Red Dead Redemption 2: Um ano depois

Eu adoro o primeiro Red Dead Redemption. Em 2010, não havia outro jogo que me conseguisse roubar tantas horas. A ideia de jogar um western, com fortes inspirações nas produções italianas, mas destilado através da fórmula vencedora da Rockstar Games, foi um pequeno sonho que me apanhou totalmente desprevenido. É, ainda hoje, um dos meus jogos favoritos da geração passada, com mais de 150 horas passadas tanto na campanha como no modo online. A sequela? Bem, só agora a comecei a jogar.

Para alguém que adorou o primeiro jogo, eu sei que é estranho. Passou-se um ano e não comprei ou pedi emprestado o jogo que tantos consideram ser um dos melhores desta geração. Em doze meses, nunca peguei no comando e experienciei a história de Arthur Morgan e do gangue do Dutch. Ao contrário dos meus colegas, nunca vi este novo e admirável mundo num género que tanto adoro. Mas isso mudou.

Um ano depois, Red Dead Redemption 2 é um jogo estranho. Pelo caminho, terminei Breath of the Wild, que considero ser o pico dos mundos abertos, e vi e ouvi muitas opiniões sobre o épico da Rockstar. Se Red Dead Redemption 2 foi aclamado pela crítica durante o seu lançamento, a opinião pública parece ter azedado com o tempo, com muitos jogadores a apontarem defeitos na jogabilidade e no ritmo lento da campanha. Um ano depois, vejo-me no meio, mesmo no centro das opiniões.

O faroeste nunca foi tão belo e detalhado, e é incrível ver como tudo mudou desde o lançamento do título original.

Não é o mundo aberto, as atividades secundárias e o realismo da época e das ações da personagem, que são relegadas a controlos, por vezes, pouco intuitivos, que me atraem em Red Dead Redemption 2, mas sim a história e as suas personagens. Não existem dúvidas de que é um jogo incrivelmente belo e capaz de nos cortar a respiração, onde posso destacar o nevoeiro matinal e o excelente trabalho de iluminação, mas é nos diálogos, nos maneirismos das suas personagens e na carga dramática da sua narrativa que o jogo vive e se torna imprescindível para qualquer jogador.

Ainda não vi a história de Arthur Morgan até ao fim, mas já me sinto completamente rendido. A mestria da Rockstar chegou a um novo patamar e vejo um cuidado exímio nos diálogos que simplesmente não vejo noutras produções. É impossível, para mim, não ficar agarrado à história e às suas missões principais. Estou tão embrenhado na vida do gangue que não sinto qualquer vontade em explorar e em ver todas as atividades secundárias que o jogo tem para me oferecer. Não é isso que interessa, nunca foi – pelo menos para mim.

As personalidades estão tão demarcadas e bem trabalhadas que basta interagirmos uma vez com as personagens para as ficarmos a conhecer.

Esta falta de vontade em explorar é agravada pela jogabilidade, mas também por uma insistência em injetar um maior realismo às ações de Arthur. Em Red Dead Redemption 2, tudo dá trabalho, nada é simplificado. Cada ação tem vários botões associados, dando-nos a sensação de estarmos perante um minijogo sempre que tentamos ou retirar uma arma da sela do nosso cavalo ou aceder simplesmente ao diário de Arthur. É tudo tão lento, tão pouco divertido e construído em prol de um tom mais pesado e realista que a Rockstar parece ter perdido a intenção de criar um jogo, mas sim um filme. E por mais atividades que coloque no meu caminho, não consigo não ver estas mecânicas cansativas, longas e demoradas, e o tamanho incrível do mapa e as horas que passam entre missões. É um jogo demasiado longo para a história que quer contar.

Red Dead Redemption 2 é uma clara evolução em relação ao original, mas é também um produto diferente de uma Rockstar cada vez mais distante e embrenhada na sua própria genialidade. Parece que faltou o humor e a lucidez que tanto marcaram as suas produções anteriores, e deixou-nos com um jogo que prefiro ver do que jogar. Parece que existe um certo desequilíbrio entre a história e a jogabilidade, nomeadamente nas mecânicas mais vocacionadas para a sobrevivência e para a gestão do acampamento, que acabam por não ter grande impacto na experiência geral. Apesar do foco que lhe dão a nível narrativo, o mesmo não se sente na progressão do jogo. E se no início achava que ia ter problemas em encontrar dinheiro e em gerir os mantimentos do gangue, rapidamente percebi que não tinha quaisquer entraves e vi-me com mais de 500 dólares no bolso sem grandes esforços. E se assim é, então para quê adicionar ao jogo? A perfeição é muitas vezes subjetiva, parece-me.

A caça é um passatempo interessante que acaba por afetar a progressão de Arthur e do acampamento através da recolha de novas pele e de alimento. No entanto, não consigo dedicar muito tempo à prática devido às suas exigências temporais.

Mas não é isto que será recordado daqui a uns anos, mas sim o nível de detalhe do seu mundo, a sua história e personagens. É um marco e sei totalmente que é, mas um ano depois, começo a ver falhas. No entanto, é impossível não continuar a jogar, mesmo rejeitando as atividades adicionais e a exploração. Não sei o que nos espera na próxima geração, mas espero que a Rockstar aprenda que mais nem sempre é melhor e que existem escolhas que podem alienar os seus jogadores e até assustar aqueles que têm menos tempo. Mas no que toca à história e aos diálogos? Nunca mudes, Rockstar, por favor. E é isto que retenho depois de um ano de espera: um belo jogo, mas um jogo que não sabe, por vezes, ser jogo.

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