As Férias de Verão

Por: André Pereira

Quando acabei Kingdom Hearts 2 há muitos, muitos anos, fiquei com uma frase na cabeça: “tens sorte, parece que as minhas férias de Verão acabaram”. Nessa altura, as minhas férias de Verão tinham quase três meses – se não três meses completos. Três meses de total liberdade para jogar, ler, escrever ou fazer nada. Quis o destino que não fosse rico para ter muitos jogos, portanto repetia os mesmos numa altura em que ainda podia repetir jogos porque não tinha backlog. Sabem, tenho saudades de não ter backlog…

Chegava a achar as férias de Verão tão longas que me aborreciam. Também tenho saudades de me aborrecer nas férias. Chegava Setembro com os folhetos de regresso às aulas, os manuais novos e andava irrequieto com o início do primeiro período para me arrepender no terceiro dia de trabalhos para casa. Sim, também tenho saudades de me arrepender no terceiro dia de aulas.

Tudo isto para dizer que já não tenho férias de Verão dignas desse nome. Nem três meses, nem um. Tenho uma ou duas semanas e já danço. E não há problema. É o suficiente para não pensar em trabalho e consigo enfiar um joguito ou outro. Nestas minhas férias ainda consegui jogar três jogos! Força, eu! Daemon x Machina, Luigi’s Mansion 2 e comecei o novo Zelda (Link’s Awakening) que vai ser terminado para lá do terceiro dia (semana de trabalho). E era para ter começado Astral Chain, mas a Worten teve outros planos para mim!

Admito, eu Worten sempre pelas promoções.

Se isto fosse um diálogo, perguntava o que tinham jogado, mas como não é, vou continuar a falar das minhas férias e destes jogos. Olhem, posso já dizer que odiei Daemon x Machina. Odiar é um pouco forte, mas achei este jogo tão mau e tão aborrecido que fiquei aliviado pelos trocos poupados. Eu até estava interessado no bicho, nas lutas alucinadas entre robots, explosões de fazer ciúmes ao 4 de Julho e todos os clichés nipónicos do género, mas caramba. Se não fosse o dever misturado com sadismo, teria formatado a memória da consola, mas pronto: desliguem o cérebro ou fumem algo e conseguem apreciar o jogo.

Também analisei o primeiro Luigi’s Mansion e achei um jogo engraçado, mas nada por aí além. O segundo estava no topo da pilha e trouxe-o comigo para estagiar para o terceiro. E não é que jogo é bom que se farta? Luigi’s Mansion 2 tem tudo aquilo que faz de um jogo… um jogo! Tem situações e personagens engraçadas, visuais coloridos e apelativos, uma banda sonora de assobiar durante dias, uma jogabilidade aditiva e maus controlos.

Devo ter passado mais tempo a lutar com a falta de analógicos do que com os fantasmas. Juro que estive perto de desistir num boss porque a personagem não fazia o que queria. Entre os gritos das assombrações e os meus, lá consegui triunfar e acabar o jogo. O que fiz a seguir? Sugar todos os vídeos de Luigi’s Mansion 3 porque preciso-o nesta vida e na próxima. Sério, se tiverem a oportunidade, não o deixem passar: é simples, engraçado e vão passar um bom bocado. Mais, joguei com legendas em português e estavam muito bem feitas! Só não gostei de ser tratado por você. Lá por não ter férias de três meses, não quer dizer que seja um adulto careta.

BOO!

E vamos ao último – ao melhor – ao que mora no meu coração desde há anos: The Legend of Zelda: Link’s Awakening. Já devo ter escrito aqui sobre a minha relação com este jogo: que o joguei em puto e que me roubaram a consola com o jogo. E nos escuteiros! Que tive de pagar o jogo ao meu colega e a consola ao meu irmão. Isto é que foi aprender a dar valor ao dinheiro. Não apanhámos o miúdo, mas tinha as minhas suspeitas…

Voltei a jogar emprestado. Era de noite, estava numa torre de vigia florestal no norte do nosso país. Não se ouvia mais nada à nossa volta para além do vento nas árvores e dos hyaa! do Link. Comprei-o para mim físico e digital. Voltei a acabá-lo digital na 3DS. Comprei agora este remake. Vou acabá-lo em breve na Switch, e, até agora, a experiência tem sido um mimo. Uma ponte temporal para todos aqueles Verões passados agarrados a um Game Boy e a uma Nintendo 3DS.

Bons tempos ou melhores tempos?

Eu era aquele miúdo de calções, óculos fundo de garrafa e corte de cabelo dúbio. Ponta da língua fora da boca e ecrã colado ao nariz até me chamarem para qualquer coisa. Tenho orgulho de ainda ser assim hoje e ter crescido bom jogos, boas gentes e boas experiências.

Portanto, Sora, as minhas férias de Verão acabaram, mas outras virão. E agora não preciso de férias para jogar. Posso jogar quando me apetecer e porquê? Porque não tenho trabalhos de casa nem exames para estudar! Ah, alguma coisa que tenha mudado para melhor.

Até ao próximo mês!

Vou chorar em HD, não vou?

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