GreedFall | GLITCH TAG-REVIEW

GreedFall é a nova aposta da Focus Entertainment, a produtora e distribuidora que nos últimos tempos tem apostado em experiências curiosas, reminiscentes de um tempo em que os jogos a solo, com fortes componentes narrativas, reinavam nas nossas prateleiras. A cargo da Spiders, conhecida por títulos como Technomancer, GreedFall volta a apostar no género RPG com mecânicas fortemente inspiradas nos trabalhos da Bioware.

Mas serão as inspirações e as experiências da produtora francesa o suficiente para nos manterem motivados ao longo de dezenas de horas? Vamos descobrir.

Canelo – É interessante olhar para o trabalho da Spiders e ver o seu crescimento dentro de um género tão popular, mas igualmente traiçoeiro como o RPG. GreedFall é a sua mais recente aposta, um título que procura elevar a fasquia da produtora e dar aos fãs um mundo mais detalhado, extenso e muito desenvolvido a nível das suas personagens e enredo. A história é, sem dúvidas, o seu grabde destaque, transportando-nos para um mundo fortemente influenciado pela Europa do Século XVIII, cenário esse pouco explorado pelo meio, onde uma estranha doença ameaça matar todos os seus habitantes. Para descobrir a cura, a nossa personagem, um príncipe (ou princesa) afastado da sua terra natal, tem de se aventurar pelo Novo Mundo em busca de respostas e de uma cura, com a diplomacia e a relação entre as personagens a estar no foco desta aventura.

A aposta na narrativa é clara e nota-se o trabalho extensivo da Spiders em criar um mundo realista, com as suas regras bem definidas, enquanto desenvolve um RPG de ação pouco ou nada original. Apesar dos seus esforços, saí de GreedFall com a sensação de déjà-vú, com o jogo a dar-me uma estrutura demasiado familiar para me agarrar por completo.

David – Admito que a minha passagem por GreedFall foi feita timidamente (ainda não avancei muito na história), mas sinto algum desapontamento face às minhas expectativas, que já eram um pouco baixas, no sentido em que estava preparado para entrar num jogo com charme e algum “jank”. Não foi isso bem isso que eu encontrei.

Antes de referir o que me desiludiu e o porquê de me ter desiludido, devo mencionar que as minhas primeiras impressões até foram positivas, nomeadamente a nível de jogabilidade durante o combate. Enquanto fã de The Witcher 3 e de Mass Effect, parece que GreedFall faz umas mistura brilhante entre ações simples para os momentos de ação e a opção estratégica e quase por turnos que permite pausar o jogo e escolher as nossas ações e a dos companheiros. Apesar de ter um lado mais desengonçado, funciona e numa situação normal, seria perfeito a longo prazo, com potencial de ver as nossas personagens a crescerem e a ganharem novas habilidades. Infelizmente a estrutura do jogo parece estar tão dispersa que é difícil ter pica para o próximo encontro.

Se quiserem assumir uma posição mais estratégica, podem sempre usar o modo de pausa e controlar mais eficazmente todos os parâmetros do combate.

O primeiro aviso acontece quando abrimos o mapa pela primeira vez e encontramos um típico caso de Ubisoft, com um mapa cheio de pontos onde a leitura de missões secundárias se atropela com as missões principais. E o segundo aviso, que matou por completo a minha vontade de avançar no jogo, deveu-se à forma como as missões são apresentadas e às escolhas quase redundantes dos diálogos destas missões, que apresentam demasiados fillers, algo que quebrou por completo a minha tolerância perante tudo o que é secundário no jogo. Contudo, como me dizias, há uns dias, há aqui um jogo bom escondido, não é assim?

Canelo – Também não estava à espera de encontrar um jogo totalmente polido ou com valores de produção acima da média, mas GreedFall não me surpreendeu mesmo a nível visual, seja pelos seus gráficos desinteressantes ou pela direção artística pouco ou nada apelativa – mas talvez aqui seja mais uma apreciação pessoal. Apesar de não ter gostado tanto da jogabilidade ou do sistema de combate como tu, a verdade é que o jogo oferece várias opções de personalização que tornam os confrontos minimamente envolventes e desafiantes, e destaco, tal como tu, a possibilidade de usarmos um modo mais tático. Mesmo com as suas virtudes, senti que os combates eram aborrecidos e que ofereciam pouca variedade.

GreedFall é um jogo de contradições e vítima da sua própria ambição. Se por um lado temos um enorme foco no diálogo e na diplomacia, por outro temos escolhas pouco relevantes ou falas pouco naturais. E com um mapa tão extenso, que se divide por várias zonas – como cidades, aldeias, florestas, etc – e que disponibiliza tantas missões secundárias, GreedFall acaba por ser incrivelmente linear no seu design, dando-nos a sensação de que estamos a percorrer as mesmas zonas do princípio ao fim. O mundo parece ser composto por corredores que ligam mapas mais extensos ou zonas de interesse, tirando algum do entusiasmo na descoberta de locais secretos ou de equipamento mais poderoso.

Há muito para descobrir, mas sentimos que o mapa é pouco empolgante e variado.

Não tenho dúvidas de que existe aqui um bom jogo, mas GreedFall não é muito bom na sua primeira impressão, colocando-nos numa campanha que considero ser desinteressante ao ponto de me fazer parar de jogar. Para mim, foi doloroso jogar as horas que passei com o jogo, não por ser mau, mas sim por ser aborrecido. Se calhar estou a exagerar, mas não tenho qualquer vontade em voltar ao jogo.

David – Naquilo que interessa, estamos em sintonia. Depois de umas primeiras horas na cidade inicial, que foram dolorosas, a passagem para o “excitante Novo Mundo” não foram as melhores, porque rapidamente percebi que é um jogo de excessos. As boas ideias estão todas lá, mas raramente nos apercebemos delas devido a, lá está, excessos. Um desses exemplos é a qualidade do jogo enquanto RPG. GreedFall incorpora alguns dos elementos RPG mais interessantes com as escolhas das nossas ações e conversas a darem-nos uma liberdade interessante, desde a opção de fazer ou não missões, influenciar a personalidade dos nossos camaradas, o uso de diferentes mini-objetivos de missões ou simplesmente o uso do nosso carisma para resolver conflitos, tudo pormenores que podem e devem ser equilibrados à medida que vamos desbloqueando pontos para a nossa personagem. Infelizmente, é um jogo que requer toda aquela tolerância que já aqui, e num texto anterior, referi, que são barreiras que para muitos jogadores tornam o jogo menos interessante.

Tecnicamente, como referias, também não é grande bomba, ainda que por vezes tente. Passa bastante bem por um jogo da geração passada, com visuais pouco inspirados e quase cliché, excepto algumas das criaturas mais fantásticas com as quais me cruzei. É um jogo que tenho tanta dificuldade em recomendar, como em jogar, e não só por uma questão apreciativa pessoal, mas porque sinto que há coisas que muitos de nós podemos gostar em GreedFall.

Canelo – Sinto que estou a ser injusto com o jogo, mas também não consigo voltar a jogá-lo. No entanto, acredito que existem fãs para este tipo de experiência, especialmente quando existem tão poucos RPGs de ação com um foco tão apurado na história e na relação entre as suas personagens. Com a Bioware desaparecida, há todo um mercado por explorar, ainda mais nas consolas, e a Spiders continua a caminhar para o pódio. Muito devagar, mas com passos certeiros. Só esperemos que consigam arriscar mais da próxima vez.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (PS4) foi cedido pela Ecoplay.

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