos anteriores. Aqui há uma maior sensação de ritmo e de risco, o que eu achei perfeito para contrabalançar com o tom mais alegre do jogo.

Atelier Ryza é uma boa porta de entrada para o género, ainda que tenha um enorme foco na alquimia e na criação de itens. É um jogo pensado nos fãs que acompanharam o crescimento da série e as suas várias transformações, onde peca por tentar adicionar mecânicas a mais que acaba por afunilar de uma só vez, mas é um jogo, na perspetiva de alguém de fora, que funciona muito bem. Não tive estômago, admito, para a história e para a sua aposta nos diálogos sem fim, mas há aqui muito para descobrirem, onde a gestão de tempo, a criação de itens e os combates rápidos sem conjugam como nunca na história da série.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Ecoplay.

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