INDIE² | Amnesia Collection & The Sojourn

Naquela que promete ser a combinação mais estranha desta rubrica, decidi aventurar-me pelos corredores assustadores de Amnesia e colocar o cérebro à prova com um novo jogo de puzzles na primeira pessoa. Dois jogos interessantes para começarem o fim de semana da melhor forma.

Amnesia Collection

Estava longe do meu pensamento a possibilidade de Amnesia chegar à Nintendo Switch. O lançamento, que revelou ser uma surpresa, abriu-me os olhos para todo um género que merece adotar esta vertente mais portátil. Apesar da surpresa, recebi Amnesia de braços abertos, descobrindo assim uma nova desculpa para me aventurar uma vez mais pelo seu mundo macabro.

Por esta altura, pouco há a dizer sobre Amnesia e a suas expansões. Lançado em 2010, o jogo da Frictional Games, que nos trouxe a série Penumbra e mais recentemente SOMA, conquistou o público e os fãs do género, sendo considerado por muitos como o pioneiro do renascimento dos jogos de terror junto da cultura pop. Para tal, só precisou de se despir da ação, das campanhas focadas na tensão e focar-se unicamente no horror do seu terror cósmico, munindo-se de influências claras, como a obra de H.P. Lovecraft, para construir a sua própria mitologia.

Ao contrário dos seus contemporâneos, Amnesia conseguiu equilibrar o ambiente macabro do género de terror com os puzzles dos títulos de aventura (Point & Click), construindo uma campanha que é tão assustadora como desafiante. Apesar de não surpreender através da inventividade dos seus quebra-cabeças, conseguiu encontrar um equilíbrio entre a tensão de sermos constantemente perseguidos, muitas vezes às escuras, com a necessidade de resolvermos um puzzle para avançar. Hoje em dia, Amnesia já é um clássico e as suas rugas são cada vez mais visíveis, mas como experiência, continua a ser imprescindível para qualquer fã do género.

Apesar de não se tratar da melhor versão do jogo, a portabilidade dá-lhe uma clara vantagem em termos de acessibilidade.

A coleção inclui ainda Justine, um capítulo adicional, e A Machine for Pigs, um spin-off, disfarçado de sequela, produzido pela Chinese Room (Dear Esther, Everybody’s Gone to the Rapture). Apesar de não se equipararem à qualidade do original, estes capítulos são janelas interessantes para o mundo, tom e ambiente da série, conseguindo criar experiências que funcionam por si só. Em A Machine for Pigs, por exemplo, o foco está quase inteiramente na história, com o horror a ser colocado em segundo plano. Ainda que não atinjam a popularidade de The Dark Descent, acabam por dar à coleção uma variedade interessante.

A nova edição não apresenta quaisquer novidades, para além da portabilidade. Não estava à espera de gostar tanto de jogar com esta liberdade, mas neste preciso momento, só me vejo a jogar Amnesia na Nintendo Switch. No entanto, tenho de sublinhar que não é a melhor versão no que toca à sua performance. Não encontrei glitches ou bugs, mas senti um certo arrasto no movimento, especialmente na versão portátil, e pequenos soluções no controlo, como se existisse um pequeno atraso na resposta. Não são problemas suficientemente importantes para quebrarem a vossa diversão, mas existem e comprovam uma vez mais que a Switch ficará sempre aquém do esperado quando se trata de ports.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise foi cedido pela Evolve (através do Terminals).

The Sojourn

A minha batalha contra os jogos de puzzle continua, desta vez com The Sojourn. O jogo, desenvolvido pela Shifting Tides, chegou esta semana ao PC e consolas e trouxe consigo um leque interessante de níveis e uma história pouco presente, ainda que bastante misteriosa. É uma experiência mais visual e sensorial do que mecânica, com os quebra-cabeças a tornarem-se mais repetitivos do que desafiantes.

A repetição é o grande problema de The Sojourn. Apesar de não ser o maior fã do género, vi-me a ficar cansado com a falta de inovação e de variedade entre os vários níveis do jogo. Há um esforço em dar aos jogadores um desafio acentuado na resolução dos puzzles, mas senti que a fórmula se repete demasiadas vezes sem vermos a inserção de novos elementos na sua jogabilidade. A dificuldade é uma espada de dois gumes, no sentido em que tanto nos dá níveis completamente fáceis como nos coloca puzzles muito desafiantes, não existindo um equilíbrio na progressão dos mesmos.

The Sojourn divide-se por vários níveis onde temos de manusear dois tipos de elementos. O primeiro é a mudança entre o mundo normal e o mundo da escuridão, que desbloqueia novas opções e revela partes escondidas do mapa; e o segundo é o manuseamento de várias peças e a sua movimentação pelos níveis. A jogabilidade é muito simples, com a ação a decorrer na primeira pessoa, e relega-se a estes elementos, construindo níveis curtos, e até um pouco limitados, com um objetivo sempre claro e compreensível. Com o tempo, os puzzles vão combinando mais elementos, culminando em desafios que vos irão fazer coçar a cabeça em busca de uma solução.

Apesar da sua simplicidade, os cenários são muito coesos, coloridos e funcionam como um pano de fundo perfeito para a natureza calma e relaxante da jogabilidade.

O problema é que estamos sempre a fazer o mesmo, com os níveis a resumirem-se a um padrão demasiado restrito. Troquem de lugar com uma peça, ativem a harpa para reconstruir os caminhos partidos, usem a escuridão para ativar o portal e cheguem ao fim. Mesmo com a implementação de novos elementos, a jogabilidade nunca evolui para além desta fórmula. Apesar de saber que a repetição é uma constante neste tipo de jogo, não senti o mesmo em títulos como The Witness e The Talos Principle. Há uma limitação associada, talvez pela vontade em contar uma história mais visual, que não consegui ultrapassar durante as minhas horas com o jogo.

A nível visual, The Sojourn não impressiona, mas usa a sua simplicidade para criar cenários limpos e coloridos, onde a sua funcionalidade suplanta a criatividade e o design. A falta de surpresas é um problema em todos os parâmetros do jogo, mas devo admitir que adorei ver os níveis a construírem-se à medida que andava ou quando entrava numa nova sala. São as pequenas coisas. Se são fãs de jogos de puzzles, experimentem The Sojourn. A repetição poderá afetar a experiência de alguns de vocês, tal como aconteceu comigo, mas a duração curta dos níveis e o desafio dos quebra-cabeças irão certamente encontrar os seus fãs. Pedia-se mais, mas no que oferece, The Sojourn só peca pela sua falta de ambição.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código de análise foi cedido pela Evolve (através do Terminals).

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.