Frostpunk: Console Edition | GLITCH REVIEW

Depois de nos colocar no meio de uma guerra interminável, a 11 bit studios transporta-nos agora para um futuro gélido onde a morte está sempre ao virar da esquina. E se This War of Mine foi uma viagem emocional por um mundo negro e cínico, já Frostpunk dá um passo decisivo em frente para nos dar uma realidade onde não há certo ou errado, mas apenas uma enorme e forte vontade em sobreviver – sejam quais forem os meios.

Ao contrário de This War of Mine, Frostpunk é um jogo de gestão e estratégia assente na sobrevivência e na construção de uma nova comunidade. Com os sobreviventes de um acampamento presos num mundo gélido, é necessário gerir o crescimento desta pequena cidade e lutar contra as variantes deste mundo imperdoável, desde o frio até a leis polémicas, revoltas, doenças e rivais inesperados. Se não conseguirmos garantir as necessidades básicas da comunidade, seremos expulsos e o jogo acabará, obrigando-nos a recomeçar tudo do zero.

No seu cerne, Frostpunk é tão focado na sobrevivência como na construção. Com uma cidade circular, cujas novas estruturas são implementadas em redor de um gerador – que dá vida ao mundo gélido do jogo -, temos de escolher as infraestruturas necessárias para garantir os mantimentos e o bem-estar dos nossos habitantes, existindo uma enorme necessidade em posicionar corretamente cada uma destas novas unidades. Para expandirmos a cidade, que irá aumentar a produção, mas também as exigências da população, temos de construir os alicerces para novas ruas, numa tentativa de criar um mundo vivo e realista. E com o calor a determinar todos os parâmetros da cidade, esta disposição é ainda mais importante, com o jogo a colocar-nos num combate interminável contra o fio e as vagas gélidas que regularmente influenciam o mundo de Frostpunk.

A esta organização junta-se o número impressionante de unidades e habitações que podemos construir e adicionar à nossa cidade. Clínicas, fábricas, habitações, cozinhas e até tendas de caça são algumas das unidades que podemos desbloquear e aplicar à nossa comunidade à medida que avançamos. Como se trata de um jogo de estratégia, é necessário recolher recursos para garantir a construção de novas instalações e organizar os nossos trabalhos de modo a mantermos a cidade o mais funcional possível. Os sobreviventes dividem-se, para começar, por trabalhadores e engenheiros, com algumas funções a só serem acessíveis por um dos grupos. Se querem apostar em trabalhos forçados, devem gerir os trabalhadores e se quiserem colocar as fábricas a funcionar, têm de apostar nos engenheiros.

As tempestades influenciam a produção e se não tivermos fontes de calor próximas das habitações e das fábricas, podem levar à morte dos trabalhos e à cessação das atividades fabris.

Para além da construção de novos edifícios e da gestão dos sobreviventes, Frostpunk dá-nos ainda a possibilidade de passar leis que influenciam o funcionamento geral da nossa comunidade. O jogo tenta dar-nos o maior controlo possível sobre o futuro da cidade e a aposta na gestão de leis é interessante, na medida em que cada uma dela tem claras vantagens e desvantagens que afetam igualmente o descontentamento e a esperança dos habitantes (duas barras que estão sempre visíveis no jogo). Podemos passar uma lei por dia e decidir, por exemplo, que as crianças devem trabalhar em locais seguros ou que os inválidos serão cuidados em instalações próprias. Podemos também decidir que é legal obrigar os trabalhadores a fazerem turnos adicionais, para além do seu turno habitual (que acontece durante o dia), ou que é possível colocar serradura na sopa para aumentar a sua consistência, apesar do descontentamento dos habitantes. É uma mecânica que requer um equilíbrio constante, desafiando-nos sempre que passamos uma nova lei.

Como seria de esperar, a 11 bit studios traz-nos novamente um jogo muito assente nas escolhas narrativas. Ao longo do jogo, teremos de fazer decisões rápidas que poderão afetar positiva ou negativamente a qualidade de vida da nossa cidade, algo que se tornará claro à medida que avançamos na história e sentimos a comunidade a crescer. Estes desafios influenciam também o descontentamento e a esperança dos trabalhadores, levando, caso não tenhamos cuidado, a revoltas populares se dermos um passo em falso ou se não cumprirmos as nossas promessas. Cada momento é acompanhado por várias opções e podemos, se quisermos, não fazer uma escolha concreta e evitar o problema o máximo que conseguirmos. Claro que cada escolha tem uma repercussão, até as que não fazemos, e nesse sentido, Frostpunk é implacável do princípio ao fim.

As leis estão divididas por categorias e funcionam quase como uma árvore de habilidades, desbloqueando novas opções à medida que avançamos.

Por último, temos as equipas de reconhecimento e exploração que podemos enviar para vários pontos do mapa. Estas equipas, que ficam disponíveis durante o início de cada campanha, podem descobrir novos sobreviventes, mas também mantimentos, zonas de interesse e trechos de história que nos dão uma visão mais alargada do mundo de Frostpunk. Estas expedições não são totalmente pacíficas e estão sujeitas a escolhas que poderão determinar o sucesso, ou morte, do nosso explorador se não tivermos cuidado, mas são um elemento importante numa jogabilidade já bastante apetrechada de boas escolhas de design no que toca à gestão e organização.

Frostpunk é uma pequena surpresa e um excelente jogo de gestão para todos os fãs do género, contando com um dos mundos mais arrepiantes e moralmente desafiantes que encontrei este ano. Nem tudo é simples e claro, há muito para ler entre as linhas e Frostpunk não tem medo de nos desafiar em cada escolha que fazemos. A versão para consolas está bem otimizada, até nos controlos e na UI, que são geralmente problemas nesta transição do PC, e revela um cuidado reconfortante. Com tantos jogos a chegarem ao mercado, Frostpunk poderá passar despercebido, mas uma coisa é certa: não irão jogar nada semelhante nas consolas. É a recomendação que vos deixo.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (Xbox One) foi cedido pela Evolve.

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