Gamer com filho(s) | 3. Single VS Multiplayer

Tal como na chegada aos 30 eu identificava mudanças nos meus hábitos e preferências, a passagem para a condição de pai obriga-me a uma nova reavaliação semelhante. Porém, se com a nova etapa etária as alterações vinham por força de um amadurecimento do gosto pessoal ou de uma gestão de energia e de uma agenda social mais adulta, as mudanças que vêm à boleia de uma criança são-nos impostas por novas responsabilidades. É que as crianças têm o péssimo hábito de não saberem alimentar-se ou limpar-se sozinhas, e ainda precisam de aprender coisas básicas como sentarem-se direitas e, tipo, sobreviver.

O MELHOR AMIGO DO GAMER
Esqueçam o cão. Os jogos single player são o melhor amigo de um gamer com filho(s). Ao contrário da baboseira que a EA andou a repetir até recentemente, os jogos single player estão bem longe da cova. God of War que o diga do alto da pilha dos 10 milhões de cópias vendidas. Uma consulta rápida revela que (supostamente) até à chegada da PlayStation 5 terei The Last of Us Part II, WiLD, Ancestors: The Humankind Odyssey e Ghost of Tsushima para jogar. Estes são os que estão na minha lista, há mais que não estão no meu radar, como Death Stranding, Shenmue III ou o remake de Final Fantasy VII. E porque é que os jogos single player são o melhor amigos de um gamer com filho(s)? Simples: dão para pausar.

Contudo, como não poderia deixar de ser, há um senão (pelo menos), em especial se estivermos a falar de títulos focado numa narrativa. Agora imaginem ver Inception aos bochechos ou terem de fazer pausa no momento em que Darth Vader revela ser o pai de Luke Skywalker (spoiler?) em The Empire Strikes Back. Aqui há que haver uma coordenação com a cara-metade e chegar a um consenso de horas e algumas cedências. O espírito de equipa é essencial porque ou jogam com o(s) miúdo(s) a ver, depois de ele(s) estar(em) na cama ou com a cara-metade a tomar conta dele(s). De qualquer das formas, se não estiverem de acordo, está perfeito para dar chatice.

O OÁSIS DO MULTIPLAYER
Há quem não tenha veia competitiva. Para essas pessoas, ser gamer com filho(s) é já uma coisa mais simples. Isto porque quem vive para o online tem a vida complicada. Referi na primeira parte deste especial que nem sempre chego ao fim das partidas de Dragon Ball FighterZ. O mesmo acontece com Samurai Shodow e cada ronda tem 60 segundos. O truque está em escolher bem o jogo – esqueçam stances em MMORGP e os torneios de FIFA Ultimate Team – e o momento. Acima de tudo, uma vez mais, definir prioridades: jogo ou criança. Confesso que já deixei “esticar” a boa-disposição do Sebastião em partidas mais renhidas, mas sinto que geri bem a coisa. A Teresa discorda, mas o que sabe ela do assunto?

É legítimo optar por não prescindir de multiplayers – afinal de contas, cada um sabe de si –, mas há que alinhar perspectivas. Por cada vez que se tem de abandonar uma partida, as pessoas com/contra quem estamos a jogar saem sempre a perder. E também porque a frustração acumula com cada partida inacabada, o melhor é aceitar e jogar pelo desporto da coisa (esquecer o rank e o rácio de vitórias e derrotas) ou perceber que tem de haver um horário predefinido e que esse horário vai ser sempre limitado, porque isto de ter filhos dá trabalho e, nas palavras eternas de Forrest Gump, sh*t happens.

Recapitulando, ao contrário dos jogos single player, as crianças não têm a opção de pausa, mas, à semelhança de muitos jogos multiplayer, exigem toda a nossa atenção durante um longo período de tempo. Verdade, é saudável que uma criança aprenda a divertir-se sozinha, mas isso não é carta branca para os pais a ignorarem e dedicarem-se aos seus hobbies (digo eu). A virtude, como sempre, está no meio. Para nós gamers, este “meio” passa por conseguirmos incluir as crianças no nosso hobby, passar o testemunho e o gosto que temos pelos jogos, mas aí o equilíbrio pode ser mais complicado de encontrar.

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3 pensamentos sobre “Gamer com filho(s) | 3. Single VS Multiplayer

  1. Comigo o multiplayer morreu desde que fui pai e não me importei nem um pouco. Mas agora digo, então e os famosos jogos da From Software? 😀 Bom, felizmente o Sekiro já tem pausa e espero que de agora em diante seja sempre assim. Afinal de contas, eles já devem saber que o seu público também envelhece e precisa dessa funcionalidade. 😂 Acima de tudo, acho que para além da funcionalidade “pausa”, acho que também é bastante importante para os pais o jogo permitir gravar a qualquer momento. Isto facilita na hora de largar o comando caso seja imperativo. Digo isto porque não sou daqueles que deixa a consola ligada horas a fio em pausa ou na dashboard… I digress. xD

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