Control | GLITCH REVIEW

Pela primeira vez, senti a idade desta geração de consolas. Consegui perceber as suas limitações, os seus problemas e a vontade em evoluir. Parece que estamos no interregno e na antecipação, e pela primeira vez, senti tudo isto. Control, o novo jogo da Remedy Entertainment, foi o culpado, o início do fim e a quebra da ilusão. Precisamos de novas consolas. Precisamos que Control funcione a 100%.

Como podem ter percebido, joguei Control numa consola, neste caso na mais modesta de todas onde o jogo está disponível, a Xbox One S. A Remedy criou um monstro, uma entidade maior do que esta geração e que consegue demonstrar sozinho como as consolas atuais estão a precisar de uma renovação. Talvez a culpa seja minha, já que não tenho uma PS4 Pro e uma Xbox One X, mas ver a minha consola a sofrer e a não conseguir processar tudo o que se passa neste fantástico jogo de ação é uma tragédia.

Uma coisa é certa: Control é fantástico. A experiência, o tom e a dedicação da Remedy estão presentes, seja na história surreal de Jesse Faden ou no design da Oldest House, estrutura em constante mutação e o palco de Control. Como um jogo de ação, é incrível, moldando a realidade e dando-nos acesso a várias habilidades que complementam os confrontos frenéticos contra os Hiss, as entidades que invadiram as instalações da FBC (Federal Bureau of Control), como a possibilidade de atirarmos projéteis, criarmos escudos e até possuirmos inimigos para lutarem por nós. Cada confronto é uma novidade, uma nova dinâmica e um desafio diferente, com os cenários a influenciarem o desfecho dos combates tanto como a nossa destreza na combinação entre as habilidades e as diferentes formas da Service Weapon.

Mas Control não vive apenas dos seus confrontos ou do surrealismo com que se banha, onde a filmografia de David Lynch é uma inspiração incontornável. É no design que encontra o seu equilíbrio, na sua estrutura próxima de um metroidvania e no ritmo da sua campanha, disponibilizando várias missões principais e secundárias, juntamente com desafios adicionais, para construir o seu mundo detalhado. Existem momentos em que Control parece ser um RPG de ação, com vários tipos de armas – que podemos melhorar e construir ao longo da campanha –, modificações e ainda uma evolução delineada por novas habilidades. Apesar de Jesse não evoluir por níveis, Control vai disponibilizando pontos de experiência através das missões concluídas, abrindo novas possibilidades e novas habilidades para a personagem. Control é muito mais do que um jogo de ação, afastando-se rapidamente da linearidade de Quantum Break (que pretendo jogar a seguir e com muito mais vontade do que antes) e apostando num mundo opressivo, mas igualmente intrigante que quase nos obriga a explorá-lo a fundo.

O ambiente sombrio e experimental, que é complementado pelos sussurros dos infetados com o Hiss, dão ao jogo um estilo muito próprio e que raramente vemos numa produção deste nível.

Não tenho quaisquer dúvidas de que o novo jogo da Remedy será um dos melhores deste ano. A ação é incrível, a história é envolvente e surreal, o mundo é detalhado e muito pessoal, e existem colecionáveis e habilidades para descobrir nos seus corredores frios e corporativos. Há muito para fazer e ver neste jogo, onde já se sente a falta do modo New Game+. Mas Control é, ao mesmo tempo, demasiado ambicioso para a geração atual e é impossível não ver os seus problemas de desempenho. Com cenários destrutíveis, cujos estilhaços e destroços podem ser usados como projeteis, níveis extensos e muito verticais, e ainda um número considerável de inimigos por combate acabam por delinear o processamento de todos estes elementos, culminando em quebras de frame rate severas, bloqueios, bugs visuais e ainda uma falta de primor no que toca às texturas e ao seu carregamento. Estes são elementos que podem ser atualizados, como a Remedy já prometeu, mas é impossível olhar para Control e não ver estes problemas tão sonantes e incontornáveis.

A ambição é palpável e a vontade em inovar e em dar aos jogadores uma experiência mais caótica e visualmente marcante é louvável, mas a Remedy não conseguiu suplantar os problemas de uma geração na sua reta final. Não é só em combate que Control demonstra os seus problemas de performance, basta acedermos ao menu para vermos a ação a bloquear e a cair para o patamar de slides ou de uma apresentação em powerpoint. Chega a ser desmotivante, ainda mais quando estamos a entrar no ritmo dos combates e a ver os seus efeitos tanto no inimigos como nos próprios cenários – que explodem e alteram-se à medida que combatemos –, mas Control nunca deixa de ser uma experiência forte e muito poderosa. É vítima da sua ambição e penso que isso é, ao mesmo tempo, de louvar. Esperemos que as atualizações consigam corrigir alguns destes problemas e se não for possível dar ao jogo uma performance mais estável, ao menos que tenha uma edição retrabalhada para a próxima geração de consolas.

A imaginação e a manipulação do espaço são dois dos elementos que ficarão comigo, com o jogo a apresentar algumas das sequências mais cinematográficas e desafiantes que vimos nesta geração.

Control é uma lufada de ar fresco e um jogo de ação que é mais do que o seu combate. É toda uma experiência sensorial e todo um conceito forte e marcante que irá ficar com vocês até mesmo quando chegarem ao fim da campanha. Mesmo com os seus problemas técnicos, Control consegue brilhar e demonstrar a criatividade da Remedy, juntamente com a sua sensibilidade cinematográfica. É provocante, muito divertido e é de cortar a respiração. Assim deviam ser todos os jogos e que Control nos prepare para a próxima geração.

A escala utilizada é de 1 a 10

O código para análise (Xbox One) foi cedido pela 505 Games.

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